As Missionárias de Mídia Global

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Aquele discurso dos diplomatas e institutos de pesquisa norteamericanos, sobre o desenvolvimento da mídia globalmente — na verdade, de uma unívoca mídia global, mas eles não entendem a diferença — sempre vem pontuado com metáforas religiosas, tal como «o evangelho da Nova Mídia» e o incentivo de ser «evangelista» dela.

Foi tão comum durante a última década assistir os comícios de donos de fundos de capital de risco travestidos de «profetas» e «evangelistas» das mesmas empresas nas quais — esquecemos-nos de mencionar? — estavam comprados.

Críticas foram feitos a jornalistas que publicavam matérias críticas o céticas sobre o tom apocalíptico de tudo isso, de que não queriam deixar serem ouvidas «as boas novas».

Sob  este ponto, confie em mim. Já li 50 mil releases com o mesmo discurso.

Agora, talvez a pessoa mais respsonsavel por este fato todo é a EllenHume, cujo CV coinicde com, e fornece um resumo institutional da, entrada da Filtantropião nessa área nos meados da última década — os famosos $50 milhões de Soros provindos de 2005 e os de Bill de 2006, por exemplo.

Assim, bem no meio de nossa «sócio-bibliografia» de estudos sobre o conceito paralelo, a «diplomacia pública» — leia-se propaganda, no sentido ruim — por exemplo, a antologia maravilhosa editada pela professora, chamada apenas «Os Missionários da Mídia» (2004).

O apoio dos EUA à excelência em jornalismo e a liberdade de imprensa da Globo

Nós achamos aqui o que qualquer estudo desse tipo precisa descobrir — o homem-chave, ou seja, o núcleo mais ligado aos outros núcleos da rede, e portanto desfrutando a maior influência sobre eles.

Foi após o lançamento desse livro, de fato, que um dos institutos de pesquisa mas religioso-direitistas, o Heritage, começou uma série sobre as práticas a serem adotadas nesse ramo — a maiora da qual viraram política publica.

Os neoconservadores reclamavam de leis «ultrapassadas» pelas novas tecnologias quando da vedação de propaganda no sentido negativo.

A práticas que introduziram em orgãos prestigiosos como Voice of America, NPR, e PBS, puseram muitos jornalistas na mesma saia justa que Kennedy obrigou o grande Edward Murrow a se vestir quando invadiu a Cuba sem avisar seu portavoz e assessor principal sobre relações públicas e opinião pública global — homem que vivia pela lema, “vencendo com a verdade.”

O episódio mancharia para sempre o que tinha sido uma das carreiras mais brilhantes do século, e o Murrow reclamou amargamente, “se vão mentir, pelo menos deixa-me saber para saber que eu, também, estarei mentindo.”

Miss Brasil 2004

Agora, vale a pena ler a avaliação do Brasil naquele anno mirabilis, antes de desfolhar a vida enredada da nossa pacata pesquisadora como está nos dias de hoje.

Investidores estão punindo o país por ter eleito o Lula, que promete reformas aos pobres. Esse vasto país tem 80 mil jornalistas integrantes de 31 sindicatos membros da Fenaj. O bolsista Knight de 2000 Michael Cowan relata que apesar de uma taxa de desemprego de 20%, analfabetismo de 30%, um sem-número de Pixotes, e violência desabrida nas ruas, mantém uma democracia e economia razoavelmente estaveis. A mídia são “robustas e com boa saúde.”

Boa de saúde? Que eu consigo saber, algumas das sete famiglias estavam famintas por capital vindo de fora apenas um, dois anos depois.

Uma das coisas que desagrada nosso intrépido reporter, porém, e a diploma, e um fato — válido, aliás — sobre a formação de jornalistas:

Inflelizmente, a maioria de professores de jornalismo jamais trabalhava na profissão, e técnicas modernas como reportagens sobre grandes empresas e matérias de «interesse humano« são escasos.

