+ Jornalismo +Corrupto | Bem-Casados?

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Uma busca no Portal Imprensa retorna um resultado recente e interessante …

… O repórter Ricardo Cassiano, da rádio Bandnews, em Brasília (DF), recebeu oferta de propina no valor de R$ 10 mil para apresentar a versão do advogado de duas empresas locais que estão sendo investigadas pelo próprio veículo por um processo de licitação suspeito.

O consultor da AFB Advocacia Geraldo Tavares Junior, escritório que presta serviço às empresas vencedoras CDS e NTC, teria chamado o jornalista para dar um contraponto à coluna de Claudio Humberto na emissora, que suspeitou da rapidez e do valor das licitações.

“O repórter foi com um gravador escondido e o suposto representante ofereceu 10 mil reais em dinheiro para que o colunista lesse uma espécie de dossiê”, ressaltou Rodrigo Orengo, chefe de redação da Bandnews, em Brasília, em entrevista ao Portal IMPRENSA. Segundo ele, uma reportagem deve ser disponibilizada no site da emissora ainda nesta terça-feira (17).

Na esteira do Murdochgate, eu esperava ler mais exemplos de jornalistas subornados e subornadores, mas existem poucas refêrencias, por exemplo, à frase …

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… no Google. Na boca do povo, como na visão de Hollywood, são poucos os exemplos de repórteres engajados em atos criminosos ou sociopatas, embora de vez em quando aparecer um filme ou programa que toca nas ambiguidades da profissão.

Um caso brasileiro mais do que notável — operístico, eu diria — mais mal contado ainda, envolve as supostas propinas pagas pelo banqueiro Daniel Dantas a jornalistas chapa-blanca — lista que eu teve mas que perdi. Gostaria de ter o documento de volta. Ah, sim, são esses:

Mas ao nosso autor …

Global Media Journal
Volume 1, Issue 1 Fall 2002
ISSN 1550-7521
Corruption & Calamity: Limiting Ethical Journalism in Mexico and Central America
Rick Rockwell
American University
Washington, DC

Entre os casos contados são

  • Jornalistas panamenhos recebendo oito vezes seu salário fixo em propinas
  • ONGs panamenhas trocando dinheiro ou favores por cobertura
  •  Em Honduras, um escândalo quando vaza-se uma lista de jornalistas sendo pagando pelo Tribunal Nacional de Eleições
  • Como o dono do jornal hondurenho La Tribuna chegou à presidência do país
  • Alvaro Arzú Irigoyen, presidente de Guatemala, manda acabar com os pagamentos ilícitos aos jorrnalistas e a compra pelo governo de anúncios em jornal, rádio e TV
  • A resposta guatemalteca à onda de assassinatos de jornalistas, ou falta dela
  • A família mexicana dos Junco dita exemplar na gestão e padrões editoriais modernizados dos dois diários, Reforma e El Norte

Prefácio

Dentro da cultura profissional de jornalismo, faltas com a ética são muitas vezes enxergadas do mesmo jeito com que um fuzileiro orgulhoso reagiria a um companheiro que “falta-lhe o código de honra.” Quem transgrede esse código pode ser rebaixado, colocado à margem ou saír da força, caido na desgraça.

No quadro ético emergente em México e América Central, porém, outros resultados muitas vezes são possíveis. Jornalistas que se esforçam para manter um código de conduto podem sofrer outras retaliações que serem afastados por colegas corruptas. Podem receber ameaças, ser assaltados, ou virar mais uma estatística no arquivo de jornalistas assassinados em uma das zonas mais perigosas do mundo quando da livre expressão.

Durante a década passada,jornalistas nessas zonas criaram códigos próprios e articularam novas organizações em apoio de um jornalismo mais objetivo enquanto mudavam a paisagem como mais jornais e telejornais no estilo dos equivalentes nos EUA. Mas a cultura antiga de propina, negociata, e perigo para quem fica fora da corrupção ainda existe.

