O Medo da MIDia e o Pleito Venezuelano

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Segundo o New York Times de hoje, Medo e Ansiedade Persistem Entre Eleitores Venezuelanos Antes do Pleito.

Não pode haver um exemplo mais dramático — mais tosco, inclusive — do apelo retórico chamado de FUD — «fear, uncertainty and doubt», em inglês.

Segundo a Wikipédia — na minha tradução —

Medo, incerteza e dúvidas — FUD, no siglo em inglês — é uma tática muito utilizada em vendas, relações públicas, mercadologia, política e propaganda negra.

O termo se originou para descrever desinformação no setor de informática mas agora é aplicado mais geralmente. O apelo FUD é um exemplo do apelo ao medo.

Geralmente falando, é um a tentativa estratégica de influir a percepção pela disseminação de informações negativas e duvidosas ou falsas. Uma empresa, por exemplo, podia usar o MID para levantar opiniões e especulações desfavoráveis sobre os produtos de um concorrente …

Utiliza-se com frequência junto com pesquisas e o método estatístico para influir nas expectativas no eleitor. O exemplo mais utilizado é o empate técnico.

Agora, segundo o Times:

Muitos venezuelanos ansiosos de remover Chávez do poder, estando cansados com uma economica embaçada e crime desenfreado nas ruas, ainda estão com medo de votar porque temem a perda de um emprego governmental, uma casa construida pelo governo, ou outros serviços sociais.

Segue entrevistas com um punhado de «personagems» — exemplares da tendência apontada. (A gente fala de «poster child» — a criança bonita portadora da doença para que queremos coletar fundos, tática que humaniza a questão.)

Depois, o suposto clientelismo de Tio Hugo é comparado com a máquina política Nova Iorquino do Boss Tweed, no meio do século XIX. É uma analogia sem pé nem cabeça.

Embora institutos de pesquisa divergem bastante, algumas prevendo a vitória de Chávez e outros indicando uma corrida emparelhada, há um acordo generalizado de que o Chávez esteja mais vulnerável que nunca. Avaliando o pleito fica dificultado por causa da angústia de muitos venzuelanos que temem retaliação por um voto na oposição.

Um discurso de tendências, sem respaldo em números — números que supostamente  não levam em conta o fantasma do medo popular — é típico de o esquema FUD-MID.

É uma tendência que por definição não pode ser medida, presupondo que as pessoas entrevistadas são radicalmente desconfiáveis.

Antes do pleito de domino, o governo instalou um novo sistema de votação electrónico que muitos venezuelanos temem pode ser utilizados para rastrear o voto de quem votou contra o presidente.

Administradores eleitorais e líderes da oposição defendem a integridade do sistema, mais ainda há desconfiança, e grande parte da campanha de Capriles tem consistido em assegurar eleitores da confidencialidade do voto.

Quem reclama muito da urna eletrônica venezuelana são a turba de ORVEX lá na Miami.  Houve um escândalo menor sobre o fornecedor do software utilizado em 2004, mas o sistema foi certificado pelo Centro Carter no fim das contas.

“O governo é quem semeou este medo,” disse Capriles numa entrevista, acrescentando que a relutânica de expor seus opiniões tem distorcendo os resultados das pesquisas. “Se podemos superar o medo, acho que vamos poder ganhar por um milhão de votos.”

O medo tem raizes profundos. Venezuelanos lembram com amargura quando os nomes de milhões de eleitores foram divulgados publicamente após assinarem a petícão que levou ao referendo de 2004, buscando tirar o presidente do poder. Muitos trabalhadores governamentais que assinaram a petição perderam seu emprego.

No entanto, personagems que exemplificam essa alegada tendência são ausentes.

A Wikipédia aponta um livro interessante sobre o caso mais odioso desse apelo grosseiro às sombras da mente humana: a campanha para esconder os efeitos de tabagismo na saúde humana.

Vou lá comprar na Amazon.