Quênia | Quem Controla a Mídia & Como?

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mzungurantingbribe

Acrescenta a frase «envelope marrom» — na Inglês de Quênia, «brown envolope» — ao vocabulário de corrupção entre jornalistas do mundo inteiro.

Nesse meu projeto de construir uma bibliografia código-aberto sobre a corrupção de mídia nos mais vários lugares do mundo — código aberto porque aqui em São Paulo parece não ter biblioteca pública com os principais bases de dados de pesquisas que preciso — cruzei com o relatório traduzido em parte aqui pra baixo.

Fonte:

Fredrick Mudhai
Time to harvest? Media, corruption and elections in Kenya
The International Journal of Communication Ethics.
Vol 4, No 4, 2007

Cheguei a acompanhar o principais diário do capital por um tempo antes do crise se resolver. O veículo mais sofisticado hoje parece ser Daily Nation — Nation Media Group (NMG) Limited. O jornal tem a distinção de ter sido

fundado por Sua Alteza o Aga Khan em 1959 .. já virou o terceiro maior empresa de mídia no Leste e Centro de África. Tem sido cotado na Bolsa de Valores de Nairobi desde o começo dos 1970s.

Concorrentes são o Star e o Standard Digital

Mas voltando ao artigo.

Escrito durante o crise provocado pelas eleições — fraudulentas pra caraca — de 2007-8, o texto resumido aqui tem mais valor anedótico do que sistemático.

Cê sabe como é.

Todas as empresas de mídia razoavelmente isentas são semelhantes.

Todas as corruptas têm seu próprio jogo de cintuar. Portanto, meu propósito é de colecionar quantas anedotas possíveis, indo bem além de Oiapoque e Chuí. O resumo:

Preocupações estão em alta sobre a corrupção continuada na mídia corporativa de Quênia, na esteira de uma série recente de escândalos. Nesse artigo, Okoth Fred Mudhai discute as chamadas à mídia par por sua casa em ordem, com énfase nas práticas correntes e nos passos a serem tomados no futuro.

Começa a ler:

Há vários livros sobre a corrupção endêmico na Quênia (Mute 2001; Kidombo 2004; Sihanya 2005; Mati 2007). A luta contra a corrupção virou uma industria dominada por ONGs e agências governamentais, financiadas pelos doadores e contribuintes.

O chefe da comissão anti-corrupção do governo, Minstro Aaron Ringera, ganha KSh 2.5 mi ($45,000 ou £18,121) por mês sem mostrar resultados tangíveis.

Num país mergulhado fundamente na corrupção e o velho patrimonialismo, pode-se esperar que políticos vão querer esconder sua má conduta ou aparecer nos bons olhos do público na televisão.

Com a onda de pluralismo dos anos 1990s, a concorrência pela atenção da TV esquentou, e com isso a oferta de dinheiro e outros bens e favores aos donos, editores e jornalistas, especialmente durante as eleições. Foram muito poucas surpresas desagradáveis durante a época de monopartidarismo. A emenda da Constituição, porém, trouxe o multipartidarismo de volta, e com isso, muitos desafios a mídia estabelecida e o crescente setor de mídia alternativa. Houve pressão para que profissionais seguissem padrões éticos de objetividade, equilíbrio e imparcialidade.

Embora vários fatores extrínsecos têm afetados o papel democrático da mídia na África, analistas tendem a concordar que as empresas e profissionais de mídia “são reus” por conta do conduto pouco profissional e eticamente suspeito. A opinião vale ainda mas para Quênia, onde a mídia se louvo a si mesmo como o promotor do Quarto Estado. Por exemplo, o ex-secretário geral do sindicato nacional de jornalistas, Ezekiel Mutua (nomeado a um poste no Ministério de Comunicações em 2007) refere-se à mídia como “defensor de democracia” e “cão de guarda  que atua como um “freio” nos abusos de poder.

Contudo, como senhalou o presidente da South African Broadcasting Association, Arlindo Lopes, apelando ao interesse público não basta. Jornalistas precisam tomar atitudes na vida real.

Eu quero sugerir que a liberdade de expressão talvez não seja suficiente para combater corrupção. Sem dúvida, é uma necessidade, mas em si não é suficiente. Profissionais que querer envolver-se nessa campanha devem aderir aos valores defendidos.

