O Prognóstico Mainardi

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Cablegate | Wikileaks | Referencia ID: #10RIODEJANEIRO32

Não sei o que será mais constrangedor no referido relatório diplomático  — o prostra-se do colunista Diogo Mainardi ou o fato de pessoas da minha embaixada gastavam o tempo com o mesmo.

Traduzo um trecho do relatório oficial, divulgado pelo projeto Wikileaks.

Durante um almoço privado no dia 12 de janeiro, o eminente colunista da revista Veja,  Diogo Mainardi, falou com o «oficial principal» [sic] do consulado carioca sobre que uma coluna  recente sua, na qual propus a Marinha Silva do Partido Verde, ex-Ministra do Meio Ambiente no governo Lula, como a candidata ideal para o vice no palanque de José Serra, do PSDB.

Disse que a opção surgiu durante uma extensa conversa com Serra no qual o ex-governador de S. Paulo chamou a Marina «minha vice ideal».

Quer dizer que o colunista funciona apenas como manequim de ventriloquista, enquanto o candidato ouve dele apenas ecoas da sua própria voz? Eis um perigo bastante conhecido de depender de uma «câmara de ecoas»

Durante a conversa, Serra esboçou as mesmas vantagens que Mainardi depois alistaria no coluna, e chamou ela de «candidata ideal para ser minha vice..»

Preciso ler a coluna em questão. O Mainardi identificou sua fonte?

Na coluna, Mainardi repetiria o que dizia Serra: a vida pregressa e impecáveis credenciais esquerdistas trunfariam o apelo pessoal de Lula aos mais pobres do Brasil, deixando Dilma Rouseff em posição de constragimento com a esquerda, enquanto ajudava Serra minimizar sua associação com o governo federal de Cardoso, algo que Lula e Dilma esperam aproveitar durante a campanha.

Dito isso, porém, Mainardi não espera uma coligação de Marina e Serra, uma vez que Marina quer estabelecer sua própria credibilidade por meio da sua campanha à presidência. Mainardi se diz acreditar — como Serra acredita — que Marina bem poderia apoiar o Serra durante o segundo turno.

No fim das contas, deixou a escolha com seus eleitores, se me lembre bem.

¶3. (SBU) Mais realista foi o que Mainardi indicou ao PO, que o governador Aecio Neves lhe disse no começo do mes que permanece «completamente aberto» à possibilidade de se candidatar como vice de Serra,  [NB: dia 17 de dezembro de 2009 Neves oficialmente encerrou sua «pre-campanha» pela Presidência, indicando que não tinha interesse na vice-presidência.] Apesar de Neves se dizer candidato para o Senado, Mainardi diz que ele aguarda um cenário no qual o PSDB, possívelmente em março, convidaria Neves a se juntar com Serra, assim assegurando a máxima força contra a Dilma.

As ambições de Neves e seu intrínsico desejo de não servir de desmancha-prazeres pode levar Neves a aceitar o convite, na opinião de Mainardi.

Essa crença foi repetida por Merval Pereira, colunista do jornal carioca “O Globo,” que, numa reunião no dia 21 de janeiro, contou uma conversa que ele teve com Neves na noite anterior, na qual Neves se disse «comprometido» à vitória de Serra de qualqer jeito, inclusive como um candidato ao vice. A dupla Serra-Neves, segundo Pereira, ganharia as eleições.  Pereira acreditava não somente que Neves ia concorrer mas que Silva apoiaria Serra no segundo turno.

A questão precisa de mais estudo.  Acho que a coluna em questão deve ser «A Chapa Cabocla» do dia 23 de dezembro de 2009. Um trecho:

“Uma chapa formada por José Serra e Marina Silva embaralharia a campanha de 2010, pegando o PT no contrapé e enterrando de vez a desastrada candidatura de Dilma Rousseff”

Os dois juntos, na mesma chapa. Quem? José Serra e Marina Silva. Isso mesmo: José Serra, presidente, e Marina Silva, vice-presidente.

