«Confusão em licitação publicitária»

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Do Radar Econômico.do Estadão, denúncias de cafajestimos na licitação de uma conta de publicidade valendo quase meio bilhão por ano:

Representantes de agências de publicidade procuraram jornalistas no fim de semana para dizer que houve vazamento do resultado da licitação da conta de publicidade do Banco do Brasil, uma bolada de R$ 420 milhões por ano, informa o repórter David Friedlander.

O efeito-rede, tão desejável em campanhas virais, sai nesse caso pela culatra com uma onda do boatologia:

Segundo os informantes, as propostas com as campanhas escolhidas, que deveriam ser divulgadas somente às 10 horas de amanhã pelo BB, já eram de conhecimento de várias pessoas. Ontem, circulou que a história estava escrita num e-mail apócrifo, endereçado às agências que participam da licitação.

Houve um boato que a história não passava de um boato. Boato!

Vamos tentar saber de quais agências são as campanhas seguintes, depois da divulgação amanhã, se tomar lugar.

Os conceitos das campanhas escolhidas seriam, pela ordem, “O melhor do Brasil para os brasileiros. Todo seu”, “É diferente. É todo seu” e “BB. Mais seu. Mais Brasil”. Pelas regras da licitação, a comissão de julgamento deveria julgar os conceitos sem saber quais as agências responsáveis por eles.

Aconteceu no passado também:

Numa situação igualzinha, a Petrobrás foi forçada a cancelar uma licitação para escolha de suas agências de publicidade no ano passado. Procurado no começo da tarde, o BB informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a divulgação do resultado está mantida para amanhã.

Não me lembro daquela história. Foi na verdade igualzinha?  Parece que foi.

A Petrobras informou nesta quinta-feira (4 de fevereiro de 2010), em comunicado, que cancelou a licitação para escolha das agências de publicidade cujo resultado vazou no fim do mês passado, antes da data acordada para divulgação.

A empresa afirmou, porém, que a divulgação antecipada dos resultados não comprometeu a análise das propostas técnicas, que havia sido concluída três dias antes.

Segundo a empresa, o processo de escolha de agência por meio de propostas fechadas (sem a identificação da empresa proponente) foi desenvolvido pela Petrobras em 2007.

A companhia afirma que a iniciativa é “referência para licitações públicas de publicidade”. As propostas técnicas são identificadas por número, que é de conhecimento apenas de cada agência proponente.

Ainda de acordo com o comunicado da companhia, um novo edital será lançado em breve e trará aprimoramentos no processo licitatório.

Renovo minha crítica segundo a qual cortando as verbas de publicidade oficial pela metade cortaria a corrupção oficial quase por inteiro. Cada escândalo tem seu publicitário, ou dentro nos holofotes ou trabalhando nos bastidores de emplacar “a campanha difamatória” — tudo do mais alto profissionalismo — sob a assinatura de algúm jornalista ou jornalão conceituado.

Deixa a propaganda ao setor privado. Quando governos entram nessa, só há confusão mesma.

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