Uma Nota Sobre a Escola de Navarra-Palo Alto

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Novo e notável:

Seria interessante comparar o curso com o Master em Jornalismo brasileño sob a batuta do Sr. di Franco, deontólogo, notado casuista e advogado do diabo.

Acima, uma visão da Escola de Jornalismo do diário espanhol El Pais, desenhado em yEd a partir de um análise com Pajek de uma grande safra de dados sobre uma paisagem inteira de interentidades.

A coluna-blog brasileira Novo em Folha aparece no papel do que eu chamo de «sebo» ou «banca de revistas», repercutindo o conteudo de uma rica variedade de publicações estrangeiras, como o promulgado pelo Laboratório Nieman, da Harvard.

É uma versão intelectual do processo que traz a programação do canal Universal aos telespectadores do Brasil, com dublagem e legendas — nenhum dos quais realmente satisfaz, né?

Ora, faz tempo agora que estou tentando rastrear o que eu chamo da «Escola de Navarra» no campo de jornalismo contemporáneo.

Os exemplos mais elaborados dessa escola são os trabalhos feitos pela consultoria Innovation Media Consulting para o diário espanhol El Pais e o New York Times, que hoje são os jornais mais globalizados — quer dizer, católicos, no sentido genêrico — do mundo.

A consultora — que conta com executivos da Editora Abril entre seus fundadores — também foi instrumental na elaboração na rede globalizante de jornais, a WAN-IFRA.

A partir de dados recolhidos pelo uso de um «robô» — ou seja, uma «aranha» — consegui descobrir redes estruturalmente densas com laços mútuos assim como compartilhando ideias e ideologias — «memes» — entre si.

Adotando o modelo de organizações colaborativas virtuais da União Europeia, o ECOLEAD, fica possível esboçar os papeis jogados pelos vários componentes desse tipo de rede:

  1. Recursos técnicos — código aberto e semi-aberto tipo USHAHIDI ou Drupal, WidgetBox, Google Code, GitHub, SourceForge, assim como Ubuntu Linux ou seja o que for; tambem inclui todas as plataformas sociais pela distribuição viral de conteudo;
  2. Recursos retóricos — os «think tank» como fábricas de argumentos, teorias e ideologias, pautas e outras estratégias discursivas;
  3. Reclutamento — mercados virtuais de trabalho, marcados pelo pós-sindicalismo, em comunidades de interesse virtuais, tipo Media Bistro;
  4. Treinamento e Formação — marketing do digitalismo inovador visando jovens aspirantes a profissionais
  5. Consultoria — reestuturação radical das redações e o fluxo de trabalho dentro delas; integração entre propaganda e conteudo jornalístico

Os elementos encaixam-se no conceito de «virtual breeding environment» — «ambiente virtual de criação», ou «incubadora virtual». Essa atividade é tocada por institutos academicos com patrocinio de grandes filantropias, tal como a Knight, Pew, Annenberg e Soros. A rede Atlas é um exemplo bem nítido; oferece uma guia e caixa de ferramentas pela multiplicação de «institutos de pesquisa» de cunho neoliberal.

No momento, estou tentando compilar uma lista das consultoras e os fornecedores técnicos e discursivos atrás de vários grupos da indústria midiática.

Em particular, estou tentando entender a interação entre grupos midiáticos e as consultoras mais importantes — tarefa dificultada pela política de discrição e confidencialidade de algumas empresas do ramo, como o IMC.

Quais são as consultoras de maior sucesso no mercado globalizado de jornais e veículos noticiosos? Uma lista incompleta de candidatas …

  1. * Innovation Media Consulting
  2. * Errea Comunicacion
  3. *Tres Tristes Tigres > Prisa, Grupo Editorial Norma, Telecinco.es, Biblioteca Cervantes, Fundación Santillana …
  4. * Atex > Diario Oficial do Estado de S. Paulo, Jornal do Commêrcio, Estado de S. Paulo, O DiaEl Tiempo (Colombia) …
  5. * Consultora Di Franco > O Estado de S. Paulo (Brasil) | Grupo A Tarde (Brasil) | Última Hora (Paraguai) | El Mundo (Espanha) | The New York Times (Estados Unidos) | Discovery Channel (Estados Unidos) | Expresso (Portugal) | Jornal de Negócios (Portugal) | La Gaceta (Argentina) | Diário Popular (Pelotas – Brasil) | La Voz de Galicia (Espanha) | Diario de León (Espanha) | A Capital (Portugal) | Diario de Noticias (Espanha) | El Mundo (Venezuela) | El Norte de Castilla (Espanha) | Listín Diario (República Dominicana) | Última Noticias (Venezuela) | La Prensa (Nicaragua)
    Diari de Terrassa (Espanha) | Expreso (Equador) | La Prensa (Nicarágua) | Unomásuno (México)
  6. Digital Technology International > McClatchy, Chicago Sun-Times, Salt Lake Tribune, Cox Media, Swift Communications …
  7. Webb Media Group > Global Forum for Media Development GFMD; El Tiempo e El Espectador (Colombia); Fundação Knight; Departamento de Estado EUA; Univisión; USA Today; Instituto Reynolds de Jornalismo
  8. * Simples Consultora > clientes incluem ANJ, CUT, Editora Abril, DIESSE, Intervozes
  9. Bitban > clientes incluem o Clarin e decenas de diários espanhois e latinoamericanos
  10. Borrell Associates > Suburban Newspapers of America

Entre as mais ativas, a Errea Comunicación, cujos clientes incluem o Estadão, por exemplo. A seguir, uma amostra.

