Zé Dirceu é lobista e outra obviedades

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Paramos no Pão de Açucar na Praça Panamericana para comprar o jantar.

A loja acaba de instalar um telão por cada dois pontos de venda — e em cada um arde o retrato de José Dirceu, de óculos escuros e fotografado por um aparelho de segurança, vazado, parece, pelo prédio onde o eminência pardo do PT mantém um escritório na Brasília.

As telas promovem as revistas da Editora Abril que ocupam a “zona de impulso” onde o consumidor, um seguindo o outro com num abatedouro,  é convidado a comprar algo a mais da categoria “comida-lixo” — uma bala, chiclete, salgadinhos, brinquedinhos, revistas.

A capa da Veja se repete cada 15 segundos, como se numa tentativa de hipnotizar o consumidor. Pena eu não ter máquina fotogfáfica comigo. 

Seria interessante medir a concentração de títulos da Abril entre publicações oferecidas nos supermercados e padarias que frequentamaos. Já vi exemplos de bancas cuja oferta era 100% Abril, cuja empresa-irmã controla 100% da distribuição no grande São Paulo.

Quando da matéria mesma, não vale a pena desvendar as tolhices que seguem, além do exemplo seguinte.

O samba-enredo da matéria seria de que Dirceu, apesar de aparentar um consultor próspero e pacato paulista, mantenha …

Na clandestinidade, porém, […]  um concorrido “gabinete” a 3 quilômetros do Palácio do Planalto, instalado numa suíte de hotel.

Tem carro à disposição, motorista, secretário e, mais impressionante, mantém uma agenda sempre recheada de audiências com próceres da República – ministros, senadores e deputados, o presidente da maior estatal do país.

Agora, o absurdo desse roteiro de rádionovela:

José Dirceu não vai às autoridades. As autoridades é que vão a José Dirceu, numa demonstração de que o chefão – a quem continuam a chamar de “ministro” – ainda é poderoso.

Mas peraí, se as autoridades fossem ao Dirceu, ele nem precisaria de um escritório no Vaticano político de Brasília, prima facie, né?

Pergunta: Quantos dos maiores escritórios de advogacia e consultoria mantém espaço no capital federal? A resposta deve mostrar a banalidade do fato.

Eis mais um exemplo do mitomania e sua capacidade de fazer acreditar em fantasmas. Na vida assim como no cinema,  O Grande Chefão III é o pior da trilogia.

Menos banal é a denúncia de Zé Dirceu sobre métodos murdochescos alegadamente utilizados para ganhar acesso ao suite do Capeta da Veja:

Ontem, em nota no blog, denunciei a tentativa de um repórter da Veja de invadir meu quarto no hotel (leia mais). O jornalista Gustavo Ribeiro se hospedou em apartamento próximo ao meu, aproximou-se de uma camareira e, alegando estar hospedado na minha suíte, simulou que havia perdido as chaves e pediu que a funcionária abrisse a porta. Ela se recusou e comunicou o fato à direção do hotel, que registrou a tentativa de violação de domicílio em boletim de ocorrência no 5º Distrito Policial.

Os paralelos com o caso do News of the World são gritantes. Fiquemos de olho no Observatório para ver como se trata este comportamento.

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