+ Jornalismo +Corrupto II | Da Botella ao Fa-Fa

Padrão

Oligarquias locais — empresários metidos na politica cujo interesse econômica principal não é na midia — são donos de e controlam a mídia. Muitas vezes seu negócios também são alvos de investigações criminais. — O Imperador Romeno

… [às vezes] poderosos fregueses pagam jornalistas para fuçar a roupa suja dos inimigos. … Muitas vezes os editores tomam parte nesses arranjos, recebendo uma porcentagem da propina. …  Além do mais, o sistema faz possível a venda de informaçao e notícias, que passam a ser vendidas de uma maneira muito com e paralela  com a venda de propaganda.

Hoje publico a segunda parte, traduzida, do estudo conduzido pelo professor Rick Rockwell, tratando-se das modalidades de corrupção dentro e fora de redações latinoamericanas no fim dos anos 1990.

É uma história que continua sendo mal-contada quando das redações brasileiras. Exemplo: um badalado código de ética promovido por uma das maiores editoras do Brasil. Apesar de ser chamada de «state of the art» — comparável com qualquer outra política do mundo — impõe um limite ao valor dos brindes recibos por suas jornalistas e outros empregado de BRL 100.

O padrão primeiro-mundial é BRL 0.

Também de grande interesse no estudo de Rick Rockwell: os métodos utilizados pelas ONGs na busca de cobertura. Aqui se vislumbra o mecanismo de «plausible deniability» em ação — patrocínios de patrocínios secundários de patrões do terceiro grau obscurecendo a fonte e missão colateral dos recursos.

PANAMA

No Panama, uma tentativa de refundar a cultura de jornalismo começou nos meado dos anos 90. Para romper com o passado, os jornalistas panamenhos olhou para dentro e começaram expondo a corrupção própria, que na gíria do Panama é conhecida como “la botella” …

A primeira grande reportagem envolvia o Edwin Wald. Wald foi um jornalista trabalhando do gabinete de relações públicas da Assembleia Nacional. Ele revelou que o presidente da Assembleia, Balbina Herrera, tinha aprovado o pagamento rotineiro de propinas a jornalistas, de desde $400 a $2600 por mes.(Guerrero, 1995). Uma vez que o salário mediano de um jornalista panamenho não passa de $300 por mes, as propinas eram significativas. As denúncias de Wald foram publicadas em quatro dos maiores diários do país e uma emissora de TV, Canal 2. Foi a primeira vez que jornalistas falavam abertamente sobre o suborno informal no qual o sistema se fundou. Dois jornais, La Prensa e El Panamá Américano, chegaram a revelar os names de repórteres própios. Ambos tinham donos e gerente que tinham dados boas-vindas aos novos códigos de ética que possibilitaram as revelações. Jornalistas de uma das emissoras de rádio e do canal mais popular de TV também foram nomeados no escândalo.

Para comparar …

As denúncias, porém, eram fortemente negados. Herrera negou qualquer delito e disse que apenas integrantes do gabinete de Wald foram tratados de maneira positiva. As lideranças sindicalistas do jornalismo também prestava auxílio a Herrera. El Colegio Nacional de Periodistas e seu presidente na época, Barbara Bloise, notou que os salários perenemente baixos encorajavam a busca de emprego suplementar. Defendeu os jornalistas com o argumento de que tenham o direito de aceitar pagamentos para trabalho feito fora do horário do expediente, uma vez que os salãrios são tão baixos.

Bloise disse que jornalistas deveriam desfrutar a liberdade de associalção enquanto estejam fora do expediente e trabalhar num bico se o salário não seja suficiente. (Guerrero, 1995). Bloise diz que os pagamentos eram para trabalho de relações públicas feito para a legislatura nacional, embora ficou bem óbvio a todo mundo que o trabalho não separava-se do trabalho feito para os jornais que os empregavam.

La Prensa, antigamente considerado entre os melhores jornais de América Latina, once regarded as one of the best newspapers in Latin America, counterattacked, saiu no contra-ataque. Em uma série de editorias, o jornal questionou os conflitos de interesse do próprio Bloise. Revelaram que, alem de ser repórter com o Canal 13 — este considerado favorável ao governo de direito na época — ela também tinham trabalhava fora. O jornal revelou que ela trabalhava com frequência para uma empresa panamenha e fazia relações públicas para a Universidade de Panamá

O trabalho para a universidade fazia de Bloise uma servidora pública, e assim, responsável a políticos como Herrera. (Guerrero, 1995). Durante toda essa guerra de palavras, no entanto, permancia claro que os padrões da La Prensa, fundadas nos princípios de ética promovidos pelo editor-chefe Winston Robles, eram muito diferentes das regras vigentes em outras organizações de mídia no país. Estes padrões de Robles são mais consistentes com os ideais de Mill sobre o papel de jornalism nu a democracia.

