O Ano Eleitoral Mexicano | De Novo Pelos Olhos do Brozo?

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Acima: Felipe Calderón do PAN recebe apoio irrestrito do Brozo, palhaço-Jô Soares da Televisa durante as eleições de 2006. Fonte: YouTube. No que se diz respeito à integrade jornalística, Televisa faz  os colegas da Rede Globo — “Muito Além do Cidadão Kane” — aparecer como os productores premiados da boa e velha Frontline, do PBS.

Chegou a hora de virar os óculos do blog ao rito democrático que passará em México desse ano.

Por que? Vamos lembrar a grande confusão de 2006, quando seu Lula comentou, com bastante sabedoria, que o processo mexicano deveria emular o brasileiro e encaminhar os dois candidatos com a maior votação ao segundo turno. Muita da confusão do que realmente aconteceu foi o artefato de um «empate técnico» montada com fins antidemocráticos.

Ora, ora, pois, vamos ficar de olho no México porque segundo eu consegui entender, a eleição do presidente em 2006 era fraudeada sem a mínima vergonha na cara, como contei em uma série do notas preliminárias na época.

Um dos ilícitos no processo naquele ano, por exemplo, foi a contratação de consultores do International Republican Institute, Dick Morris e Rob Allen. Estes senhores confessaram depois que trabalhavam na clandestinidade para driblar a proíbição a essa função ser feita por enstrangeiros.

IBOPE do Brasil, entretanto, contratada para fiscalizar os «spots» de televisão para abusos e ilicitos, fracassou de maneira impressionante e com explicações muito mambembes. Demorou varias semanas antes de flagrar a campanha depois declarada ilícita, a macartista «Lopez Obrador é um Perigo Para o México». Houve leve multa aos responsáveis após as eleições. Wal-Mart também foi achado culpado por divulgar materiais políticos nas suas lojas.

Preciso achar os arquivos que baixei na época.

Outro episódio da mesma época foi a testemunha à arte nobre e antiga do «mapache eleitoral»

Enquanto isso, o parceiro de IBOPE, NetRatings, produziu uma série de estudos que tentava desmentir sinais de manipulação da contagem. Queriam convencer que a doença dos dados dificultava o diagnóstico mas que um caso do famoso House, mas convencia muito pouco. Mas do que isso, estes resultados foram disponibilizado ao vivo, por um dispositivo programado em Perl, por estatísticos universitários que apontaram sinais de um desequilibrio repetido mecanicamente e traços realmente impressionante de massagem de dados.

Mais impressionante ainda: A empresa contratada pelo IFE para informatizar a contagem pertence ao cunhado do candidato Calderón

O caso Hildrebando veio à luz durante a campanha com o descubrimento de um interface, num site do PAN, ao banco de dados nacional de eleitores — banco de dados que tinha sido comprado pela americana ChoicePoint e entregado — todos os 65 milhões de fichas — ao FBI.

A venda dos dados resultou no indiciamento de servidores públicos mexicanas, que, apesar de ficarem culpados de traição, receberem apenas multas leves.

A jornalista de CNN en Español que deu espaço às denúncias — Carmen Aristegui — foi forçada a se demitir após revelar os vários escândalos de uma transição democrática gravamente falha.

Com isso, segundo Paul Imison, a temporada política deste ano está para virar mais um temporal de paixões, confusões, e guerra intensa de informações e contrainformações. Traduzo um trecho, a seguir.

Louvada seja a democracia! Até doze anos atrás, os mexicanos tinham que morder a língua coletiva enquanto cada presidente do PRI — Partido Revolucionario Institucional — apontou seu sucessor pelo “dedazo.” Agora, em pleno  século 21, o sofrido povo mexicano podem se divertir com uma bilionária e «envenenada» corrida «democrática» que arranca-se a partir do primeiro dia de julho, assim como a gente. Nem é tão complicada assim.

Perguntem a Barack Obama. O Washington Post recentemente relatou uma festa na cidade ensolarada de Cancún onde os consultores do presidente nas eleições de 2008 compartilhava os segredos do seu sucesso com os colegas mexicanos. “[Ademocracia] é um negócio de exportação,” disse Tom Edmonds, chefe do  International Association of Political Consultants.”. “Estamos deixando nossa logomarca nos métodos de paises no mundo inteiro».

Os ingressos custaram US$900 cada.

Os candidatos que lutam pelas chaves ao Los Pinos — a Granja do Torto mexicana — são a direitista Josefina Vazquez Mota do incumbente Partido de Acción Nacional (PAN) – a primeira candidata feminina na história — o esquerdista Andres Manuel Lopez Obrador do Partido da Revoluçao Democrática — ele quase que derrotara Calderón em 2006 — e  Enrique Pena Nieto do PRI, partido que exercía poder por 71 anos.

Um novato chamado Gabriel Quadri de la Torre do embaraçosamente oportunista partido nacional dos educadores, Nova Aliança | PANAL, também marca presença, embora com dificuldade. O comentário que ele fez sobre a comunidade indígena — “Nós mexicanos deveriamos parar de nos criticarmos, hoje todos somos classe média — deveria estrgar seus chances ainda mais. PANAL é quase universalmente percebido como um projeto de vaidade da Maestra, presidente vitalícia do sindicato, Elba Esther Gordillo.

Os coitados responsáveis pela arbitragem dessa luta-livre são os conselheiros-as do IFE, o Instituto Federal Eleitoral. Após uma polêmica temporada política em 2006, onde observava-se uma «guerra suja» espalhafatosa pela PNA contra o Lopez Obrador,  IFE impus regras mais rigorosas no pleito desse ano.Os partidos não podem mais comprar anúncios na TV — a mídia corporativa está desolada — os candidatos tem um orçamento restrito a US$25.6 milhões e o jogo sujo, como um todo, ficar interditada.

A maior fonte de mentiras. medos e mitomania, porém, era dinheiro do setor privado financiando campanhas sujérrimas sem fiscalização efetiva a não ser que muito ex post o fato consummado.

Esse jogo fica interditado em todo lugar que não seja a Internet, é claro. Será a primeira eleição mexicana a ser conduzida por Facebook, YouTube and Twitter. Apenas a terceira parte da população tem acesso regular à rede, mas as redes sociais são estremamente populars entre o 40% dos eleitores de entre 18 e 30 anos. A guerra na Internet tem sido bastante suja por sí só. Numa volta irónica, o candidato Pena Nieto foi acusado de utilizar «contas fantasmas» para exagerar o número de «hits»e seguidores no Twitter.