Egito | A Irmandade em Poder

Padrão

  • Do Al-Ahram Weekly — em inglês nos fins da semana — mais detalhes do escândalo diplomático das ONGs estrangeiros alvejados pela justiça egípcia;
  • Do Democratic Digest, resposta a uma entrevista “inédia” com uma liderança chave da Irmandade Musulmana, controladora do legislativo naquele pais.

Segundo um análise do comportamento desse grupo fundamental — o imenso moral que tem nos olhos das camadas populares é frequentemente esquecido — a batalha será uma luta de liberal-modernismo e islamista-tradicionalista:

a Irmandade e outros islamistas enxergam fundos provindos dos EUA e Europa como fortalecendo os liberais, e não permitirão esse tipo de ajuda sem seu conhecimento e consentimento.

DemDigest tem a mesma perspectiva estereotipada —

Militantes liberais e seculares acreditam que a repressão seja prova de uma aliança tácita entre a Irmandade e o Exército, citando a repressão seletiva de grupos pró-democracia financiadas com dinheiro vindo do exterior enquanto permite-se o financiamento ilegal de grupos clandestinos de Salafistas e outros grupos islamistas — entre eles,a mesma Irmandade.

Al-Ahram | “Estado de Sìtio”

Ashraf El-Ashmawi e Sameh Abu Zeid, os dois magistrados encarregados a investigar um caso de alto perfil de ONGs denunciados por supostamente ter recebidas financiamento ilícito, dizem que os réus foram referidos ao tribunal criminoso sob o código criminoso do pais e não sob a controvertida lei das ONGs. Informam que os réus podem receber cinco anos de cadeia se foram

“Essas organizações conduziam atividades ilicitas e sem habilitação pelo governo”, disse El-Ashmawi.

A embaixatriz dos EUA, Anne Patterson, encorajou o governo a levantar a decisão proibindo os reús de sair do pais. Nos EUA, a mídia também relatou que o Secretário de Defesa, Leon Panetta, ligou o chefe da SCAF, o Conselho Supremo das Forças Armadas, pleiteando o fim da interdiçao.

“Isso é ilegal. Patterson violou as leis que estipulam que embaixadores de paises estrangeiros não podem se dirigirem aos tribunais,” segundo Abu Zeid. O magistrado acrescentou que o assunto já foi endereçado ao Ministério de Relações Exteriores.

Uns 43 empregados de várias ONGs foram indiciados pela comissão especial investigando o chamado “financiamento ilegal”. As pessoas indiciadas são empregada por organizações norteamericanas e europeias acusadas de operar em Egito sem licença. O indiciamento também identifica cinco ONGs acusadas de receber milhões em nome de empregados, escondendo a fonte do dinheiro.

“Documentos confiscados durante as batidas nos escritórios das ONGs provam atos de financiamento ilegal,” El-Ashmawi diz. Os documentos também mostraram que estrangeiros empregados pelas ONGs deliberadamente escolheu vistos de turismo e não de trabalho, e que não pagaram impostos.

A lista contem 19 norteamericanos, entre elses Sam LaHood, diretor da International Republican Institute (IRI) no pais e filho do Secretário de Transportes EUAense, Ray LaHood. São acompanhados por dois serbs, dois Alemãos, dois libaneses, um cidadão de Jordânia, um palestino and 14 egṕcios, todos a partir de agora impedidos de viajar ou colocaods em listas de vigilância. Dos americanos, alguns já buscaram refúgio na embaixada para evitar sendo detidos. Otros dos estrangeiros envolvidos já sairam do pais.

O IRI e oNational Democratic Institute (NDI) são dois das organizações acusadas de importar $40 milhões num período de seis meses para “apoiar a transição democrática em Egito.” A Konrad Adenauer Stiftung, de Alemanha, também foi acusado de distribuir um milhão de euros a NGOs sem habilitação em toda parte do pais..

Um executivo principal do, comentado sob condição de anonimato, disse que o governo permitia tanto o NDI quanto o IRI a operarem no pais durante o referndo constitutional em março [do ano passado].

Les Campbell, diretor regional, Oriente Média e Africa do Norte, NDI, aponta que “nos fomos convidados e atestado pelo governo como observadores dos eleições do parlamento e a Conselho Shura,” esse último tomando lugar há duas semanas.

NDI, dize, repriva “a multitude de acusações na mídia chapa-branca governmentista segundo a qual o NDI estava trabalhando com as manifestantes da Praça Tahrir.”

Otro grupo censorado, o Centro Internactional para Jornalistas —International Centre for Journalists (ICFJ) — trabalhava intimamente com mídia estatal e independente and com o Sindicato da Imprensa faz uma década. Cinco dos seus empregados, três americanos e dois egípcios, são acusados de receber fundos ilícitos dos EUA.

