Steve Jobs, Howard Roarke, e o Valor da Logomarca

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Imprima e segure à geladeira com a imã da padoca ou pizzaria:

Eu fiquei interessado alguns anos atrás num fio de pensamento que concede a crítica de Chomsky mas argumentava contra algumas das conclusões mais radicais do mago de linguistica.
Agora, não sei mais o que pensar sobre que deveria ser feito, mas me diverto bastante apontando casos e refinando a taxonomia de sofismas com que somos bombardeados noite e dia, do momento em que ligamos a Eldorado enquanto a café se ferve até desmaiar frente o último de House M.D., dublado. Mal.
A manchete mostrada acima, por exemplo, da IstoÉ Dinheiro, é um bom exemplo do No. 5.

 A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse uma criatura de pouca idade ou um deficiente mental.

Quanto mais se pretende enganar o espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por que? “Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

Primeiro, o chefe do grupo WPP está elogiando seu próprio trabalho. Segundo, está festejando uma massagem da imagem pública do Jobs que vem desde os anos 1980s, e que alimenta fantasias adolescentes de uma vida sem compromisso com os outros, os mediocres, os normais. Confira:

Olhe só a maquiina mágica daquela época. Parece liquificadora para fazer vitaminas.

Duas caminhas convergem na floresta e Jobs já andou por ambos. Sempre era promovido como um herói no género de Howard Roarke, o não-conformista nobre do romance de Ayn Rand — gênero altamente adolescente por natureza ao qual eu fui introduzido durante os anos de colégio e achava uma bosta.

O segundo é o grande insight de Fukuyama: é separando o produto da logomarca que define a corporação virtual do futuro. É longe de ser verdade que o iPhone ou iPad são os mais vendidos, ou que são vendidos em números signficiantes aqui no Brasil. Mais o estilo Steve, isso sim, tem sido o assunto de mil capas de revistas — de editoras que fecharam com o próprio WPP e o Innovation International.

Vale lembrar que entre a névoa de empresas nebulosas do Grupo ainda há o pessoal responsável pela era de Reagan, o Grupo Wirthlin, cujo fundador escreveu em 2000 que empresas não deveriam atacar suas críticas de maneira direta, mas sim por testas-de-ferro não-divulgados.

Assim, premiado ontem foram as logomarcas mais valiosas do Brasil:

O Multiplus Fidelidade figura, pela primeira vez, na lista das 50 marcas mais valiosas do Brasil em 2011. Dentre as empresas que abriram capital na BM&FBovespa em 2010, a companhia ocupa a primeira posição, enquanto no ranking geral está em 21º lugar. O título, concedido pela BrandAnalytics, em conjunto com a Millward Brown, WPP e Isto é Dinheiro, nomeia as marcas mais fortes e mais valiosas do País, por meio de pesquisa de mercado, valor das ações das empresas e seu desempenho financeiro. No fechamento da BMF&Bovespa de 16 de maio de 2011, o valor de mercado da empresa era 5,13 bilhões de reais.

Ora, Millward Brown, WPP e Brand Analytics são do mesmo grupo — e podiamos questionar o papel da Isto É Dinheiro também. WPP fechou sua parcercia com Brand Analytics em 2008.

A manchete é meio como se botassem «FHC acha Serra o melhor candidato» ou «Pai acha seu filho o máximo». Claro que acham isso. Tem interesse no resultado. Ou, para ser justo, «Dilma acha Palocci bacana.»

Vislumbramos ontem as agências do WPP no Brasil, se bem que se lembre.

Hoje achei que seria interessante tentar contar a história do grupo no País, começando com a acquisição de Zogby pelo IBOPE e a pareceria IBOPE-WPP que omite o nome de ambos os sócios, Millward Brown Brasil.

Deixame mexer um pouco aqui. Estamos perto de uma ferramenta para produzir uma linha de tempo no Drupal, no WordPress, e no Semantic Mediawiki. Assim:

Tem uma enxurrada de eventos de tentar desenterrar dos Formulários 20-K do grupo WPP, inglês mas que é obrigado a entregar relatórios gringo, a SEC.

Além da fusão com Real Media e a parceria no Brasil com a agência de atletas 9ine, tem a história de IBOPE no México e a aterrisagem de um sucursal do The Futures Company nos meiados do ano passado. …. Nós os achamos premiando fotógrafos do jornal O DIA — propriedade da Brasil Econômico S.A. — ainda nessa semana …

Mediawiki também tem.

A tarefa matará tempo e dará um alibi se a patroa quiser que eu labute no jardim.

Primeiro passo: utilize a Wandorra para revisar uma Serra da Bocaina de documentos da SEC.

Ibope vai ser um pouco mais difícil, sendo de direito privado, parece.

Ah, aqui, ô.

O Grupo tem dois consultores anônimos aconselhando um vice-presidente especial para a expansão no estrangeiro, e, à mesma vez, duas empresas que ficam fora do organograma: Millward Brown e Sample Central. Hmmmm.

Entretanto, uma coisa fica nítida: O Apple ficou premidado por pelo menos quatro firmas do mesmo grupo que ela contrata para valorizar sua marca. Uma revista de circulação nacional empresta uma leve fachada do noticioso.

Eu conheço moleques de doze anos que rapidamente perceberiam o fedor desse queijo.

É isso que chamamos de «gironalismo» — inglês «churnalism». A matéria é colada do release, só.