Ocupa a Wall e a A Prisão dos 65

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Eu queria passar aos colegas tupis essa matéria sobre como desanimar o jornalista independente, que apareceu no Columbia Journalism Review. Estou passando por um período de independência desanimadora, como acontece de vez em quando.

Talvez não se conhece aqui no Brasil o famoso trecho de nosso Tribunal Supremo sobre o «chilling effect» que certas práticas podem ter sobre o legítimo e livre exercício de um direito — o direito à livre expressão em especial

O jovem jornalista de hoje, como observa nosso colega, faltando-lhe a rica experiência prática fornecida pelo antigo sistema de aprendizagem — após uma educação mais ampla nas artes liberais — como ler e escrever e pensar — e treinado em um ambiente adverso a noções románticas de solidariedade de classe, apresentam portanto um alvo fácil demais.

O exemplo dado é a cobertura do movimento de protesto Ocupa a Rua Wall.

Dos 65 jornalistas presos desde setembro enquanto faziam cobertura da Ocupa a Rua Wall e suas crias no pais inteiro, quase nenhum teve alguém a chamar para apoio.

Segundo uma lista compilada por  Josh Stearns, do Free Press, grupo pela reforma de politicas midiáticas, a maioria esmagante são indepdentes e autónomos. Alguns fazia bico para grandes empresas de mídia, outros para a imprensa alternativa, comunitária ou estudantil.

Mas a característica que se destaca, quando do movimento Ocupa, que segue os passos de um «downsizing» implacável há uma década agora, é o fato de que os jornalistas menos aptos pela disputa nos tribunais — jovens, alternativos, sem apoio institucional, e se esforçando para pagar o aluguel, nem falar em honorários de advogados — tem sidos os profissionais obrigados a fazer exatamente isso.

Eu perco o fio do argumento aqui por um momento — quando da obrigatoriedade da cobertura.  Vamos concordar por enquanto que se trata da questão de legitimidade. Traduzo:

Se já não fosse nítido demais, as prisões dos jornalistas durante as manifestantes da Ocupa enfatiza que as instituições devem mudar os termos do debate de «quem é jornalista?» para «O que é journalismo?»

Lembrando o vergonhoso episódio do jornalista não-diplomado, Barbon, assassinado em Porto Ferreira por policiais corruptos e chamuscado post mortem pela Fenaj como um pseudo-jornalista e, se fosse isso o suficiente, um jornalista ruim, eu também acho que tá na hora.

Desde Oakland e Atlanta a Nova York, policiais não hesitam de determinar se alguém é profissional legítimo ou não. Às vezes, o reconhecimento de uma marca registrada faz a diferença. Mas em qualquer caso, não é seu o direito de decidir. Adam Goldstein, advogada para o Centro de Direito da Imprensa Estudantil,  “Na medida que ainda estamos debatendo quem é jornalista,a polícia não pode resolver a questão.”

Meu sindicato, o National Writers Union, abre as portas a qualquer indivíduo que ganha a vida escrevendo, assim:

Você fica elegível para integrar o sindicato se lançou um livro, uma peça, tres artigo, uma conta, ou um volume compáravel de texto para newsletters, publicidade, técnica, governamental, ou institucional. Também pode se juntar se escreveu um montante igual sem vender e persegue na tentativa de vendé-lo.

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