Dos inúmeros rádios, TV e jornais no sistema panamenho, se uma organização que ver suas atividades cobertas ou seu release lido no ar, costuma rolar uma troca de dinheiro vivo o algum tipo de favor. Maribel Rodriguez Munoz (1998), diretora de uma ONG dedicada à limpeza de ruas nos pequenos bairros e comunidades de Panama dize que esse sistema sai bem caro para a ONG conseguir entregar sua mensagem. No entanto, ela disse, às vezes prefere esse sistema, em certa medida, apesar do dinheiro indo pelo ralo abaixoo, porque com ele ela pode garantir que receberia algum cobertura na mídia.

Veículos como La Prensa, que não aceitam dinheiro em troca de espaço, fora os anúncios, essa líder de ONG nem sempre convencia editores ou repórteres que a ONG dela merecia cobertura. Outras dez ONGs formam contatadas sobre estratêgias de mídia e pagamento para cobertura em 1998 A maioria confirmou a história da Sra. Rodriguez Mas a maioria de lideranças de ONGs panamenhos concordam que nesse sistema, com pagamentos em troca de favorers, abre o sistema intereiro a dúvidas fundamentais sobre a veracidade dos noticiários, que abrem espaço apenas para pessoas e grupos com poder ou caixa.

Embaixo desse sistema, a gente da La Prensa muitas vezes servem de para-ráios por causa dos padrões éticas mais limpos. Gustavo Gorriti, um peruano que trabalhava como jornalista investigativo na La Prensa, é um exemplo bom de como jornalistas dessa vanguarda nova acabem enredados pelos costumes da cultura embutida e comprometida da mídia antiga. Durante seu tempo na La Prensa, Gorriti encarou deportação por causa do seu trabalho; buscava-se mandá-lo de volta ao Peru onde já foi vitima de secuestro e onde recebia ameaças de morte por causa do trabalho durante a época de Fujimori. Após uma onda de problemas jurídicos, como denúncias de calûnia e ameaças ao visto dele, no fim da conta oGorriti voltou para Peru quando Alejandro Toledo assumiu e Fujimori já era.

No começo, Gorriti (1998) mudou para Panama porque enxergava aquele pais como “um paraíso para jornalismo investigativo,” um centro financeiro regional onde grande parte do dinheiro do tráfico é lavado. Após chegar em 1996, seu primeiro alvo foi a falência do banco Panamanian Agro-Industrial and Commerical Bank. Gorriti revelou como os barões do tráfico utilizavam o banco para lavar dinheiro, encobrindo suas pistas com a ajuda do governo.(Chasan, 1998).

Gorriti também conseguiu constranger o ex-presidente Ernesto Pérez Balladares. Gorriti excavou informações sobre um a doação de campanha de $51,000 ao presidente provindo de um traficante com laços ao cartel de Cali. Embora negando que tivesse aceito tal doação, no fim foi forçado a admitir a veracidade da denúncia.

O governo panamenho buscou vingar-se do repórter peruano incômodo No verão de 1997, quando o visto de trabalho venceu e precisava ser renovado o governo tentou negar-lhe o vista e o deportar.

A comunidade de jornalistas internacional prestou auxílio. Grupos como a Committee to Protect Journalists (CPJ) e aInternational Press Institute (IPI) difundiam a historia de um colega em apuros.editor’s plight. Gorriti chamou a Inter-American Human Rights Commission of the OAS a intervir. A mídia norteamericana promovia a causa e o jornalistas foi perfilado por vários grandes jornais. Após meses de pressões internacionais, o governo Pérez Balladares deu ré , emitindo visto e carteira de emprego para o editor combativo.

Os problema de Gorriti e colegas dele no Panama surgiram porque desafiavam o sistema de parceiras íntimas e informais entre jornalistas e o governo. Tentando expor o funcionamento do submundo de traficantes e suas ligações com o governo, esses jornalistas são opõe-se aos costumes e tradições de um pais onde corrupao existe também dentro da profissão de jornalismo. A norma é de aproximar elites ou governantes para uma propina, antes de os expor publicamente. Durante o governo Pérez Balladares, era fácil ganhar propinas da assembleia nacional, o promotor geral da naçaõ, e o gabinete da Presidência.

Apesar dos atentandos sofridos, jornalistas éticos de Panama avançarem a nova cultura de ética não somente desmascarando a corrupao entre suas prória fileira, mas utilizando estes casos para lançar um aviso ao governo de que jornalistas estavam assumindo um papel mais fiscalizador, mais militante. Como observou o Mill, a imprensa deve iluminar o verdadeiro funcionamento do governo para que o povo pode-se virar, mais do que mero diletante mas verdadeiro cidadão do poder. A corrupção é um meodo muito efetivo de minar aquele papel (Tulchin & Espach 2000).

