Pensamentinho Diplomático | Um Começo e um Desfecho

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Alistando (convocando, no sentido militar) a indústria de propaganda, um estudo da RAND Corporation para o Pentágono.

Em 1999, a Ester Dyson, uma das fundadoras do ICANN e hoje a doyenne quanto da EDVenture Holdings  — fundo de risco na área de educação — como do National Endowment for Democracy foi convidado a se juntar ao conselho administrativo do grupo de propaganda WPP, onde continua até hoje, segundo minhas informações.

Em 2010, o WPP, após uma enxurrada de fusões e aquisições que o faz o segundo maior grupo de propaganda do mundo, comprou a «agênca de Obama», a Blue State Digital, responsável pela campanha fracassada de Tony Brown à reeleição e mais conhecido aqui nos trópicos como a força atrás dos Movements.org.

E por final, como a empresa mesma destaca, o fundador, Martin Sorrell — a história do qual começa no ano do lançamento do primeiro Mac, em 1984 — foi um dos poucos convidados a um jantar de estado com o presidente norteamericano recentmente.

Hoje em dia, então, políticos contam com máquinas enormes de propaganda próprias, pelo qual recebem o apoio de anunciantes estratégicos como o zaibatsu Wintel-Apple e assim por diante.

Entre os dois fatos isolado eu gostaria poder dizer que temos toda a história da militarização de marketing que deu após o fim da United States Information Agency em 1999 e a nomeação de um executivo de MTV como subsecretária de diplomacia pública sob Obama — a Judith McHale, que discretamente pediu demissão recentemente para voltar ao seu fundo de capital de risco.

Pode ser os dois pontos do narrativo de como uma diplomacia já criticada duramente como uma forma de «Coca-Colonização» voltou a fazer os mesmos maus cálculos, essa vez em escala maior.

Não consigo segurar com firmeza ainda o fio dessa história, mas que levou à diplomacia dos EUA a acabar nas mãos da turba de marketing sob dois presidentes, Bush e Obama, disso não tenho dúvida alguma. Nem que essa turba fez um estrago monumental.

Criou-se um ambiente no qual jornalistas atravessam a muralha chinesa à assessoria de imprensa dos poderosos sem o mínimo constrangimento, tal como Dana Perino — jornalista do Fox, portavoz de Bush Filho II, e agora diretor da agência que coordena a propaganda eletrônica dos EUA no estrangeiro — entre meio bilhão e um bilhão por ano

Assim, o Departamento de Defesa conduziu quase 1,200 mesas redondas com blogueiros-chaves para coordenar a guerra mundial de idéais nos últimos anos enquanto o Osama aproveitava mais uma década de vida na boa.

Não posso deixar de pensar que 1,200 fuzileiros treinados a mais, bem situadosk, teriam entregado a mensagem com mais firmeza.

Porque o poeta árabe diz, e disse bem: «A espada é mais honesto nas novidades que traz que a pagina escrita  / pois a gume da espada é a linha clara [trocadilho no sentido de jadd = margem da página de um texto escrito, gume da espada] entre a seriedade e o disparate.»

Blogueiradas nebulosas e SEO-SEM — marketing social — como armas de guerra são disparates.

O desfecho desse enredo dependerá da escolha que Obama e Hillary fazem do novo subsecretário de BUYUSA.GOV.

Será interessante ver. Acompanhem ambos as linhas de tempo — da WPP e da diplomacia — enquanto se entrecruzam.. Aposto em um nome com passagem pelo Y&R ou Grey ou Burson Marsteller para substituir a McHale. Se eu estiver enganado, te compro uma loira. Fechado?