Gêneros de Jabá | O Relatório Rick Rockwell, II

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privataria tucana em cordel

Fonte da imagem: Maria Fro

Dia desses, eu gostaria produzir uma botânica completa do jornalismo corrupto — aquele bicho raro que nem os observadores da imprensa de plantão conseguem enxergar quando trata-se do seu próprio quintal.

Uma nota minha recente, por exemple, encontrou um pesquisador de alma-gêmea. O trabalho fornece um ponto de vista cuidadosamente detalhada e fundamentada sobre relações incestuosas entre o lado comercial e editorial de um jornal ou revista ou telejornal ou que seja. Leia-se aqui:

O estudo que parcialmente traduzi naquela nota faz um ótima cartografia de corrupção dentre da mídia em vários paises da América do Norte e América Central. Foi publicado em 2002 pelo pesquisador Rick Rockwell. Tomo a liberdade de traduzir o título.

Corrupção e Calamidade: Limites Sobre Jornalismo Ético em México e América Central
Rick Rockwell
Global Media Journal
Vol 1, Issue 1 (2002)

Na última nota, eu traduzi uma análise do mexicano «la gacetilla» — um esquema no qual jornalistas vendem matérias pagas a fontes, e avançam na carreira na medida de que são bem-sucedidos nesse trabalho informal.

Hoje será a vez da imprensa de Panamá e Honduras.

Depois, se ou tempo permitir, é a vez de Guatemala, e acabamos com nais detalhes sobre a situação do jornalismo mexicano.

A Função Essencial do Jornalismo

Durante a última década, Mexico é America Central começaram a transição a sistemas verdadeiramente democráticos, substituindo as democracias de fachada do passado.

A função essencial do jornalism e a mídia dentro desse tipo de sistem é de conectar os governados aos governadores, permitindo diversas opiniões a borbulhar até a superfície do sistema político e influenciar as políticas desses Estados.

O filósofo inglês John Stuart Mill (1961) nos lembra que jornalistas deviam se esforçar no sentido desse objetivo avaliando-se de métodos éticos e levando em mente a defesa de direitos individuais em sistemas democráticos.

Isso é o ideal.

Na prática, sistemas de mídia na América Latina mostram-se deficiente no apoio ao ideal democrático da profissião.

O Jornalista brasileiro Carlos Eduardo Lins da Silva (2000), por example, escreve sobre o conluio entre fortes governos centrais eminentes donos de mídia e estruturas elites de poder minam os esforços no sentido de um processo ético dirigidos ao desenvolvimento de estruturas mais democríticas,

No Brasil, donos de mídia e figuras midiáticos conhecidos também são parte do sistema político e empresarial a cuja influência os códigos éticos pretendem restringir.

Enquanto jornalistas são chamados a ser observadores independentes, não podem divorciar-se completamente das realidades políticas e econômicas do seu trabalho.

O grau de interferência em tentativas de estabelecer nova práticas no México e América Central são frequentemente ignorado ou subestimado.

Num livro sobre emissoras da América Latina, Elizabeth Fox (1997) escreve longamente sobre a dependência entre o setor de mídia e o governo, tal como entre outros poderes de elites no Brasil, México e outros paises.

Á ética promovida não e propriamente falando um ética verdadeiramente utilítaria.

A comunidade tem pouca voz na governança desses sistemas.

A mídia não serve como guarda civil cuidando do trâfego numa via de mão-dupla entre os poderosos e a cidadania.

Tais sistemas são, na verdade, vias de mão-única, e a comunidade é formada pelas opiniões de um punhado de poderosos.

Embora chamando-se de democracias, estes governos são longe do ideal.

A fonte de grande número dos problemas sofridos pelo jornalismo são donos de mídia que recusam a reconhecer os problemas do mão-de-obra

Primeiro, os salários de muitos jornalistas na região são extremamente baixos.

Muitos jornalistas precisam achar outros meios, as vezes corruptos, para alcançar a classe média

Muitas vezes piorando esse fato é que donos, redatores e editores fazem vista grossa ao problema de corrupção dentro da redação.

