IMIL e IPES: Cria da Mesma Tia?

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Carmem pela lente de Jean Manzon

Um colega blogueiro escreve perguntando se eu gostaria colaborar num trabalho sobre o IMIL e o bom  e velho IPES, vespeiro do golpe do Dia de Mentiras de 1964.

Eu gostaria fazer. Seria interessante observar como os mesmos métodos descritos pelo historia Moniz Bandeira se traduzem para nossos tempos de multimídia de SEM-SEO — a otimização de marketing para e por meio de motores de pesquisa.

Essencialmente, uma organização-rede com o Instituto Milennium e uma fábrica ou criadouro pela clonagem de cabeças-falantes cuja presença, fora de qualquer proporção com o sentimento e opinião de especialistas em determinado assunto,,  na grande mídia dá-se no nome de ser «equilibrado e justo» — mote da rede Fox lá em casa.

Mas infelizmente me faltam o tempo, a energia e a saude para fazer a leitura necessária — bibliotecas sendo escassas e livrarías sendo caras demais nessa porra de uma cidade…

Tudo que conheço sobre o IPES até agora vem de Elio Gaspari, cujo alfarrabia de quatro tomos eu  comprei  quando o dólar valia três reais.

Ainda assim, quero servir de testemunha ao fato inegável de que a mídia brasileira atua como um bloco unido de interesses compartilhados  e segue à risca os procedimentos de comunicações sociais utilizados em tantos outros casos.

O embate nos últimos anos na Tailândia, por exemplo — a loucura entre as camistas vermelhas e amarelas–  se deu entre dois presidenciáveis varões de mídia e for coordenada com e espalhada as redações. O que deu faira da rinha Wainer-Lacerda uma sessão de damas na praça pública ao meio-dia.

Considere o seguinte:

O artigo é de Leonardo Cavalcanti do Correio Brasiliense — jornal subsidiado pelo governo distrial de Arruda, eu devo dizer, para comprovar o tese do colunista. .

Falar mal da mídia é quase um cacoete do petista, uma espécie de hábito adquirido ao longo dos anos de militância sindical e depois política. E esse cacoete sempre volta aos discursos de Lula por ser de fácil compreensão, quase mecânico, sem muita elaboração teórica. Mas, apesar de tudo, eficiente.

E porque será que temsido eficaz?

Associar a mídia à entidade manipuladora por natureza, sem princípios ou critérios, é reduzi-la ao nada.

Quando a mídia se mostra tão amiúde manipuladora, é difícil não concluir que é assim por natureza. Obviamente não é manipuladora pela natureza, mas é manipuladora o suficiente que tem quer ser fervido antes de engolir.

E isso pode ser um erro amador ou uma astúcia profissional, a depender do autor de tal associação. Desconfio que um ex-presidente da República seja incapaz de se enganar assim tão fácil.

Pode ser assim, mas ainda que restrita aos exemplos mais descarados do abuso do monopólio da imprensa por fins particulares, a primeira lição a aprender é que no Brasil realmente existe umA Mídia, poderosamente concentrada e coordenada e flutuando num mar de «dinheiro mole», o seja, «soft money» — contribuições políticas lavadas por vários esquemas e brechas na legislação.

Nosso editorialista, como tantos outros, não admite que a má-fama da mídia seja merecida.

Eu li outro dia uma matéria no Globo sobre o suposto plano de fazer mudanças no conselho da Petrobras. Citando pelo menos dez fontes, o artigo não deu nome a nenhum.

Além do mais, para sustentar o tese de que tem um loteamento político da empresa, cita apenas um caso cada de pessoas com “ligações” petistas ou pemedistas.

Para falar numa enxurrada de alguma coisa — “Petrobras vira vespeiro de petistas!” —  tem que apontar mais que dois exemplos.

Quando eu encontro um abuso do anonimato desse jeito, eu paro de ler e viro a página. .

Mas voltando agora ao use de «dinheiro mole» , qualquer vantagem ou bem valioso é contabilizado como uma doação. O assim se faz entre meu tribo, se bem com algumas brechas vergonhosas. .

Assim, uma entrevista  na Rede Globo onde apenas especialistas da oposição, sem direto à resposta, constituiria uma doação de algo com algum valor comercial. Quanto custa comprar um minuto de propaganda na rede Globo?

É difícil pensar em um tempo, após o Chateaubrirand, quando não era assim. Ainda não li a história da imprensa brasileira nos anos 90 que tenho aqui em algum lugar.

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Mas ô, para encurtar o relato, acho que eu podia ajudar meu correspondente desenvolver uma perspectiva histórica sobre o uso manipulativo da mídia de massa.

Quando do IPES,

O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), fundado em 29 de novembro de 1961 por Augusto Trajano de Azevedo Antunes (ligado à Caemi) e Antônio Gallotti (ligado à Light), serviu como um dos principais catalisadores do pensamento anti Goulart.

O IPES, durante seu principal período de ação, era localizado no edifício avenida Central no Rio de Janeiro, vigésimo sétimo andar, possuindo treze salas. Sua estrutura, tal qual à de sua entidade-irmã, o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), equivale ao que hoje se conhece como organização não-governamental (ONG).

Jamais vi uma ONG com página de relações com investidores. Sendo leitor assíduo de divulgações corporativas, eu acho essa divulgação do Fundo Patrimonial, devidamente auditada pelo escritório de Moore Stephens, irrisória.

A função primordial do IPES, era integrar os diversos movimentos sociais de direita para criar as bases de uma oposição que pudesse deter “o avanço do comunismo sovietico no ocidente.”

Hoje em dia, a prefeitura de S. Paulo faz o contrário com a formação do PDS, que pregoniza centrismo e moderação mas parece ser responsável pelo pasquim que o Diário de Comércio, a Ultima Hora de Gilberto Kassab.

Mas vamos pensar. Qual seria um bom  plano de estudos sobre a questão proposta seria

  • Uma leitura completa de bons artigos académicos sobre o IPES
  • Análise de uma amostra do discurso do IPES, inclusive fazendo uso de análise de texto informatizado e comparativo
  • Um prefácio sobre o desenvolvimento da “guerra psicológica” pelas FFAA dos EUA.

Podia-se usar, por exemplo, a ferramenta extratora de palavras-chaves Alchemy, comparando uma amostra do discurso de então com o discurso de hoje. Insistem nos mesmos valores? Fazem uso dos mesmos chavões?

Se gostaria de um ponto de partida, eu sugerira esse relatório do Exército EUAense sobre a contratação de firmas de marketing para operações psicológicas militares.

A parte mais difícil, e mais importante, e o rastreamento do dinheiro, que, sendo mole que nem um jesuita com piriri, fica bem escorregadio.