Proposta: O Festschrift de Escosteguy

Padrão
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Estou esperando matar saudades da minha cidade de coração acompanhando o blog, no Posterous, do Diego Escosteguy

Diego Escosteguy, indignado, que tem

…  orgulho de todas as matérias que produzi durante meus cinco anos como repórter de VEJA. Elas resultaram de um trabalho jornalístico intenso e rigoroso, que muitas vezes demandava meses de apuração e criteriosa checagem. Ou seja: todas – repito: todas – minhas matérias foram norteadas tanto pelo padrão exigente que me imponho desde que comecei nesta profissão, há dez anos, quanto pelos cautelosos critérios que caracterizam o jornalismo praticado pela revista VEJA.

.Alguém precisa fazer melhor a contabilidade, porque eu não consigo achar tantas matérias norteadas nessa sentido, pesquisando no site com um

site:veja.abril.com.br +escosteguy

Confesso que me custou bastante tempo dominar a grafia do nome.

Mas agora convido algum estudante de jornalismo de favor um Festschrift da carreira do novo editor da Época e mestrando na Columbia. (Normalmente o mestrado seria necessário para avançar à chefia, mas vivemos nos antípodes aqui.)

Será que foi o seguinte que consumia tanto tempo e garra e apuração rigurosa, por exemplo?

 Bruxaria contra ministros do TSE. Grampos telefônicos mostram que a baixaria nesta eleição não tem limites.

Vem das eleíções de 2006 e portanto antecede as denúncias de grampo geral no STF.

O Tribunal Superior Eleitoral está desde a semana passada em estado de alerta. Rastreamento feito por uma empresa de segurança detectou a existência de grampos nas linhas telefônicas privativas dos gabinetes dos ministros Marco Aurélio Mello, presidente do tribunal, Cezar Peluso, vice-presidente, e Marcelo Ribeiro, encarregado de analisar infrações na propaganda eleitoral na televisão.

Como o Idelber Avelar observava na época,

Bem discreta, no canto do “Painel”, na Folha de São Paulo deste domingo, encontrava-se a notinha assinada por Renata Lo Prete que dizia (link para assinantes): Trote? A PF considera grande a possibilidade de não ter havido grampo em telefones do TSE, e sim um erro da empresa que fez a varredura.

E Idelber:

Trote? Erro? Tentemos reconstituir o relato voltando até 2002, quando se revelaram os laços entre tal “empresa” e o Sr. José Serra.

E lá vai Idelber, um cão farejador quando dos detalhes que fazem toda a diferença entre a credibilidade e a preguiça jornalística.

Parece que não house grampo nenhum. Tem orgulho de ter relatado que houve? Vai trabalhar no Grupo ABC com Nizan Guimarães, onde imaginação e drama são valorizadas.

É mais um caso da Veja simplesmente repetir algo dito por terceiro sem apuração, por amizade ou quem sabe por que. .

Mais ai, se fosse verdade! A frase deveria substituir o título Veja na capa da revista. Escosteguy se mostra mas adepto para essa etapa do serviço. Me lembra daqueles programas no canal Discovery que nos informam que o mundo não vai acabar, e depois passa uma hora com “ai, mais se ia!”

Os responsáveis pelo crime não foram identificados – e dificilmente serão –, embora a ação tenha deixado rastros evidentes sobre o objetivo dos autores. O voto de um desses ministros pode levar à ruína interesses poderosos ou provocar a impugnação de uma candidatura. A uma semana das eleições, uma sentença conhecida com antecedência é mercadoria valiosa. Por isso, entre os ministros, não há dúvida de que os grampos têm ligação com as eleições de domingo. O ministro Marco Aurélio se diz assustado com a ousadia e não descarta a possibilidade de a ação ter como responsáveis pessoas diretamente interessadas na disputa, seja na condição de candidato ou de partido político.

Há nesse parágrafo pronunciamentos feitos por ministros e registrados em outras fontes jornalísticas que o Escosteguy, cavalheiro de esperança, se esqueceu de atribuir. Dever de casa: Pega os ipsis litteris dos ministros e o parágrafo para-escosteguyano e os somete ao serviço Churnalism, do Press Office inglês.

Não sei se funcionará com Português, porém.

Marco Aurélio falava monte de besteiras naquele ano.

Segundo a empresa de segurança contratada pelo tribunal, a interceptação foi trabalho de profissionais. Crítico ferrenho da reeleição desde o início do processo, Marco Aurélio foi acusado de ser tendencioso pela coordenação de campanha do PT.

Ele chamou, aos gritos, fora do autos para uma enxurrada de microfones,  pela inmediata impedimento do presidente do Brasil, chamando o caso dos aloprados “nosso Watergate.”

Ora, eu sou muito criterioso nesses casos … tal vez criterioso demais, mas se não gostar, rumine em outros pastos. O que a nota de Idelber teve que faltava na reportagem do Escosteguy foi o seguinte, sobre a firma que denunciou o grampo.

Trata-se da Fence Consultoria Empresarial, de propriedade do ex-dirigente do SNI, o coronel reformado do Exército Ênio Gomes Fontenelle. Trata-se da mesma empresa que foi denunciada em 2002 por espionagem a favor de José Serra no episódio em que pilhas de dinheiro foram encontradas no escritório de Roseana Sarney.

Isso é o método Veja. Omita qualquer fato que minaria ou chamaria em questão a validez da sua fonte, que fica  inexplicavelmente anônima. Considero a deconstrução daquela peça de rádio-teatro digna da Guerra Entre os Mundos devastador, pelo mero fato de apresentar um maior índice do que gosto chamar de «infodensidade».

Acho que você até podia medir essa qualidade, contando os nomes próprios dados em vez de descrições genéricas e os fatos e estastísticas dados em vez de adjetivos e evocações emocionais de medo, incerteza e dúvidas.

Mas não vamos apressar o julgamento. Seria contra a morosidade da justiça tropical.

Vamos fazer esse tal de festschrift para ver como o trabalho orgulhoso de nosso brasileiro em Nova York se compara com os padrões de integridade do New York Times, sobre um filme sobre o qual o Diogo nos oferece um trailer da You Tube recentemente.

Uma viagem de 10 mil kilometros e nem uma foto no saguão do Empire State?

Esse latifúndio de blogs, o Posterous, é interessante também — cadastrado com GoDaddy, e hospedado num servidor de máximo anonimato, é um serviço grátis e público que parece ser um duto preferido de algumas personagens interessantes.