A Semana em Paloccibol

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Se aprendi algo passando a semana com os olhos grudados a

foi que pode ser um trabalho danado tentar captar todos as matérias sobre o assunto para depois ter um context para a análise.

Simplesmente desisti da Folha de S. Paulo, por exemplo, além do anotar que apareceram 72 matérias em 9 dias sobre o case. A safra de hoje: 8 ítems sob a cabeçada «Poder».

Hoje, a agenda da presidente da República, que não tem nada a ver como o «Crise Palocci», recebe a manchete «Agenda Anticrise».

AGENDA ANTICRISE

Segunda-feira
Viaja ao Uruguai

Terça-feira
Tem reunião sobre a Copa com governadores

Quarta-feira
Almoça com senadores do PMDB e apresenta o Brasil sem Miséria para aliados

Quinta-feira
Lança com alarde o Brasil sem Miséria, vitrine do governo

Sexta-feira
Lança plataforma P-56 no Rio

Eu não vou escrever durante a semana que vém sobre as eleições lá em casa, nem sobre os cachorros aqui em casa.

Tenho uma agenda antipolítica e anticão.

Ainda para fazer são os semanários, que sempre aparecem desfasados no Clipping do MiniPlanej. Minha manchete preferida da semana foi do Valor:

A crise Palocci ainda não chegou nos preços

Ou seja, o etanol não subiu ainda por causa do crise político — e portanto ninguém está muito ligado à compulsão à repetição da F$P.

O fato parece ser que o crise, do ponto de vista literário, acabou — mas não sem umas palavras afiadas de Mino Carta.

Ainda assim, dá para vislumbrar a silhueta do samba de enredo suplente, que gira entorno

  1. da CPI da oposição, fracassada e perdendo aderentes, mas «ainda com esperanças»
  2. os conselhos sábios e intervenções do Lula, utilizados a questionar a independência da Dilma

O império de safadezas de Project, consultoria do ex-ministro, não colou.

Mas que «Dilma é mera títere do sapo barbudo» ainda tem chances de grudar, pode ser.

Mas esta isso foi ilação que nem o Wall Street Journal atreve-se a fazer:

A reportagem, do correspondente Paulo Prada, entrevistou um analista do Eurasia Group em Washington, segundo o qual a intervenção de Lula no governo provavelmente não trará problemas para Dilma.

A verdade é que tenho perdido interesse no projeto — o que provávelmente significa que a maioria dos outro leitores também.

Eu não sou tão atípico assim.

Minha grande teoria sobre uma supostamente coordenada tentativa de desgaste contra o ministro acoplado com um noticiário macroeconômico pessimista não se comprova — embora juro que li numa coluna política qualquer a confissão de tucanos anônimos que essa era, de fato, a estratégia. Medo, incerteza e dúvidas, inter alia: a MÍDIA.

Sabe? A cobertura do Estadão, até agora, faz sentido e não exagera demais nem entra em voôs de imaginação de especulação. É ben moralista nas conclusões tiradas, mas o fato é que eu concordo com estas:

A crise envolvendo o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, que após deixar o governo Luiz Inácio Lula da Silva, e já eleito deputado em 2006, criou a empresa Projeto para prestar serviços de consultoria a empresas, chama a atenção para o vácuo legal sobre as situações de conflitos de interesses públicos e privados.

Chama. Lá em casa, é permitido um congressista fazer lobby com antigos colegas, após um periódo de quarentena, por exemplo. Entre o lícito e o idealmente desejável sempre haverá espaço para um bom sermão.

Além disso, o ESP previa que a oposição teria uma semana para estabelecer a máquina institucional para criar um crise permanente, na forma de um CPMI. Parece ter tido razão. A CPI está morrendo de inanição após o interrogatório da Palocci pela presidente e os senadores aliados, na sexta.

Quando desse projeto de rastreamento de cobertura — é a primeira vez que eu tento algo assim — seria útil, embora mais trabalhoso, captar a data e o tempo até a hora e o minuto, para ver a evolução da cobertura e eventuais respostas de um veículo a notícias divulgada por outro.

Em fim, não me incomoda declarar isso mais um «crise de roteiro» feito, marcado, talvez, pelo grau de bate-boca entre o PSDB-DEM-PFL e a Receita e a denúncia, estarrecedora mas não sem verisimilitude, de que a prefeitura e governo de São Paulo forneceram os dados controvertidos.

Além disso, vazou uma notinha de dúvida sobre a atuação do Instituto Teotônio Vilela como nexo de blogagens sujas e dinheiro mole. Isso raramente acontece. O Brasil vive pelo mito de que cada e qualquer ONG deve ser a obra de santos.

Índio Tupy precisa de alguma frase de efeito como nosso soft money — «dinheiro mole» — para poder conversar com mais naturalidade sobre essa estratégia, onde ninguém pede voto para ninguém mas passa o tempo inteiro caluniando o opositor daquele ninguém, o menosprezando suas obras faraônicas.

Tecnicamente, não é uma expressão política sujieto ao código da Receita. Mas dada a resposta da Receita nesse caso, vamos ver uma devassa nas contas do ITV? Não divulga as finanças desde 2005, e aquele arquivo não está disponível no sítio do instituto.

Estou me lembrando de uma certa comoção quando da digitalização do acervo do iFHC com serviços doados pela IBM e Cisco.