«O Brinde de Obama Para Rupert»

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Deu no Huffington Post:

Tradução minha.

E se eu dissesse que o primeiro passo a ser dado pelo novo governo de Obama após as eleições será um enorme vale-presente para o Rupert Murdoch?

Vocês responderiam perguntando, uai, úm brinde tão generoso para aquele cara dono do Fox News?

O mesmo que escandalizou a Inglaterra com espionagem industrial, chantagem e suborno?

O mesmo que acorda no meio da noite pensando, na sua conta de Twitter, o que fazer com “uma imprensa dominada por judéus”?

Puxa!

Murdoch já é dono do Wall Street Journal, o New York Post, o Fox News Channel, os estúdios de cinema da Fox, uns 27 TVs locais através a nação, e mais — muito, muito mais.

Os boatos estão dizendo que o australiano agora cobiça o Los Angeles Times e Chicago Tribune — dois jornais quase falidos mas que continuam dominantes nos segundos e terceiros maiores mercados nos EUA, respectivamente, e onde Murdoch já tem importantes emissoras de TV.

Quanto ao Tribune …

Quanto aos Times …

Segundo a legislação vigente, Murdoch não pode e nem pode comprar estes jornais.

Seria ilegal … a não ser que a Comissão Federal de Comunicações — FCC — mudasse as regras.

Segundo vários relatos, porém, é exatamente isso que o presidente da FCC, Julius Genachowski, pretende fazer.

Genachowski fez circular dentro da FCC um decreto que suspende a interdição de qualquer transação que deixaria uma única empresa virar dono de jornais e TVs à mesma vez no mesmo mercado. A regra vale nos 20 maiores mercados do país.

Agora, Genachowskhi pretende entregar este presentinho bem na hora dos feriados de Natal.

Sem Diversidade, um Desastre para Democracia.

Se essas mudanças surtarem efeito, Murdoch acabaria como o dono do Los Angeles Times, dois TVs e quase 8 rádios, todos em Los Angeles.

E ele não ser-a o único a se beneficiar. Essas mudanças podiam trazer mais canais para Comcast-NBC, mais negócios para Disney, e mais rádios para Sinclair.

Para quem se preocupe com a diversidade na média e a democracia, a estripação de todas as limites sobre a propriedade de mídia será um desastre total.

As regras da FCC são entre as últimas barreiras à formação de monopólios regionais dessa natureza. Sem essas regras, vamos perder o mercado competitivo para notícias locais. Assistiremos uma média cada vez mais achatado, monótono e monócromo.

Dados da mesma FCC mostram que a propriedade de emissoras de rádio e TV por mulheres e minoridades já estão nos fundos. As mulheres tem posse de 7% de emissoras de rádio e TV; afro-descendentes tem apenas 3.6% das TVs e 8% of das rádios.

A concentração continuada desse mercado levaria a um éxodo de donos nanicos do mercado, a maiora deles mulheres e afro-descendente. Por mais que a mídia local ficar concentrado, torna menos provável que essas vozes serão ouvidas.

É por issue que grupos como a Leadership Conference on Civil and Human Rights, Center for Media Justice e a National Hispanic Media Coalition denunciam qualquer afrouxamento de limites sobre a posso de veículos de mídia.

Déjà Vu Mais Uma Vez

A proposta de Genachowski, da FCC, fica indistinguível das políticas falhas do governo Bush de 2003 e 2007. São 99% dos comerntários recebidos pela FCC que se-opunha, ao afrouxamento das regras quando os Republicanos tentaram implementá-las.

A proposta de Genachowski é quase idéntica àquela que o Senado votou a anular por meio de uma resolução bipartidária em 2008. Entre os senadores patrocinadores dessa medida contra concentração desempestada foram Joe Biden e Barack Obama.

Na época, Obama fustigava a FCC por ter “falhado a fazer progredir as metas de diversificação e localização.” Disse também que “não há como justificar uma medida que facilita maior concentração.” Desde então, nada tem mudado — apenas o partido que controle a Casa Branca.

Os tribunais federais repetidamente — a última vez foi em 2011 — julgaram nulas estas regras, observando que a FCC “nem levou em conta o efeito dessas regras sobre o posse por minoridades e mulheres. O 3o Circuit Court of Appeals mandou a FCC estudar os efeitos de mudanças nas regras antes de mudá-las. Mas a FCC ainda não fez nada nesse sentido.

Quando os Republicanos estavam em poder, convocaram pelo menos sete audiências públicas sobre o posse de empresas midiáticas. A oposição de quase todos os congressistas à concentração crescente da mídia era patente.

Genachowski, porém, jamais participou em nenhuma audiência sobre o posse de veículos de mídia. O mesmo vale para os comisários mais novos, a Democrata Jessica Rosenworcel e o Republicano Ajit Pai. O Republicano com mais antiguidade  Robert McDowell, assistiu algumas audiências … cinco anos atrás. Apenas a Democrata Mignon Clyburn frequentou uma audiência pública sobre o posse de mídia durante o governo Obama.

Mas se o ponto de vista do Genachowski prevaleça, fontes dentro da FCC dizem que votará na mudança de regras “sob circulação” — quer dizer em secred e atrás portas fechadas, sem participação pública o responsabilidade. É uma vergonha

Podemos Fazer Algo?

O comportamento de Genachowski ficou muito esquisito, uma vez que o caminho mais facil a seguir nessa situação era simplesmente não fazer coisa alguma.

Após perder na justiça, ele podia ter deixado de atuar, aquardando a próxima revisão do assunto em 2014, quando as pesquisas sobre diversidade e as tendências da induśtria poderão ter sido mais claros.

“Não faça nada” é tão frequente na FCC que bem podia ser seu lema oficial. Neste raro exemplo de silêncio expressivo, porém, Genachowski está fazendo de tudo para defender o Murdoch contra as massas.

Ainda podemos impedir este terrível plano. Os outros integrantes podem divergir e mandar o assunto outra vez à mesa de desenho. Os decenas de Senadores que votaram contra a medida cinco anos atrás podem retomar a voz. O governo Obama deveria pensar mais em interrogando Rupert Murdoch de que apaziguá-lo.
Mas nada disso acontecerá sem milhões de pessoas fazendo um grande barulho.
Deveriamos desmanchar esses conglomerados em vez de fortalecé-los. Agora mesmo, no entanto, precisamos matar essa política para sempre — lembrando à FCC que 99% do público se opos a consolidação da mĩdia, não importa quem está instalada na Casa Branca ou a FCC.