O sistema de corrupção apoia o uso de ações violentas para reforçar limites na liberdade de expressão no caso de jornalistas que recusam receber suborno ou que não satisfazem seus patrões dentro do sistema corrupto.

Assim, donos de mídia e aqueles que aceitam propinas e favores especiais dentro do sistema são às vezes cúmplices na violência praticada contra jornalistas que rechacem os métodos dessa velha guarda.

A clima de corrupção alimenta um sistem no qual atos de violência contra jornalistas são cometidos com pura impunidade pelos traficantes ou governadores aliados como os traficantes.

Nesse estudo nos esboçaremos essa alianças.

No entanto, assim como a democracia está crescendo, ja evoluiu um cabo-de guerra não apenas dentro de sistemas individuais mas também nos sistemas de mídia desses paises em transição.

Esse cabo-de-guerra revela como corrupção e violêncio são os dois lados da mesma moeda — o objetivo de controlar a mídia.

PANAMA

No Panamá, uma tentativa de criar uma nova cultura para jornalismo começou nos meados dos anos 1990s

Rompendo com a cultura tradicional, os jornalistas começaram com uma tarefa introspectiva que examinava a forma nativa de corrupção, chamado de «la botella» .

Uma reportagem importante sobre esse sistema corrupto tratava-se de um tal de Edwin Wald.

Wald era jornalista trabalhando na assessoria da imprensa da Assembléia Nacional.

Wald revelou que o presidente da Assembléia, Balbina Herrera, aprovou propinas regulares às jornalistas, de entre $400 a $2,600 por mes. (Guerrero, 1995).

Levando em conta que o salário médio de um jornalista panamenha não passa de $300 mensais, estes eram incentivos sedutores.

A denúncia de Wald apareceu em quatro dos maiores diários da Panamá, assim como na rede de TV Canal 2.

Foi a primeira vez que jornalistas falavam abertamente sobre a cultura informal de propina sobre o qual o sistema tinha sido fundamentado.

Dois jornais, La Prensa e El Panamá Américan chegou a revelar os nomes dos próprios empregado envolvidos no esquema.

Ambos jornais tinham gerentes e donos que abraçaram os novos, mais exigentes códigos de conducto.

Jornalistas de uma das rádios mais populares e o canal nacional Canal 4 também foram identificado pelo furo de reportagem.

As denúncias foram recebidas com desacato e zombaria.

Herrera negou as denúncia e observou que os únicos empregados do legislativo que produzia cobertura positiva foram lotados no gabinete de Wald

A liderança do sindicato nacional de jornalistas and sua entidade profissional também viram resgatar Herreira.

O Colegio Nacional de Periodistas e sua presidente, Barbara Bloise, observou que salários pifios encorajava a busca de bicos.

A associação defendia os jornalistas argumentando que tinham o direito de ser pagos por serviços oferecidos fora da expediente, assim como não recebian o suficiente dos donos para sobreviver.

Bloise insistia no direito de jornalistas de associar-se com qualquer pesso, uma vez que fosse fora do serviço, e de que podiam buscar um bico se o salário não bastava.

Bloise disse que os pagamentos foram pagos em troco de relações públicas feitas para o legislativo, embora tinha sido óbvio a todo mundo que este trabalho não era separado do trabalho que faziam oficialmente.

A panamenha La Prensa, no passado considerado um dos melhores na América Latina, partiu pelo contra-ataque.

Numa série de matéiras, o jornal levantou dúvidas sobre os conflitos de interesse do próprio Bloise.

Revelou que Bloise não somente trabalhava no Canal 13 (tido na época como apoiando o governo direitista) mais mantinham outro empregos também.but she held other outside jobs as well.

O jornal mostrou que trabalhava muito para uma empresa panamenha e fazia relações públicas para a Universidade da Panamá.

Se trabalho pela universidade colocou-la na folha de pagamento público, abrindo ela ao questionam,ento de políticos como Herrera (Guerrero, 1995).