A responsabilidade social,Lopes sugere, exige jornalismo objetivo e equilibrado  e mais importante ainda, a manutenção de um papel neutro. Estes princípios não são possíveis quando a mídia é corrupta. A mídia precisa ser responsável para resgatar seu papel como o Quarto Estado.

A liberdade da mídia pode ser medida pela capacidade de atuar como observador ou cão de guarda para a sociedade como um todo, inclusive não-políticos e si mesmos. Jornalistas tem medo de investigar corrupção dentro da empresa onde trabalham. É muito comum o pagamento de um propina e troca de publicar artigos favoráveis.

Exemplos de má conduta observada pela International Federation of Journalists (IFJ) e o International Press Institute (IPI) mostra que jornalistas devem melhorar seus padrões e elimina subornos.

Pedras e Vidros

Durante vários anos, os elites em poder em vários países africanos procuravam emascular a voz do povo, utilizando as fraquezas éticas internas tanto na nova mídia quanto na velha. Por um longo período, a midia relutava encarar suas próprias asneiras, subestimando ou ignorando sua importância. Uma das críticas mais contundentes, porém, foi do presidente sudafricano Thabo Mbeki em um discurso ao 60th Annual World Association of Newspapers (WAN) Congress in Cape Town nos meados de 2007:

Sem dúvida é o dever da mídia refletir e comportar-se de tal maneira de que contribuirá e não minará os padrôes aceitáveis de moralidade pública dentro de uma democracia progressista e esclarecida. Além de constituir o Quatro Estado, o que por direito deve ser libre da ingerências do Estado, não é o caso que tenha os deveres de cidadania? (Mbeki 2007)

Naquelo mesmo tempo, um político do partido de governo na Quênia deu declaração parecida, ironizando o discurso moralista com a fraqueza ética dentro da casa da grande mídia.

Na Quênia, a mídia falhou no quesito de iluminar seus próprios escândalos de exploração e corrupção grosseira. “E por que vês o argueiro no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu olho?”

Numa entrevista dita exclusiva com um projeto online baseado nos EUA, Alfred Mutua falou no nome do governo que a mídia corporativa já virou sinônimo de corrupção e assim lhe faltava o direito de acusar os outros. Ele destacou a mídia imprensa, dizendo que seus jornalistas tinha má reputação de corrupção passiva em troca de influência sobre o conteudo do veículo.

«Eu tenho provas de que políticos são pagando um monte de dinheiro para ver sua cara e nome estampada na capa do jornal. É um esquema bem-coordenado onde também asseguram que qualquer notícia positiva, especialmente se tem origem no governo, é cortado pelo raiz e jamais ultrapassa a mesa do revisor.»

Desafiado a comprovar sua denúncia, Dr Mutua mandou um fax assinado dizendo que jornais pediam Ksh 250,000 ($3,800 or £1,812) por manchete principal, enquanto outros pagava Ksh 6m ($90,000 or £43,505) por mês para suprimir manchetes vindo do governo.

«É do conhecimento até do mundo mineral que editores e revisors acumularam grande riqueza destas propinas,» ele disse, acrescentando que ia dar nomes a pessoas que “prega agua, beba vinho” — uma ameaça, porém, a o involvimento em propinas pagas a editores mais antigos.

Um relatório pela US Department of State em 2003, sobre direitos humanos na Quênia, mostrou que ‘alguns editores e jornalistas parecem praticar autocensura, se por pressão do governo como por pagamento de propinas.

Embora acusados por leitores de ser propagandístico, o jornal online não somente divulgou os sentimentos de Mutua após uma reunião anticorrupção em Mombasa mas também apresentou as opiniões de um líder da oposição, rastreado até Tallahassee, na Florida. Raila Odinga, chefe do Orange Democratic Movement (ODM), rejeitou as denúncias como “os últimos chutes de um cavalo moribundo” por parte de um governo cada vez menos popular mais ainda decidido a oprimir a liberdade da imprensa.

Kadhi, na resposta, acusou Odinga de empregar “táticas espertas … aperfeiçoadas pelo [ex-president] Moi, táticas que incluem a manipulação da mídia.”