O Ferro-Porco no Brasil Econômico

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Sem dar o mínimo destaque ao assunto no seu sítio, o Brasil Econômico deu destaque na versão imprensa de ontem a um relatório devastador da ONG Observatório Social sobre a pirataria no mercado de carvão no Brasil, o que abastece os alto-fornos das grandes siderúrgicas de orgulho nacional.

Merecia uma nota no Observatório da Imprensa.

O notável foi que o pacote editorial do jornal cor-de-rosa seguia tão perto nas pegadas do relatório da ONG, até apresentando a mesma estrutura. Foi um exemplo do jornalismo do Ctl-C, Ctl-V, ermbora em boa causa.

A afirmação de que a indústria siderúrgica brasileira não tenha condições de sustentar seu negócio de ferro-guso — a gente fala de «ferro porco» ou pig iron — sem desmatamento, carvoarias piratas, e trabalho-escravo, não podia ter sido mais impactante .

Entretanto, na televisão, um vendaval de anúncios tentando atraer as melhores mentes jovens do Brasil à profissão de publicidade. Ainda não acredito cada vez que eu vejo um episódio de Grandes Nomes da Propaganda e sorvo a mensagen de que a propaganda e a televisão nós vão ensinar com ser consumidores conscientes e cidadãos bem-informados.

Mehor um blitz de marketing para contabilistas, estatísticos e engenheiros.

O coração do argumento do Observatório, por exemplo, foi um cruzamento de dados sobre a capacidade teórica e a capacidade real dos fornos “legais” utilizados pelas grandes siderúrgicas.

O método de contrabandear carvão pirata e a insistência da indústria que não está com ela a fiscalização da fonte — bem diferente da chamada para autorregulamentação que ouvimos de outras indústrias — são comprovados com calma e precisão.

O governo não é poupado por causa dos seus financiamentos feitos sem fiscalização adequada de condições ambientais e trabalhistas. Parece que longe da Avenida Paulista e Itaim Bibi existe um Brasil verdadeiro que publicidade alguma é capaz de mudar ou maquiar.

Em qualquer caso, parabens ao Brasil Econômico, ao qual estou começando a sentir cada vez mais simpatia. Em observação, portanto, a manchete da página 6:

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