Ficou claro, no entanto, que essa guerra de palavras no congresso mostrava o quanto os padrões de La Prensa, moldado pelo figura admirável de redator Winston Robles, eram muito diferentes de que em outras midias do país.

Os padrões de Roble standards tinham mais a ver com o ideal de Mills para uma sociedade democrática apoiada por jornalistas.

Às rádios e TV e os numerosos jornais de Panama, se uma organização que receber cobertura das suas atividades ou emitir um release, normalmente haverá um pagamento em dinheiro vivo or uma troca de favores.

Maribel Rodriguez Munoz (1998), diretora de uma NGO dedicada à limpeza das ruas nas pequenas vizinhança observa que tal sistem pode dificultar o trabalhos de grupos como essas, encarecendo o custo de receber cobertura ou divulgar um release.

Ainda assim, disse, ele às vezes prefere este sistema, apesar da oneração do seu orçamento, porque só assim garante a cobertura da sua organização.

Com La Prensa, que aceita o pagamento de espaço fora da venda tradicional de anúncios, a líder da ONG nem sempre convenceu os editores da importância das atividades do seu grupo.

Contatamos mais dez ONGs sobre a compra de cobertura in 1998.

A maioria concordava com o que disse Rodriguez.

Ainda assim, muitos envolvidos na sociedade civil concordam que operando em um sistema desses, o sistema, pela própria natureza, desperta dúvidas sobre a veracidade da reportagem e levanta a suspeita de que apenas ONGs endinheiradas tenham o dinheiro ou contatos requisitas.

No sistema panamenha, editores e jornalistas de La Presna são alvos frequentes de críticas por conta da promoção de padrões novos, e mais limpos.

Gustavo Gorriti,um peruviano que trabalhava como repórter investigativo e editor na La Prensa, é o melhor exemplo do coragem de novos jornalistasdo personifies how courageous new era, e de como estes acabam em rota de colisão com a cultura tradicional da profissão.

Durante sua estadia na La Prensa, Gorriti foi ameaçado com expulsão devido a suas reportagens. Ele poderia ter sido deportado a um país onde já tinha sido vitima de sequestor e alvo de ameaças de morte por causa do seu trabalho durante a época de Fujimori em poder.

Após uma praga de problemas juridicais envolvendo denúncias de calúnia e ameaças sobre a revogação do visto del, Gorrit eventualmente voltou para Peru quando Alejandro Toledo substitiu Fujimori.

Originalmente, Gorriti (1998) mudou pela Panamá porque via o pais como “um paraiso do jornalista investigativo,” um elo regional onde grande parte do dinheiro de drogas estava sendo lavada.

Chegando em 1996, sua primeira investigação foi a falida Panamanian Agro-Industrial and Commerical Bank.

Gorriti contou como os senhores do tráfico utilizavam o banco para lavar dinheiro, escondendo sua participação com o apoio de autoridades corruptas.

Gorriti também constrangeu o ex-presidente Ernesto Pérez Balladares.

Gorriti desenterrou uma doação de $51,000 ao presidente por um traficante com laços ao cartel de Cali. Embora negava a denúncia, dizendo que a campanha recusou o dinheiro, foi obrigado, em fim, a corroborar a reportagem.

O governo de Pérez Balladares buscou vingança contra o peruviano encrenqueiro.

Durante o verão de 1997, o visto do Gorriti venceu, e o governo tentou deportá-lo e negá-lhe sua licença de trabalhar.

A comunidade internacional de jornalistas veio resgatar o Gorriti.

Grupos como a Committee to Protect Journalists (CPJ) e o International Press Institute (IPI) difundiam as dificuldades do jornalists.

Gorriti chamou a CIDH a intervir.

A mídia norteamericana adotou a história e ele foi perfilado pelos maiores jornais do pais.

Após meses de pressão, o governo Pérez Balladares recuou e emitiu-lhe um novo visto e nova licença de trabalho ao jornalistacontroverso.