HONDURAS

Em Honduras, jornalistas lutavam pelo desenvolvimento de uma nova cultura, com alicerce ético, mas acabaram recuando por fim a um ponto intermediário que ainda aceitava papagementos debaixo da mesa. Dois anos antes do avanço realizado na Panama, um escândalo parecido irrumpeu no mundo da imprensa hondurenha.

Um repórter, sem querer, tinha deixado uma lista de jornalistas na folha de pagamento clandestino do Tribunal Nacional de Eleições, numa máquina de xerox no escritório do Tiempo de San Pedro Sula. Assim, a gestão fora sido obrigado a tratar com pessoal envolvidos no esquema. Vilma Gloria Rosales, editora do Tiempo’s editor, resolveu imprimir a lista, apesar de uma ameaça de morte do jornalista que deixou a lista na redação enquanto calculava o quanto era devido a cada jornalisa. Rosales também compartilhou a lista com concorrentes do Tribuna.

No jornal concorrente, La Prensa (não confunde-se com o panamenho do mesmo nome) o editor Nelson Fernández (depois promovidao em parte por sua manejo do incidente) também resolveu de imprimir a lista, embora a lista contivesse o nome de jornalistas do jornal dele. Foi muito significativo esse fato, porque os dois jornais são considerando os mais influenciais do País. Tanto Fernández quanto Rosales recusaram a demitir pessoal do jornal que aceitou pagamentos do governo. Esse confronto com a corrupção foi apontado por jornalistas hondurenhos como o momento da explulsão de práticas corruptas da maioria de redações hondurenhos.(Martinez, 1998).

Isso, porém, não resolveu o problema. Seis anos depois, a editora do La Prensa hondurenho, Maria Antonia Martinez, admitiu saber que as práticas continuem na sua redação, mas que repórteres agora são sabios o suficiente para escondé-las dos gerentes. Em geral, disse, as redações do pais continuam infetados pela corrupção, embora o número de jornalistas aceitando propinas ter diminuido.

No novo sistema, Martinez disse, a corrupção assume várias capas. Ás vezes é parecido com chantagem.

O jornalista prepara uma matéria negativa, e depois entra em contato como o alvo da reportagem, procurando uma propina para abafar o artigo.

Outras vezes, poderosos fregueses pagam jornalistas para fuçar os armários dos inimigos deles. Em 1998, Martinez flagrou um integrante do seu equipe fazendo justamente isso. Martinez resolveu não demitir o repórter, submetendo-o a um rebaixamento e uma mudança a outro caderno do jornal. O reporter tinha cultivado os patrões como parte de seu “beat,” da cobertura rotineira de determinado assunto. Muitas vezes os editores formam parte de tais arranjos, recebendo uma porcentagem. Além do mais, o sistema fazia possível a venda de informaçao e notícias a serem vendidos de uma maneira muito parecida com a propáganda. Tal como seus colegas no Panama, dirigintes de NGOs hondurenhas confirmam que acesso à imprensa veio como preço na maioria de jornais hondurenhos. Embora o Tiempo e La Prensa mudaram a prática, as mudanças não eliminaram a corrupção completamente.

Na Honduras, então, porque o recuo por parte de jornalistas após a campanha de 1993 alvejando colegas corruptos? O caso hondurenho difere segundo a reação de poder à nova agressividade da imprensa. Em vez da resposta jurídica e bureacrática do sistema panamenhos,a ameaça de violência física pode ter reduzido o ritmo de reformas, levando à solução comprometida de hoje.

O ano 1993, também era quando a mídia começou a oferecer críticas aos militares. Apesar de que os hondurenhos elegiam governos civis na época, os militares basicamente tomavam conta do sistema ainda. Mas o começos dos anos 90 fora um período de mudanças. Lentamente o governo civil e os setores da sociedade civil adquiriam mais epaço dentro do sistema. Com as novas liberdades a midia concluiu que era tempo de expor a guerra suja tramada contra a oposição durante os anos 90. La Prensa imprimiu uma premiada série sobre assasinatos extrajudicias e o desaparecimento de pessoas.

Mas a mídia hondurenha ainda tinha que aprender de que contando o passado não era a mesma coisa que contar a presente. Uma das redes mais importantes revelou a ligação de alguns militares com o assasinato de um empresário conhecido na região de San Pedro Sula , em 1993. Os repórteres da reportagem recebiam ameaçãs por conta disso. Querendo mostrar solidariedade, o Tiempo publicou uma séries sobre as ameaças e também as acusações originais (Newman, 1994). Imediatamente depois sa sério no Tiempo, Yani Rosenthal, um dos donos do jornal, soi atacado e sua casa incendiada. Um dos reporteres acabou fugindo do pais.

