Queima do Korão | Deus e o Diabo Na Terra do Twitter

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The Washington Post tem essa matéroa perfilando o pastor evangélico que veio a ser o culpado exemplar por um ato de intolerância que levou à morte e ferimento de decenas de pessoa no Afeganistão.

O espectáculo de presidente da república pedindo desculpas para um conterrâneo tão marginal assim foi inesquecível. O que eu não entendo — seria interessante fazer um cronograma atualizado da cobertura — é como o assunto «virou viral» desse jeito.

O Korão chamuscado que levou a um ataque mortífero e a manifestações de um lado a outro de Afeganistão está armazenado em uma sacolinha do Home Depot  em um armário da igreja dilapidada, acompanhado por um par de luvas de boxe acimina de um monte de  caixas de papelão. Ainda cheira de querosene.

O reverendo Terry Jones ameaçava queimar o texto no setembro passado como parte da polêmica em volta de’planos de construir um centro cultural islámic perto do antigo World Trade Center. Foi desaconselhado por lideranças religiosas e autoridades, inclusive uma telefonema do secretário de defesa, Robert M. Gates.

AInda assim, quando anunciou em janeiro que ia “botar o Korão à prova”, disse não ter ouvido reclamação alguma. Dia 20 de março, vestiu a toga de magistrado e mandou que o livro fosse queimado numa churrasqueira portátil.

“As pessoas esqueceram-se de nós,” Jones disse. “Mas continuamos fazendo o que fazemos.”

O mundo foi lembrado da congregação cristã de 30 fieis no Dove World Outreach Center essa sexta-feira, quando um motim instigao pela queima attacou um complex da ONU en Mazar-e Sharif, mantando sete servidores da ONU. Sábado, manifestações relacionadas mataram 9 e feriram mas que 90.

Jones, 59, considerou que o ato poderia levar a um resposta violenta e que inocentes podiam ser mortos. Na fala arrastrada própria dele — um jeito manso de falar inconsistente com o fogo e enxofre da sua doutrina — o pastor disse que os congregados debatiam se deveriam rasgar, atirar ou ensopá-lo em água em vez de queimá-lo.

Já foi acusado por quem interviram no setembro de quebrar a promessa de não queimar o livro — denúncia que ele aceita. “Se queira ser técnico,” disse, “suponho que quebramos a promessa.”

Acrescenta: “Pensamos duas vezes.”

Mas em fim, o desejo de atraer os holofotes a o que chama de um livro perigoso venceu o escrúpolo. A queima foi videografada ao vivo na Internet. Em um gesto de estender a mão a musulmanos no estrangeiro, incluiu legendas na lingua árabe.

“Alguns deles,” disse, “podem experimentar um despertar espiritual por causa de tudo disso.”

««Alguém sabe como o tag «burn» virou viral?»»

Enquanto isso, os islamófobos enchem o espaço de veneno — «uma vergonha o pedido de desculpas àquelas animais”»

Sobre o mistério do vazamento que levou ao furo, diz-se que trabalhadores locais acharam livros queimados no lixão da base militar em Baghram. Duvido eles serem ciberativistas, mas quem sabe? Surgiu no meio virtual através de atos no mundo real. Para muitos musulmanos, inclusive, o texto sagrado santifica os materiais seculares que o serve de veículo — semelhante à tradição teológica do Tora.

Em qualquer caso, a história continua sendo um pouco mal-contado, embora é interessante observar a página de Wikipedia atualizada em tempo real — algo não muito natural ao enciclopedista tradicional. Wikinews?