Ride, Palocci | Escândalo Genêrico e a Porrada Levada pelo ex-Prefeito de Ribeirão Preto

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No passado, me senti a falta de uma ferramenta que seria útil no rastreamento do escândalo midiático brasileiro como gênero literário-jurídico.

Agora, achei.

No Drupal, utilizando uma ferramenta de Google, é possível construir linhas de tempo que esclarecem os postes dos propter hocs que são típicos desse tipo de escândalo.

Acima, a historia oficial do grupo de mídia WPP, aguardando novos dados extraídos das divulgações da empresa, listada em Londres e em Nova York.

Acima — atualizo a nota agora — um resultado parcial do nosso paloccigrama.

Não capturamos tudo escrito — não consigo achar a reportagem original da Folha, da qual me lembro como se fosse onte — mas demostramos como é possível rastrear estes fluxos. Típico, por exemplo, foi a dia 16: Grande alarde da oposição, Palocci, explique aí seu negócio! nos jornalões e uma notinha no Valor detalhando todos os procedimentos que seguiu para não dar mal.

O Estadão toma uma linha coerente, salvo o petitio principii na qual se funde: «episósidio mostra falhas no sistema de ética». Foi do próprio ESP que li que a COAF registrou, processou, e apurou os alarmes que soaram. Venca em casa, COAFeiros, eu to compro uma cerveja!

No entanto, eu tenho toda certeza de que esse sistema pode ser aprimorado, e que, por exemplo, tem Arrudas nesse mundo do qual nenhum TCU já questionou nada, sobre coisa alguma, mas ô: Não consigo achar em nenhum lugar que Palocci fez algo ilegal, nem o que eu consideraria muito antiético.

O sofisma que fornece a artilharia pesada em momentos como estes é a confusão da moralidade com a lei, especialmente como predicatos do nome corrupção

Primeiro, o factoide na Folha: o homem ganhou 20 vezes mais dinheiro fora do governo do que dentro. Segundo, manchete comparável no Estadão sobre como o COAF reagiu ao caso — que no fim considerou um falso positivo. Terceiro, bando de deputados abanando as duas cortes de jornal na mão e assinando embaixo naquele processo ridículamente dilatório da CPI.

Isso apesar do relatado no Estadão: que vários mecanismos visando controlar o uso indevido de influência foram acionados e que o ex-Ministro foi cuidadoso com seus assuntos pessoais.

Não quero prejulgar o caso, mais pelo menos temos aqui um quadro que nos ajuda a observar os elementos no seu contexto temporal-espacial.

No escândalo midiático clássico — como mum roteiro hollywoodiano — questões de culpa ou inocência não têm lugar. O propósito desse gênero de gironalismo no qual, é triste dizer, vocês são tão talentosos, é sempre um motivo político ulterior, seja o Código Florestal ou a divisão do pré-sal ou que seja.

É panico moral, puro é simples.

Enquanto a suposta fantasma de inflação paira sobre os canaviais, a lisurra do Ministro de Dinheiro está em questão! O mundo está para acabar!

O Valor está especialmente notavel nesse processo. Em vez de botar uma notícia empresarial acima do dobro, vemos um desfile de manchetes da forma “X está preocupado por Y.” Juro. Olhe bem antes de reciclar a cópia que você está recebendo de graça para inflar os números de circulação no IVC.

Quem explicou este processo muito, muito bem, achei, foi a Marina Silva na entrevista dada à Época esse fim de semana, sob a manchete, “Estão querendo usar o Palocci.”

Notávelmente ausente da redação durante o fechamento da revista dessa semanan, fazendo curso na Columbia: Escosteguy, embora ele assinou uma reportagem querendo Paloccificar o Jucá, mostrando um infográfica de laços empresariais envolvendo a familia dele que realmente não apresenta nada muito suspeito. O haver de uma TV no nome da mulher é lamentável, isso sim. Mas a história sai mal contada, com grandes lances de retórica e alusões a suspeitas passadas que jamais são identificadas, ou os desfechos narrados.

Eu, hein?

Bem pode ser que a «porta-giratória» seja algo que deve ser melhor regulamentado.

Lá em casa chamamos a Câmara Supeior do Clube dos Milhonários, sendo apenas um dos senadores faltando bens totalizando as mágicas sete figuras.

O deputado que liderou o bem-sucedido campanha de derrotar uma legislação inconviente para interesses no ramo de convênios médicos hoje ganha sete figuras por ano como presidente da  entidade de classe. É uma merda, mas ainda não é ilegal. Ele aguardou o tempo prescrito na lei antes de ganhar a vida persuadindo os velhos colegas. Renovamos o congresso cada dois anos, então em tése a influência é adequadamente controlada pelo fato.

Mas vamos ver se consigamos com esta linha de tempo do enrededo de, procurando trocadilho, as riquezas do Palocci e as lágrimas de um palhaço.

Então, para testar a hipótese, temos que tomar conta de (1) manchetes anti-Palocci, (2) manchetes alarmistas sobre inflação, para ver se houver uma correlação ou não. Haverá. Eu li em Renate, acho que foi, que lideranças da oposição estão torcendo para uma queda de indicadores positivos da economia para minar a boa impressão que vocês tem da Dilma. Imagine isso. Torcendo para um evento que perjudicará muitos conterrâneos por mera vantagem política.  Uai.