E Se o Proteu Venceu | O Trabalho do Futuro de Novo

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Mil máscaras: uma cadeia de OSCIPs como se não fossem partidárias que ainda leva a corrente partidária e ilumina o leitor quando do perigo vermelho …

Entre os labores atribuídos ao rei grego Menelau fora um episodio durante o qual teve que segurar o deus de infinítias faces, o Velho do Mar, o Proteu.

Bom de luta, o rei conseguiu em fim espremir do deus as verdades que queria saber.

Falando em mitos, está fincando raizes agor na sua «grande pela própria» um discurso de longa data, discurso que surgiu entre os futurólogos daquela década esquecida, os 1990s.

Chama-se da «carreira proteana», e está entrando na moda sambojana, com a demora de constume no caso de pensamentalogia adquirida no brechô.

O assunto veio à tona enquanto eu contemplava o que já fico sabendo sobre o sombrio Futuro de Trabalho segundo a IBM, na forma da feira de camelôs virtual Eu Sou Genial. Veja

AlphaMind — treinador de executivos qualquer — dá o exemplo do uso recente do conceito.

RM: Por que Proteu?

Proteu era uma divindade grega que possuía o dom de prever o futuro e a capacidade de transformar sua forma física ao comando de sua vontade. Utilizava essa habilidade para afastar os curiosos que o importunavam solicitando revelações. Transportado ao mundo dos negócios, o dom da adivinhação se refere à habilidade de planejar a carreira com base em uma visão de futuro compatível com os objetivos fundamentais do indivíduo; a capacidade de mudar a forma traduz-se em versatilidade e adaptabilidade para atingir esses objetivos; e a decisão de afugentar os mortais pode ser encarada como a utilização das habilidades para buscar uma nova posição, ou mesmo redefinir a carreira, quando se percebe não estar alcançando os objetivos fundamentais. Ou seja, o profissional proteano se caracteriza pela independência e flexibilidade com que administra sua carreira, norteando-se por critérios próprios de sucesso profissional e pessoal.

Decifrada, esse discurso muito bem decorado antevê um futuro nobre no qual o trabalhador “toma responsibilidade” por si só, preparando-se para o fato consumado de precariedade de trabalho.

Quer dizer, a «responsibilidade individual» vendida no pregão de ideias livres pelos nossos milenários não tem espaço para negociação coletiva.

No contrato entre o contratado e a empresa que o contratou, tem duas partes que são tratados como se fossem iguais  — o indivíduo e a pessoa jurídica, essa também e  tantas vezes tão  proteana.

Se quiser, deixei anotados alguns pensamentos técnico sobre o assunto no meu sítio «semântico».

Entretanto, anote-se a definição: proteana signfica precária e sem gestão de riscos sociais.

Eu deveria divulgar que participei na fundação de um sindicato de profissionais liberais — o corpo docente de fato de doutorandos na Berkeley — nos anos 1990. Ainda penso no investimento do UAW — — nas profissões como sendo muito sábio, antecipando o nascimento, observada pela IBM na mesma época,  do “trabalho de conhecimento” e o “proletário do saber.”

Desde então, nosso sindicalismo virou cada vez moribundo — situação perigossíssimo no meu ver. O desmanche dos mecanismos formais de negociar divergências corre o risco de repetir o grande erro das FFAA da coalizão no Iraque: Não oferecer trabalho aos jovens, e jovens homens em especial, e não mandar tropas suficientes para segurar e controlar os paiois de munições.

E deu que deu.

Em fim, essa tal de “carreira proteana” fica no outro lado da moeda do “assalto sybil.”

Se não lembrem do termo, refere-se a tática de assaltar servidores com pedidos de milhares de identidades fictícias, controlados pela mesma pessoa. O mundo de «blog spam» apresenta uma versão dessa técnica que almeja os motores de pesquisa.

Toma o seu nome do caso famoso de uma mulher que sofra de transtorno de personalidades múltiplas, identificada pelo pseudônimo Sybil pensando na palavra grega para mulheres com o poder de profecia — de baixar vários santos, digamos.

Notoriamente, as profecias das irmãs eram sempre cheias de ambiguedade.

Também era o título de um romance escrito pelo primeiro-ministro inglês Benjamin Disraeli.

Escrito em 1845, um ano depois da publicação de A Condição da Classe Operária da Inglaterra, de Friedrich Engels, retrata o sofrimento dos operário inglêses. Como o título sugere, Disraeli tem interesse em lidar com o que chamava na época a questão «Condition of England»..

O livro e um roman à thèse, e visava criar um clamor público contra a esqualidez das cidades. …

A reforma política do cartismo — Chartism — que Disraeli apoiava, foi um fracasso, após a grande greve geral de 1848. Amigos mais cor de rosas saberão do episódio.

Eu deveria acrescentar, por final, que em algumas análises do assunto, uma disinção é feita entre a carrera proteana e a “sem fronteiras” — o boundaryless career.

Leia aquela nota, tem que defende o fim de contratos de não-divulgação para empregados saindo da emprea, uma vez que constitui o capital social que o trabalhador tem a vender.

E se ele entregasse a receita do babaganuj da sua mamãe ao concorrente? Isso seria simplesmente vendendo o que ele tinha todo direito de pegar a revender.

Tento imaginar explicando a um cliente prospecti va como eu vou tratarei suas informações sigilosa dessa maneira, e a assim ganhar o contrato.

Não posso, por mais proteano que eu seja.  Meus «boundaries», ou condicionamento ético, não permitiria.

Uma criança ao que lhe faltam boundaries está apresentando comportamentos antisociais. O sociopata é definido principalmente por sua falta de boundaries.

Não consigo deixar de pensar no grande livro de Mangabeira Unger, Pragmatismo Sem Limites — Pragmatismo Unbound. Imagino o título pendurado no pescoço de algum vilão brasileiro, tipo um Edemar Cid Ferreira. Caberia bem, não caberia?