Quentíssima Manchete: OPA da Abril Educação!

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Crede mihi Attice  militat omnis amans

Recebi isso de uma fonte reservada, mas esta pegou do Valor, que o pegou do prospecto  lá na CVM, e portanto não é um furo tão grande assim.

Abril Educacao, Los Grobo e outras empresas planejam OPAs no Brasil apesar da fraqueza do desempenho da bolsa do país. Há onze empresas na fila, cadastradas com a CVM para vender ações em OPAs na BM&FBovespa, segundo o Valor, citando documentos da reguladora e fontes anônomias dentro das empresas.

A expectativa é que a Abril Educação, editora didática controlada pelo clã Civita, começará sua OPA na tarde de segunda-feira que vem, segundo Valor, sem citar fonte. Los Grobo, empresa de agronegócios da Argentina, deveria ser a próxima na fila. .

Tem mais coragem do que a Livraria do Globo, que cancelou uma OPA em fevereiro, se não me engane.

Suponho que se eu fosse investidor, eu gostaria saber se a editora ainda consiga proteger sua reserva de mercado e traduzí-la à sala de aula, na cara de políticas públicas com um viés fortemente antitruste.

Segundo o relatório financeiro que apareceu no site da editora — não auditado! — que consiste principalmente nas editoras Attica e Scipione … pois bem, é meio difícil accesar o arquivo, usa-se aquele “papel virtual” da Adobe, programado com um arquivo SWF na Flash. Poxa! Acabo imprimindo o documento em vez de tentar baixá-lo.

O balanço vem de 2009. Nem os resultados do ano passado temos. Isso não é o comportamento de uma empresa planejando uma OPA bem sucedida.

O cenário parece meio anublado. Falta dizer também que a empresa mudei de contabilidade, sendo agora um bem de uma tal de uma Ativic S.A.

Não conte comigo como perito no ramo de contabilidade, mas segundo isso o consolidado teve um pouco menos dinheiro vivo em 2009 do que em 2008, enquanto os bens da nava-mãe são quase cinco vezes mais. Para oonde? vveio? O Dinheiro? Das divisões con contribuíam ao sangramento aparente?

Pagou R$ 10 milhões em direitos autorais de R$ 125 mi de gastos totais.

Lucro liquid caiu bastante entre 2008 e 2009. Talvez seja por isso  que recibo tantos spams da empresa.

O grupo tem capital social de R$ 160 mi. Tem empréstimo de R$30 mi que deve ser pago ainda nesse ano, o que constitui 70% da sua dívida. Também tem linhas de crédito baratíssimas com o BNDES.

O Douglas Duran era diretor de relações internacionais da editora em 2005. Da biografia dele, estou achando pouco, só que agorar é CFO da nave-mãe. Abril na época apostava numa onda de letras brasileiras traduzidas e exportadas. Resultado: Quem conhece Jorge Amado aiinda acha-o um argentino.

Não menciona risco político algum entre os fatores contemplados por seu plano de gestão de risco — apesar de bancar o mártir no seu jornalismo. Acho isso meio estranho. Como disse, a reserva de mercado que já era a floresta amazônica das grandes editoras vem se abrindo à concorrência de editoras PMEs e a outorga ao professor o direito de escolher os materiais a ser utilizado na sala de aula. Nem menciona competição como um risco contemplado pelo plano. Uai.

Mas deixo o caso com vocês, cabeças mais sábios.