Este ensaio toma conta de mudanças na cultura de jornalismo em vários paises da região onde há uma longa história de violência e repressão contra o jornalismo. Citando vários casos exemplares, ensaio vai ilustrar como uma cultura emergente de jornalismo não partidário e ético confronta uma velha guarda acostumada de ser utilizada em favor de forças governamentais ou oligarquias em Mexico, Guatemala, Honduras e Panama. No fim, embora jornalistas continuarem sob uma pressão enorme que busca limitar sua liberdade de expressão, este ensaio mostrará que os inimigos mais preocupantes muitas vezes são achados dentro da redação mesma: São colegas com que o jornalista divide espaço no dia a dia.

A Função Jornalistica Essencial

Durante a década passada, Mexico e América Central começaram uma transição a sistemas autenticamente democráticas have begun a transition to real democratic systems, substituindo as fachadas do passado. A função essencial do jornalismo e da mídia em sistemas desse tipo é fazer uma conexão entre o governo e os governadores; permite opiniões a borbulhar desde o fundo e influenciar a direção do Estado. O filósofo John Stuart Mill (1961) nos dizia que jornalistas devem esforçar-se para isso, lembrando em mente as regras de ética and defendendo os direitos de individuais num sistema democrático.

Assim reza o ideal. Na prática, porém, sistemas de mídia na América Latin às vezes comprovam-se deficiente na realização desta promessa.

O jornalista brasileiro Carlos Eduardo Lins da Silva (2000) descreve sobre a conluio entre governos fortes e centralizadores, grandes donos de mídia, e concentrações de poder nas mão de elites, mostrando como a interesses poderosos e endinheirados minam o progresso representado por uma imprensa ética. No Brasil, donos de mídia e figuras importantes do mundo empresarial também formam parte do sistema que deu a luz às prática corruptas alvejadas pela chamada à ética. Mas enquanto jornalistas devem manter-se objetivos e independentes, eles não podem separar-se por inteiro da realidade corporativa do seu emprego. Como estas realidades acabam minando projetos pelo estabelecimento de vários códigos é um assunto muitas vezes passado por alto e maquiado.

No seu trabalho sobre emissoras da América Latina, Elizabeth Fox (1997) escreve bastante sobre a dependência entre o setor de mídia e o governo, um simbiose com elites de Mexico, Brasil, e outros paises. Este não uma ética utilitária auténtica. A comunidade tem pouca voz na governança de tais sistemas. A mídia não cuidem de criar um diálogo entre a cidadania e os poderosos. Ao contrário, esses sistemas são canais mão-únicas de comunicação, o teor dos quais são influenciados pelo ponto de vistas de um pequeno cabala de poderosos. Alguns desses governos chamavam-se democráticos enquanto ficavam longe do ideal.

A fonte de muitos problema nessa região começa com proprietários que recusam a encarar as reclamações dos empregados. problems of their workforce. Os salários de muitos jornalistas é extremamente parcos. Muitos jornalistas podem achar outros meios, inclusive por meios corruptos, para ascender à classe média. Agravando o problem é o fato de que muitos donos e editores ignoram ou passam-no por alto. A corrupção juntamente com o controle por meios violentos serve de reprimir o direito de livre expressão quando um jornalista recusa a receber propinas o que não satisfaz o padrão do sistema corrupto. Assim, os donos e os recipientes de propina e favores indevidos dentro do sistema também são cúmplices nos às vezes violentas vinganças contra jornalistas que recusam as regras da velha guarda. O clima de corrupção mantem um sistema no qual atos violentos contra a imprensa muitas vezes são realizados, sem represalia, por grupos do narcotráfico e seus cúmplices no governo. Neste ensaio, rastrearemos essas ligações.

Mas primeiro, enquanto a democracia parece estar emergindo, surge algo como um cabo de guerra não somente entre sistemas políticas desses países mas também nos sistemas de mídia. Essa tensões revelam o quanto a corrupção e violência serve pelo mesmo objetivo: o controle da notícia e o trabalhor do jornalista..

Parte II está por vir  –Tradutor

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