Depois do incêndio criminoso, o Col. Mario Hung Pacheco, chefe da polícia do exército, emitiu um release. Os homens de Hung Pacheco eram responsaveis pelo policiamento de San Pedro Sula e do capital. Disse no seu release que as forças armadas mantinha ficas sobre todos os jornalistas e que forças de segurança nacional rotineiramente monitorava suas atividades. O efeito da revelação foi susto geral por parte de jornalistas que temian violência partindo das FFAA. O aviso de Hung parece ter restringido a agressividade nova das redações e podia ter anunciado o fim de campanhas agressivas para limpar as redaões de jornalistas suspeito de ser subornados pelo governo ou das FFAA.

Mais tarde, Hung Pacheco seria promovido a general e eventualmente chefiava as FFAA hondurenhas. Isso fez dele o de fato último poder do pais, sendo que a chefe das FFAA não era indicado pelo presidente e que o congresso não infrequentemente aprovavam as promoções dos principais generais.(Ruhl, 1997). Hung Pacheco, no entanto, seria o último chefe escolhido dessa maneira, sendo acima de toda responsibilidade, quando o sistem retornou ao controle da presidencia em 2000. Ainda assim, o discurso de Hung Pacheco e sua subsequente ascenção ao último poder significava o fim de sondagens jornalisticas de comportamento criminoso de militares.

No fim dos anos 1990s, a transição para um governo civil hondurenho era marcado pela elevação de certos donos de mídia a posições poder político considerável. O ex-presidente Carlos Flores Facussé e dono de um dos jornais mais poderos da Honduras, La Tribuna. Durante o tempo que Flores ficava em poder, pessoas de dentro dos bastidores de poder disse que Flores e um cabal do outros donos de mídia, que também exercem poder dentro do Partido Liberal, cortou a erva daninha de vozes dissidentes da imprensa, repressaram concorrentes não-alinhadas com a agenda partidária deles, e clandestinamente pautava a agenda jornalistica do pais inteiro.(Sarmiento, 1998). Esse grupo poderoso de donos de mídia e elites políticos parece contente a deixar a impressão que os sistemas politico e midiático se expurgaram dos abusos do passado, não deixando o assunto chegar ao superficie das manchetes.

O resultado para a maioria de jornalistas hondurenhos tem sido auto censura. Elesedeixaram a batalha pra livre expressão às FFAA e poderes civis emergentes, com laços aos jogadores econômicos mais poderosos e pouco interesse em justíça social.(Guevara, 1994).

Uma repórter e áncora hondurenha conhecida para sua honestidade, confiabilidade e ética, Sandra Maribel Sanchez resolveu virar uma das críticas mais duras do regime.. Durante uma conferência em Panamá sobre a mídia de América Central, Sanchez se diz concordar com quem tinha chamado a mídia no seus pais um bando de “gângsteres insaciáveis” por causa do seu apetite para propinas. (Fliess, 1999). Embora acreditar haver mais repórteres objetivo do que no passado, ela culpa os donos para não ter pressionados para reformas o suficiente.

É interessante sabe que Sanchéz era um dos últimos jornalistas que revelaram recebendo ameaças de morte por causa do trabalho. Em 1996, Sanchez recebeu uma série de ameaças de morte pela telefone após publicar uma matéria sobre corrupção no congresso nacional e entre militares. (Chasan, 1997). Mais um vez alguem que desafiou o sistema recebeu a mensagem: refrear-se si mesmo.

Se bem que essas mensagens são mais nefastas e assustadoras do que os processos contra jornalistas panamenhos, no fim das contas o método utilizado é o mesmo em ambos paises. Na Panama, quando um investigador como Gustavo Gorriti se estabeleceu no pais e começou descobrindo corrupção, o estado reagiu com várias medidas Os ataques diretos contra Gorriti, embora lícito e não violento, não passam de tentativas de limitar os direitos de livre expressão e mandar uma mensagem aos colegas panamenhos dele. Em Honduras, a reação era mais contundente e ameaçadora.

Os poderosos do pais descubriram que quando corrupḉão não funcionava mais como meio de coagir os jornalistas, foram obrigados a recorrer à violência. Como as reações e ameaças contra editores e jornalistas demostram,a violência parece inevitável com o fracasso de corrupção. Assim, quem apoia e participa em sistemas jornalisticas comprometidos está apoioando a violência, o último meio de controlar jornalistas que recusam a aceitar o sistema vigente.

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