A Folha Demostra Porque Teremos Que Continuar Comprando Eucalípto de Maluf Por Enquanto

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A Folha de S. Paulo de hoje demostra porque o consumo de notícias por meio de bugigangas eletrónicas em vez de globos oculares 1.0 téra dificulades pela frente.

Em um fac-símile exata da sua capa, apresenta as notíticas verdadeiras sob o rótulo modesto — quase não percebi — de “informe publicitário.”

É um informe que não informa nada senão que a Folha é um jornal que facilmente vende a capa. Minha mulher encomendou o jornal para ser informado. O primeiro ítem que vê é um anúncio pago. Isso é um vigarismo sem-vergonha. 

Cada noticia fica enquadrada no que parece uma tela de um smartphoneo tabela. O resultado é que a metade do espaço que podia ter servido de impartir informaçãoes é invadido pelo equivalente ótico de barulho.

Distrai o leitor do conteúdo. É uma vergonha para qualquer profissional que passou sua carreira pensando apenas no legível e informativo .

Jornal que venda a capa venderira o traseiro da sua irnã, por dois tostões, na minha visão rabugenta do mundo. Nem fica claro quem pagou esse pato.

O suplemento do fim de semana do Valor, felizmente,, me retorna a minha calma antes de abrir a sacola plástica — vive o polietileno verde — na qual essa merda veio embrulhada.

Lá, no caderno EU& — eu, hein? — acho o espaço branco utilizado com a mais completa liberdade artística, como se fosse um parque público ou grande espaço de Neimeyer — em vez de ser tratado como um imóvel a ser convertido em condomínio vertical —  junto com a manchete reconfortante “Além de consumir, conhecer: a inclusão cultural da nova classe média.”

Entre os ícones representando essa inclusão são filmes, rádios, televisões, bolachas de vinil, e instrumentos a serem tocados. Uma amfora grega. Fala de uma cultura que conversa, onde você consome para depois criar sobre o que você acaba de experimentar.

Que coisa mais linda: Eu desci ontem a noite para achar minha mulher aprendendo a tocar a viola caipira na Internet. Me tocou “Deus salve o oratório …” e eu fiquei comovido.

Em vez de uma resposta — compre a solução instantânea! — um desafio — sorve, pense, então crie.