São críticas construtivas, mas é difícil deixar de observar que a vasta maioria daquela turba de Harvard atrás desses programas visando o desenvolvimento de uma mídia global tampouco trabalhavam na profissão. A maioria das vezes, trabalhavam, os que tem experiência prática, nas relações públicas.

A socio-bibliografia da antologia não dá testemunha de outra situação.

Não tenho muito tenho para expandir essa nota hoje, mas o que salta aos olhos é a quase-identidade da professora Ellen Hume com o crescimento institucional dessa pauta política e o sequestro dessa pauta pelos neoconservadores.

Os dados vem de uma simples «aranhação» de laços levando ao sítio pessoal da professora ou levando deste sítio a outros afiliados, associados ou afins.

Processando ….

Ellen Hume é uma acadêmica norteamerica com laços muito estreitos com as Fundações Annenberg, Nieman, Knight, e outras, além de um circulo íntimo de pessoas engajadas no mesmo trabalho. O menino dos olhos dela parece ser o J-Lab, ativo em todos os canais comerciais chamados de «sociais», como se um canal de comunicação não pressupesse uma dimensão social.

Os compromissos da estudiosa-militante resumem-se mais ou menos como apresentada acima, após um análise de centralidade (x <=1). Ela se envolve em projetos chaves das fundações Knight, Nieman, e Annenberg, enquanto estas apoiam a Escola Kennedy de Assuntos Exteriores — chamada uma vez de a Escola das Américas para assassinatos econômicos — economic hitmen.

Outro conjunto de compromissos são com o fundo Pew e a Comité pela Proteção de Jornalistas — entidade que conseguiu nos últimos anos deixar o trabalho ser politizado até perder sua credibilidade.

Abrindo a flor, então.

Ela mantém laços de algum tipo com o Newseum — grande inspiração ao Muséu de Corrupção da prefeitura de São Paulo — e o Freedom Forum, sobre o qual a SourceWatch relata que,

segundo a pesquisadora Holly Sklar (1989) é um organização de cunho conservador de pesquisa, divulgação, networking, e um foco seletivo e oportunístico sobre direitos humanos.” O trabalho da Freedom House tem vínculos estreitos com os projectos de «promoção de democracia«  do  National Endowment for Democracy. Também toma pare na coordenação do UN Democracy Caucus.

Não quero omitir a importância daquele enorme labirínto de sítios e redes de formação profissional que tem sido montado — às vezes parece que há pelo menos uma página para cada jornalista na profissão.

Fica representado aqui pelo Journalism Gossip — fofoca — e o Journalism News. O Media Bistro ocupa um espaço parecido, e serve predominamente para orientar jovens profissionais ao caminho contrário de uma afiliação sindical.

Passando ao próximo círculo desse paraíso ou inferno dantesco estrutural, vemos que o News Lab chefiado por ele trabalha de mãos dadas com a fundação Knight, os projetos de Nieman na Harvard — Global Voices Online, por exemplo — e o Poynter. Este, cujo nome suger um trocadilho com a palavra signficando «dica, conselho», orbita a Universidade de Nova York, NYU.

Pode-se estudar a estrutura de citações mútuas de vários componentes desssa rede, acima. PJNet é um «think tank» sobre jornalismo-cidadão, mas o primeiro afiliado que menciona e o Buzz Machine de Jeff Jarvis — a Summa Theologicae do gironogandalismo.

Os URLs técnicos no canto superior, à esquerda, não entendo exatamente, mas parece um indício de uma infraestruturra compartilhada. Para os Mazzarropis entre os leitores, CJR é o Columbia Journalism Review, orgão mais conceituado da profissão nos EUA>

Pegamos um bom raio-X da fundação Pew, que, segundo minhas fontes, é um complex de sete fideícomissos, cada um mais rico que o último, com a fama de entrar em movimentos cidadãos e impor pauta própria.