As dificuldade de Gorriti e outros jornalistas investigativos na Panamá surgiram pelo fato de desafiar o sistema de parceirias aconchegantes entre jornalistas e o governo.

Na tentativa de expor os mecanismos do tráfico e suas ligações com o governo, jornalistas estão na contra-mão de um pais onde a corrupção existe dentro do jornalismo também.

A regra geralmente seguida é de não expor elites ou autoridades sem primeiro aproximar-se ao alvo para pedir um propina.

Durante o governo de Pérez Balladares, era facil journalistas obter subornos da Assembléia Nacional, o promotor de justiça e o gabinete do presidente.

Apesar dos assaltos sofridos, jornalistas panamenhos criavam um nova cultura não simplesmente denunciando outros jornalistas mas também utilizando aquela denúncia para atrair o interesse público a jornalismo mais “cão de guarda.”

Como o Mill observou, a imprensa deve servir de iluminar os mecanismos verdadeiros do governo para com que o povo seja cidadãos melhor informados.

A corrupção é um método eficaz de minar aquele papel público.

HONDURAS

Não muito longe da Panamá, na Honduras, jornalistas tentam criar uma nova cultura, fundamentada na ética, mas acabam occupando uma zona cinza e aceitando subornos “embaixo de mesa.”to some middle ground acceptance of below the table arrangements.

Dois anos antes do avanço realized na Panamá, um escândalo parecido emergiu dos jornais hondurenhos.

Quando um jornalista deixou na máquina xerox numa papelariauma lista de jornalistas que figuravam na folha de pagamentos do Tribunal Nacional de Eleições, os donos foram obrigados a enfrentar quem estava aceitando propinas.

A editora do Tiempo, Vilma Gloria Rosales, resolveu publicar a lista, apesar da ameaça de morte pelo jornalista que deixou-a na máquina enquanto calculava quem deviam quanto a quem.

Rosales também compartilhava a lista com os concorrentes.

No concorrente La Prensa, o editor Nelson Fernández (mais tarde promovido pela atuação nesse caso) também decidiu mandar imprimir a list, embora a lista identificarcolegas seus.

Foi um caso significante? TTiempo e La Prensa são considerados os jornais mais importantes do pais.

Tanto Fernández quanto Rosales resolveram demitir empregados que aceitavam propinas do governo.

Este confronto com a corrupção foi elogiado por jornalistas hondurenhos como o começo do fim de corrupção escancarada nas redações do pais.

Mas não resolveu o problema para sempre.

Dentro de seis anos, a editora de La Prensa, Maria Antonia Martinez. confessou saber que a corrupção ainda vigorava na sua redação, embora disse que os jornalistas sabiamente occultava da gestao do jornal.

Disse que em geral a maioria de redações ainda estava infectada pelo virus de práticas corruptas, ainda que a prática de aceitar propinas tivesse diminuida.

No sistema de hoje, disse Martinez, a corrupção toma várias formas.

Às vezes funciona como chantagem.

Um jornalista faria a pesquisa para uma nota negativa sobre alguem, e depois abordar essa pessoa ou empresa, pedindo um pagamento para matar a matéria.

Em outros casos, patrôes poderosos contravam jornalistas para espalhar inmundícies sobre seus inimigos.

Em 1998, Martinez flagrou um jornalista seu fazendo exatamente isso.

Optou para não demitir o repórter, mas o rebaixou e o mudou para cobriroutro assunto.

O repórter tinha construido laços com seus patrões corruptos fazendo a cobertura rotina dele.

Muitas vezes editores tomam parte nesses esquemas e recebem uma porcentagem.

Tal sistema, de certo jeito, permitia a venda de informações e artigos quase do mesmo jeito da venda de propaganda.

Como na Panama, diretores de ONGs na Honduras confirmam que custava muito dinheiro para inserir uma matéria no jornal.

Embora jornais de qualidade tipo Tiempo e La Prensa mudaram essa prática, as mudanças não acabaram de vez com a corrupçao.

Continuamos amanhã.