«Bombeiros Que Resgatam Bichas Não Atuam Em Milícias»

Padrão

No YouTube, cruzamos com a propaganda política dos candidatos Márcio Motta (PSB) e um lendário salva-vidas do corpo de bombeiros do Rio, aposentado após 33 anos de serviço: o Coronel Marcos Silva.

askcolonel

O vídeo é colocado sob o título de «Bombeiros | Milicianos | Eleições 2010» pelo usuário locutormarciomotta.

colonelanswer

Em geral, essa propaganda faz bate forte na tecla da imagem de o «colonel pinguim». O candidato evidentemente resgatou alguns pássaros com bússolas confusas vindos da Patagónia.

notcriminals

Agora, neste, o quinto de nove vídeos disponibilizados no site, Coronel Silva defende a Corporação de um factóide antes desconhecido por mim: a denúncia de que quase 25% dos bombeiros do Rio fazem bico tomando parte nas milícias. Parece ter surgido da CPI das Milícias de poucos anos atrás.

Na época, a afirmação, partindo de uma matéria de O Globo, foi o assunto de um discurso na Alerj pelo deputado estadual Paulo Ramos (PDT) — site official — no qual criticava o metódo atrás do número:

O Secretário compareceu aqui na última segunda-feira. Perguntado a respeito, S. Exa. deu uma nova resposta, que não seriam 25% do efetivo do Corpo de Bombeiros envolvidos em milícias, nem 25% dos milicianos seriam bombeiros, não; mas que 25% dos investigados de envolvimento em milícias, seriam bombeiros e militares, mas se recusou S. Exa. a dizer o número de investigados, alegando necessidade de preservação do sigilo em homenagem às investigações.

Na verdade, a estimativa veio do secretário estadual de segurança, Beltrame. O deputado estadual Freixo, presidente da CPI das Milícias, reclamou da falta de vigilância da corregedoria e apontou uma certa loucura na legislação brasileira.

 Para o parlamentar, a perda do direito de portar armas é a principal forma de conter a crescente participação de bombeiros em grupos paramilitares.

O quê? Vocês armam seus bombeiros? Tão loucos?

Por sua parte, O Colonel Pinguim repete o argumento conhecido na retórica como o argumento da plausibilidade ou da verisimilitude. «A mão que salva a vida não mata», repete-se várias vezes. Seria implausível imaginar o contrário. Quem cuida de bichos fofos e vulneráveis não seria capaz de puxar o gatilho.

Bem, mas as possibilidades deste mundo são maiores do que isso.

Projeto Fase II

O próximo passo será produzir uma versão legendada para poder comentar o caso com o leitor inglês-falante. A Menina de Letras vai contribuir uma transcrição caprichada.

Anúncios