“Os tres americanos identificados nessed caso jamais trabalhavam em tempo integral no Egito, embora tem sido dito que eles fugiram do pais,” segundo ICFJ President Joyce Barnathan.

Barnathan acrescentou que a vice president de programss do ICFJ, Patrick Butler, antiga diretor de programas Natasha Tynes e a contratada Michelle Betz fiscalizavam os programas em Egito como parte de tocar uma pasta mais ampla de trabalho coordenada desde Washington.

“Temos procurado a permissão necésaria para trabalhar em Egito. Temos sido transparentes sobre nosso trabalho, a maioria do qual e tocado por parceiros egípcios, tal como universidades e organizações de midia,” completou.

Barnathan disse que, embora não ter nas mãos todos os detalhes do caso, tem um equipe legal bem forte trabalhando.

Na esteira dos fechamentos mandados por magistrados locais, as atividades das ONGs devem ficar suspensas por pelo menos 12 meses, segundo um ex-diplomata americana, de Washington.

O diplomata disse que o governo norteamerican não deixaria a maioria dessas ONGs a continuarem seus trabalhos até a passagem de uma nova lei de ONGs pelo parlamento.

“No meu ver, sem uma mudança na clima de liberdade de associação, não voltarão e não poderão financiar organizações locais,” completou.

A Assembleia Popular, espera-se, vai revisar a lei que obriga as ONGs de buscar a permissão do governo antes de aceitar doações de fontes estrangeiras. Mas com a Irmandade Musulmana controlando o parlamento, espera-se também que as restrições permanecerão em força.

“A Irmandade e outros islamistas enxergam fundos dos EUA e Europa como fortalecendo os liberais e não permitirão esse tipo de ajuda sem seu conhecimento e consentimento,” disse.

Democracy Digest | Hipocrisia da Irmandade

Mohammad Badie

Mohammad Badie da Irmandade Musulmana Egípcia

A poderosa Irmandade Musulmana de Egito se diz comprometido com a construção de “um Estado moderno e democrático” e uma próspera sociedade civil, o líder do grupo disse hoje em um inédito editorial na rede estatal, Al-Ahram.

Grupos seculares e liberais, porém,levantavam dúvidas sobre a credibilidade dos pronunciamentos do guia espiritual do movimento, Mohammad Badie, em particular quando disse que a Irmandade apoiava a Revolução de Jasmina desde a começo.

Alguns observadores notaram certa relutância de participar nas manifestações da praça Tahrir.

“Temos que construir um estado moderno e democrático basado na cidadania, o estado demcratico do direito, liberdade, igualdade, pluralismo e também uma rotação de poder por meio do voto,” o líder escreveu. “Queremos um estado basada na liberdade, justiça e igualdade para todos os cidadãos, sem descriminação motivado por credo, cor ou fé.”
Apesar de insistir na necessidade de combater a corrupção e “responsabilizar os corruptos”,

Badie insinuou que favorece um tratamento conciliador pela justiça transicional, citando a necessidade de “reabilitar as agências de segurança e corrigir a percepção errada de que não passam deagentes de repressão. Mas “nós temos que responsabilizar os corruptos”, escreveu.

O que chama a atenção, no entanto, é a promessa de que a Irmandade tomará um atitude relativamente liberal quando da liberdade de expressão e pluralismo político.

“Ao mesmo tempo, todas as tendências sociais, culturais, políticas, econômica e intelectuais do País, junto com a sociedade civil– devem poder atuar e exprimir seu ponto de vista,” Badie diz.

É aqui que analistas e ativistas sugerem que ao líder lhe falta a credibilidade, apontando sua sanção da repressão de ONGs e organizações da sociedade civil, que sofreram medidas muito mais duras do que sofreram durante a ditadura de Mubarak.

Militantes liberais e seculares acreditam que a repressão seja prova de uma aliança tácita entre a Irmandade e o Exército, citando a repressão seletiva de grupos pró-democracia financiadas com dinheiro vindo do exterior enquanto permite-se o financiamento ilegal de grupos clandestinos de Salafistas e outros grupos islamistas — entre eles,a mesma Irmandade.

“Se o governo aplicasse a lei das ONGs de maneira consistente, cada integrante do Burô de Conselhos, o principal autoridade na hierarquia da Irmandade, deveria ser interrogados. Mas justiça é seletiva no Egito,”disse Adel Ramadan, advogado com um grupo em favor de direitos pessoais — Egyptian Initiative for Personal Rights. Ele notou que seu própria grupo já opera faz décadas sem habilitação oficial.