Assim, após identificar agências digitais com orientação ao Novo Jornalismo e «news design» — inspirado na estéticismo de Weimar — quero testar a hipótese de que integrantes de importantes grupos de jornais tem em comum o patrocínio a consultorias do Novo Jornalismo — a «inovação», o mandamento «concerte o jornalismo».

Inovar. Concertar. Mudar.

Considere, por exemplo, a clientela da Consultora di Franco, correlacionada com os integrantes do grupo Periódicos Associados Latinamericanos.

  1. O Estado de S. Paulo (Brasil)
  2. Grupo A Tarde (Brasil)
  3. Última Hora (Paraguai)
  4. * El Mundo (Espanha)
  5. The New York Times (Estados Unidos)
  6. Discovery Channel (Estados Unidos)
  7. * Expresso (Portugal)
  8. Jornal de Negócios (Portugal)
  9. La Gaceta (Argentina)
  10. Diário Popular (Pelotas – Brasil)
  11. La Voz de Galicia (Espanha)
  12. Diario de León (Espanha)
  13. A Capital (Portugal)
  14. Diario de Noticias (Espanha)
  15. * El Mundo (Venezuela)
  16. El Norte de Castilla (Espanha)
  17. Listín Diario (República Dominicana)
  18. Última Noticias (venezuela)
  19. * La Prensa (Nicaragua)
  20. Diario de Terrassa (Espanha)
  21. * Expreso (Equador)
  22. * La Prensa (Nicarágua)
  23. Unomásuno (México)
Com asterisco, integrantes dos PAL entre a clientela de di Franco.

Outros pertencem ao Grupo Diários Américas, como por exemplo O Globo.

Jornais servidos pela consultoria de Innovation Media Consulting e outras também tem em comum a participação em grupos de lobby nacionais — ANJ do Brasil, ANP no Chile, ADEPA de Argentina — e regionais — a SIPIAPA.

Acima, essas organizações relativas à consultora importante Atex, cuja clientela inclui a Editora Abril, Diarios Associados, Diário da Grande ABC, o Estadão, O Dia, e mais ainda.

O uso dos serviços da Atex é o ponto de contato entre clientes da consultora e redes maiores de elementos da incubadora virtual.

Acima, o posicionamento da IFEX dentro da rede anterior — fornece «intercâmbio de idéias» sobre liberdade de expressão e aparentemente se refere à CIMA, centro pelo desenvolvimento de mídias do National Endowment for Democracy.

[ a nota continua depois ]

Em fim, a produção de redes de colaboração intermediadas por compúteres envolve os vários componentes menciados acima, e também — quase que esqueci — a comunidade de capital de risco, os «venture caps».

Assim, a vizinhança virtual de Andiarios, a ANJ de Colombia, apresenta

  1. Plataformas de distribuição virtual — ISSUU, Widget Box, Posterous, Disqus e os de sempre: Facebook, Twitter, Linked In, MySpace, e seja o que for, tem tantos;
  2. Fontes de conceitos, argumentos, advogacia e lobby supranacionais — IFEX, RSF, SIPIAPA, Media Helping Media;
  3. Comunidades de profissionais, servindo como vetor de ensinamento e de um mercado virtual de trabalho — Society of News Designers, Clases de Periodismo;
  4. A consultora ATEX, entre outras …

Acima, a rede egocentrica da instituição colombiana …

O «meme» que unifica toda essa atividade dentro da chamada Escola de Navarra é a insistência no conceito de «inovação» — algo que contava também com a colaborção de institutos de pesquisa na Harvard e Stanford.

O trabalho desenvolvido para o GFMD | Fundo Global para Desenvolvimento de Mídia pelo Grupo Webb Media é bem interessante.

O GFMD

constitutes a network of some 500 non-governmental media assistance organisations operating in about 100 countries across Asia, Africa, the Middle East, Europe, Eurasia and the Americas, which support the development of independent media at the community, national and regional level.

Para facilitar a colaboração, o Webb Media

… prepared a special Interpreters Packet and Workflow with guidelines for translators. In addition, Webbmedia Group prepared research, reports and other materials in multiple languages.

O trabalho desenvolvido para o Departamento de Estado não pode ser detalhado, segundo a consultora. Deve ser algum tipo de «diplomacia pública» almejando audiências no além-mar.

Por enquanto, só isso.