O software de análise e diagramação — yEd, programada em Java e disponibilizada de graça pelo fabricante — também dá uma visão léxico, digamos, da estrutura, acima.

De novo, algumas ligações técnicas entre redes distinas, como a do Journalism.org e a da faculdade Harvard. Muito do capital humano que você encontrará durante sua viagem por esses labiríntos tem passagem própria pela Escola Kennedy, onde o Professor Kissinger ainda defende sua interpretação de Realpolitik.

 Considerações Finais

Todo o qual vem antes de lermos a antologia de 2004 declarando o jihad ou cruzada de espalhar os padrões do jornalismo norteamericano mundo afora por fios fibra-óticas que ainda não tem ningúem no outro lado, aguardando a mensagem.

Recomendo a leitura para quem leia o inglês. Detalha a seleção, reclutamento e fins estratégicos de programs de intercâmbio, por exemplo — tipo a bolsa que Diego Escosteguy recebeu para frequentar a Columbia.

Será que teremos que engolir seco um sermão pomposo sobre a ética pública pelo própŕio punho do mais moleque da Turma de Diogos, lá na CJR?

Muitas das políticas e práticas depois defendidas pelos neoconservadores pela promoção de mídia na África — diga qualquer coisa, uma vez que seja sobre minha rede celular — são formuladas aqui, assim como o planejamento que levou ao debacle na guerra santa contra al-Jazeera, onde foi como se as forças do Conselheiro tomaram Rio de Janeiro.

Tem listas das escolas de jornalismo deixadas atrás da partida da OTAN do antigo Iugoslávia em vez de pouços de água e uma força públic hegemônica e comprometido com direitos humanos. Sâo gestos-fantasmas de uma nova geração de diplomata que fica blogando o dia inteiro. É uma tristeza. Depois lhes conto a história de Edward Murrow e Walter Lippmann e o USIA — United States Information Agency.

Fez tamanha bagunça que botaram uma D, de desinformação, e mandaram todo mundo fiscalizar vacas leiteiras como a USDA.

Difícil imaginar maior auto-enganação e má-fé do que o parágrafo seguinte, de um memorando da fundação Heritage, sobre a credibilidade dos EUA no mundo agora. Traduzo.

No Iraq, o governo provisional da coalizão utilizava o antigo Ministério de Informações do Saddão para divulgar informação da CPA. Mantinha um jornal, as-Sabbah, a TV al-Iraqqiyah, e uma rede de rádios. Emissões independentes misturadadas com pronunciamentos da CPA criava confusão, naturalmente, criando uma bagunça que enlamou tanto os jornalistas locais quanto a CPA mesma.

Sabiamente, a CPA permitia veículos de mídia de se organizar sozinho, e até a data da transferência de poder ao governo iraquiano, entre 100 e 200 jornais independentes tinham vingando.

Entre 100 e 200? Deveria ser possível fazer uma estiimativa com márgem de erro melhor do que +/-100%.

Omitem aqui o fato de muitos desses veículos serem laranjas da CPA.

Mais recentemente a Defesa gastou $300 milhões em 5 anos com firmas privadas nos subúrbios do capital federal, contratadas para escrever matérias, produzir anúncios e desenvolver propaganda interactiva para melhorar a imagem dos EUA. O esforços estás sendo coordenado pelo Elemento Conjunto de Apoio às Operações Psicologicas. Psyops, como são conhecidos, são comunicações alvejando forasteiros e lhes persuadindo a cooperar com as forças norteamericanas. Estes, porém,. não deveria ser confusos com diplomacia pública.

Concordo com aquele último, mas infelizmente o contrrário — evitando confundir diplomacia com propaganda e mercadologia —  tampouco tem sido a norma.

O fato me irrita. O enterro da U.S. Information Agency em 1999 foi uma boa idéia. Resuscitando-a com as mesmas táticas de sempre é uma péssima opção.

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