Vladimiro e a Imprensa Peruana | Novas Revelações

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Fala-se muito hoje em dia no homem-bomba de este ou outro mensalão. Especula-se sobre tratos de portas fechadas entre donos de mídia e forças políticas.

Meros joguetes. Olhe isso: deu no Washington Post.

Alberto Fujimori, ex-ditador peruano, será processado mais uma vez, desta vez por ter organizado uma esquema de desvio de verbas públicas para comprar cobertura favorável da imprensa tabloide e as TVs popularescas.

Trata-se de um esquema de meros US$50 million. Traduzo:

O ex-presidente de Peru, Alberto Fujimori, já preso, deve ser processado pela suposta sonegação de quase US$ 50 milhões de dinheiro público para financiar um grupo de tablóides que faziam lobby para sua reeleição durante os últimos anos dele na presidência.

O supremo tribunal de Chile concordou em expandir os termos da extradição de 2007, quando Fujimori foi preso durante a tentativa de voltar ao Peru do Japão para resuscitar sua carreira política.

Fujimori, 74, já está servindo uma sentença de 25 anos pela autorização de esquadrões de morte e pela corrupção. Se for condenando novamente não receberia mas tempo, pois as sentenças correriam concorrentamente.

A mesma história repercutiu minimamente na Veja, a seguir.

O procurador peruano para casos de corrupção, Julio Arbizu, disse a jornalistas que a Corte Suprema do Chile autorizou acrescentar ao prontuário de Fujimori a acusação de ter desviado recursos públicos para comprar as linhas editoriais de jornais populares entre 1998 e 2000.

Tudo bem, mas foi o sempre honrável jornal La República — diário bom de briga de cunho liberal, inimigo implacável do governo Fujimori a portanto alvo de fortes campanhas de assassinato de reputação — que deu os nomes aos bois e mostrou que as verbas viram do orçamento das forças armadas.

La máxima instancia de la justicia de Chile aceptó por unanimidad ampliar las causales de extradición del ex presidente para que el Poder Judicial del Perú lo procese por ordenar la malversación de 120 millones de soles de las FFAA. Con esos fondos se sobornó a diarios populares para que hicieran campaña por la reelección de Fujimori y destruyeran la reputación de políticos y periodistas.

O esquema foi tocado pela mão-direita e araponga-more de Fujimori, Vladimiro Montesinos. As verbas viram do orçamento das Forças Armadas.

Y fue justamente Montesinos quien, durante el juicio que enfrentó por el caso, señaló la responsabilidad del ex jefe del Estado: “Fujimori me ordena que se realice un estudio de medición de opinión pública sobre la aceptación que tenían los denominados diarios chicha […]. Decidió que debería iniciarse un contacto con los diarios ‘Mañanero’, ‘La Chuchi’, ‘Diario Más’, ‘El Chato’, ‘Conclusión’, ‘El Tío’ y ‘La Yuca’ […]. Se paga a los periódicos con la finalidad de difundir la imagen de Fujimori y apoyar su campaña de reelección presidencial, así como cuestionar a los opositores políticos. Todo se hizo en beneficio exclusivo del ex presidente Fujimori y por orden expresa del mismo es que se implementó esa tarea”, expresó el ex asesor presidencial.

También declararon en el mismo sentido el ex comandante general del Ejército general (r) José Villanueva, el ex comandante general de la FAP teniente general (r) Elesván Bello, el ex ministro de Defensa general (r) Carlos Bergamino, entre otros altos mandos.

Veja também (em inglês)

Um estudo realizado em 2004 pela Stanford Institute on International Studies (PDF) mostrou o grau surreal da propinabilidade — desculpe o neologismo — da imprensa peruana naquela época.

Quais dos freios e equilíbrios democráticos — os partidos de oposição, o judiciário, a imprensa livre — fala mais alto no Peru? Peru tem um conjunto de instituições democráticas, mas embora isso, durante os anos 1990s, o chefe da polícia secreta, Montesinos, sistematicamente minou todas elas com a prática de propinas, pagando a um dono de mídia 100 vezes o que oferecia um juiz ou um político. Um canal de televisão recebeu propina cinco vezes maior do que o total pago a políticos da oposição.

Os autores inovam na análise desse tipo de corrupção utilizando uma «solução de mercado» para vários atos de corrupção do esquema. Na tabela de preços de Montesinos, a TV  era de longe a instituição democrática com ações mais em alta.

Montesinos mantinha uma contabilidade detalhada de suas transações. Mandou recipientes de propina assinar contratos detalhados descrevendo os deveres do assinante. Pedia recibos pelo dinheiro recebido. Surpreendentemente, mandava gravar todas negociações que conduzia.

Em nossa relatório, utilizanos os recibos e fitas de Montesinos para mostrar a decadencia de freios e equilíbrios democráticos. Montesinos e Fujimori mantinham a fachada de democracia — eleitores votavam, juizes decidiam, a mídia relatava os acontecimentos — mas esgotaram a sua essência. Relatamos com os dois minavam a democracia, com a negociação e execução de arranjos clandestinos e as engrenagens do autoritarianismo clandestino.

Dos freios e equilíbrios de uma democracia saudável, quas são os mais importante. Nós utilizamos os preços das propinas para determinar o valor relativo dos vários elementos. O tamanho da propina indica o quanto Montesina teve vontade de subornar quem apresentou-lhe com obstáculos. O suborno típico pago ao dono de uma televisão era cem vezes aquilo pago a um político, que costumava ser mais caro do que o suborno a um juiz. A propina paga a uma única TV foi cinco vezes aquela paga a todos os políticos opositores junto. Podemos avaliar que a TV foi a força democrática mais crucial na contabilidade de Montesinos.