A ideia ainda é embrionária. Só é debatida no interior de um grupelho do PSDB. Mas ganhou impulso na semana passada, depois que Aécio Neves renunciou à candidatura presidencial e assoprou para a imprensa petista que rejeita terminantemente uma vaga de vice-presidente na chapa de José Serra – a chamada chapa puro-sangue. Apesar de todos os apelos do PSDB, Aécio Neves repetiu aos seus interlocutores que pretende candidatar-se ao Senado e dedicar-se integralmente à campanha para eleger seu sucessor em Minas Gerais, Antonio Anastasia.

O Diogo parece ter servido de «caixa de ressonância» para este grupelho, dizendo em nome próprio o que o candidato não podia dizer.

De Mainardi, apenas outra citação de 2004, criticando a viagem do Lula à Africa.

Meanwhile, some Brazilian pundits roundly criticized Lula’s most recent Africa foray, citing the irrelevance of the countries visited and ridiculing the President for promoting democracy and poverty eradication at the CPLP, then taking a Rolls Royce ride with a corrupt “dictator” in Gabon. Popular columnist Diogo Mainardi in Veja, Brazil’s version of Time magazine, acidly juxtaposed the Gabon spectacle with the President’s failure to condemn, while on African soil, the genocide in Sudan. (Comment: Concurrent with Lula’s trip to Africa, Brazil did support the UNSC Darfur resolution. End comment.)

Tem bastante citações à revista Veja entre 2004 e 2010.

In response to the revelations in the September 3 Veja article regarding alleged ABIN wiretapping of the president of the Supreme Court and a federal senator, as well as the work of the CPI, more than ten bills have been proposed that would standardize procedures for requesting, granting, and communicating authorization of wiretaps, increasing punishments of public officials who abuse wiretaps. A couple of these are now moving swiftly through Congress. Pontes noted that one of the bills proposed strengthens procedures for transmitting judicial wiretaps authorizations using digital signatures. Another control mechanism is to authorize the Ministry of Justice to keep statistics on the number of wiretaps authorized in Brazil — including length of wiretaps, types of crimes — as many other countries do. The bills also extend the period for which wiretaps are authorized from 15 to 60 days, but under the proposed bills they would be renewable for a maximum of a year, unlike current law which allows for indefinite renewals. This limit would not apply, however, to “permanent” crimes, a terminology that is not explicit in law, but instead is subject to judicial review, and tends to refer to refer to crimes that are ongoing, as for example, a kidnapping. Asked by poloff if under such language wiretaps of individuals providing support for terrorist operations would be limited to a year, Pontes could not be sure, but added that it was an important concern and that perhaps the bills needed to have a broader “escape clause” that permitted longer taps depending on the type of crime.

O análise do fracasso do movimento Cansei é contundente:

“Cansei” leaders did not help their cause when they tried to tell their side of the story. Joao Doria Jr, interviewed by mass-circulation weekly magazine Veja, complained that public opinion discriminates against the successful and wealthy, stressing the right of successful people to express political opinions and to demonstrate. His self-portrayal as someone who never smoked, drank, or used drugs; doesn’t fight or use profanity; started using hair gel at the age of nine; and works 17 hours a day, may have made it difficult for ordinary Brazilians to find common cause with him. Another movement leader, Paulo Zottolo, CEO of Philips Latin America, drew negative attention to himself when, referring to one of Brazil’s very poor and isolated northeastern states, he told an interviewer that “if Piaui ceases to exist, nobody will be upset.”

(U) In a September 4 meeting with Poloff and Political Assistant, Zottolo insisted his remark had been taken out of context, but again, the damage had been done. Zottolo characterized his company’s decision to join the movement as a business decision. Philips believes the company has been disadvantaged by the GoB vis a vis Brazilian companies, and has been frustrated by Brazil’s failure to advance towards meaningful economic reform, especially in its taxation system. The Cansei movement, Zottolo said, is not meant to be a popular grass-roots movement, but rather an attempt by the business community to speak out effectively about the challenges …