Amizade EEUU-Brazil | Arquivos Declassificados Sobre DOPS

Padrão
vlado_ditabranda1

Soft dictatorship in Brazil, according to the Folha de S. Paulo. Author: Latuff

Li-o no Vi o Mundo:

Meio escandaloso em si, o important da revelação parece ser que, graças a um caderno que registrava cada um que encontrou, ficou possivel narra-se as idas e vindas de prisoneiros e forças de repressão.

Segundo outras fontes denunciadas pelo relatório, porém, aparece que esse tal de Claris Rowley Halliwell era um adido político ao consulado e não o cônsul mesmo.

Além disso, o Halliwell deixou poucos rastros da carreira dele — aparece apenas um aviso de que ele tornaria alvo dos grupos armados dentro do Brasil. Não se explique por que. Leia-se mais (inglês):

Agora, devido a toda a cobertura sensacional recebida pelo Wikileaks, é bom lembrar de que o governo — dos EUA, quero dizer — declassifica centenas senão milhares do documentos cada ano, uma obligação sob a Lei de Transparência, o FOIA.. É só navegar ao

As datas das materiais podem parecer meio ultrapassado, mas de fato coincide muito bem com a linha de tempo da Comissão de Paz no momento.

brazuke70s

Lá, no site da OPA, achamos arquivos oficiais desclassificados em 2006 depois de ser congelados desde o começo dos anos 1980.

Seria muito trabalhoso organizar e traduzir tudo que já li desses documentos, mas para começar, o seguinte é uma amostra do trabalho diplomático da época — com seus métodos e fontes e conselheiros de confiança dentro da população local.

De todos os indícios de interferência dentro do Brazil, havia uma pressão vindo do Tio Sam de acabar com a tortura e atrelar as pessoas responsáveis.

DEOPS |  Human Rights

O despacho enfoca a morte do jornalista Vladimir Herzog.

Vlado e o efeito Rashomon

Tradução mambembe é minha.

CONFIDENTIAL PAGE 01 BRASIL 10915 01 OF 02 231552Z 44 ACTION ARA-10 INFO OCT-01 ISO-00 PM-04 NSC-05 SP-02 SS-15 CIAE-00 DODE-00 INR-07 NSAE-00 PA-01 USIA-06 PRS-01 AID-05 PC-01 L-03 H-02 DHA-02 IO-10 /075 W ——————— 007217 R 231420Z DEC 75 FM AMEMBASSY BRASILIA TO SECSTATE WASHDC 3065 C O N F I D E N T I A L SECTION 1 OF 2 BRASILIA 10915 FOLLOWING RECD FM SAO PAULO DATED 21 DEC SENT ACTION BRASILIA INFO RIO DE JANEIRO AND PORTO ALEGRE NOW BEING REPEATED FOR YOUR ACTION: QUOTE SAO PAULO 2722 E.O. 11652: XGDS4 TAGS: PINS, PINT, SHUM, MILI, BR

1. Como é de esperar durante tais exercícios militares, uma fonte dentro do serviço de informações com quem falamos sobre o Caso Herzog, insistia, acima de todo, que as provas reunidas pela commissão militar de inquérito apontava definitivamente o Herzog como um suicido.

Enbora isso, o consenso entre nossas fontes na imprensa e os movimentos sociais inistiam que o Herzog morreu durante tortura.

2. Repetindo o essencial do seu discurso à imprensa no dia 17 dezembro pelo General D’Avila Melo, commandante do IIo Exército, nossa fonte disse que a extensão outorgada à comissão de inquérito serviu para permitir sua completação, junto como certas informações sigilosas. O general D’Avila foi citado dizendo que “Os resultados desse inquérito são a melhor resposta contra quem conspira, mente e espalha boatos, tentando virar o Povo contra o Exército.”

Tal resposta parecia prenunciar o resultado do inquérito.

Segundo reportagens na imprensa, um relatório de 345 páginas apresentado pelo presidente do inquérito militar,o General FERNANDO CERQUEIRA LIMA, e após a aprovação do General D’AVILA, deveria ser entregue à segunda circunscrição da justiça militar no dia 18 de dezembro, o mesmo dia do que nossa conversa com essa fonte. Nossa fonte, que parecia possuir o relatório, ou partes dele, na mesa dele durante a entrevista, e folheava as páginas enquanto falava conosco. Disse que todas as provas foram recebidas e que o veredicto foi suicídio.

Então, num momento que poder ser interpretado como revelador, ele disse que o Exército sabia manter-se firme — au contrário, por exemplo do DEOPS estadual (referênica a uma reportagem do dia 18 dezembro sobre a tenativa de suícidio de um preso político, HEITOR CAVACANTI FORTE).

O significado disso pode ser que a verdade surja no caso por causa da notória rivalidade dentro de  DEOPS, mas que isso nunca aconteceria no quartel do Segundo Exército (por cause da sua unidade indomável de força disclipinada.)

3. Apoiando o diagnóstico de suicídio, além do relatórios do legista e do DEOPS, virou à tona o fato de Herzog someter-se recentemente a um tratamento psiquiatra.

Uma fonte nossa do ramo legislativo, for exemple, nos informou que Herzog foi atendido pelo mesmo psiquiátra do que deputado estadual ALBERTO GOLDMAN.

Essa historia de instabilidade psicológica é descartada pelos partisãos da Situação, sugerindo uma outra explicação pela alegado suicídio de Herzog poucas horas após a sua chegada no DEOPS.

Veja também o REFTEL (B), anexo, para as testemunhas de segunda mão do RABBI SOBEL segundo a qual não havia marcas no cuerpo além das queimaduras em volta do pesçoco.

4. Cardinal PAULO EVARISTO ARNS, no entanto, dize ter recebido um relatório no dia seguinte à morte de Herzog, fornecido a um jornalista pela antiga amante de um dos principais torturadores de Herzog. Le-se que Herzog foi morto por causa da tortura … Assim mesmo, o Senador MAGALHAES PINTO confiou a Arns que ele (e o Presidente Geisel, presumidamente) receberam relatórios similares sobre a causa do óbito. O pronunciamento importante de ARNS estava na sua bolsa.

5. Quase unánimos na crença de que Herzog não cometiu suicídio, nossas fontes jornalísticas geram especulações diversas sobre a questão de como Herzog faleceu e quais foram as causas de morte. (Alguns argumentam, com um degrau de lógica, que a resposta não faz diferença. Se cometesse suicidio, foi uma reação contra a coação que sofreu. Em qualquer case, o Exército fica responsável. Alguns jornalists dizem que era cardíaca e que a tortura provocou um infarto. Outros journalists especulam que foi morto num accesso de fúria quand recusou a assinar — e talvez amassou our rasgou — uma confessão preparada para ele assinar.

JONATHAN KANDELL do New York Times relatou que o Herzof foi engasgado pelo algoz.
6. Ja ouvimos outro relato que ouvimos que au nosso ver pode apoioar a tése de que Herzog morreu durante uma sessão de tortura. (Pelo risgo iminente ao qual os jornalistas nossas fontes sofreriam se seus relatórios veio à atenção do SNI e outros, estamos pedindo cautela especial na proteção de fontes.
Quando saiu do DOI, de noite, o RODOLFO KONDER editor internacional da revistas “VISAO” confiou a um amigo que ele e outro jornalista, George Duque Estrada … of the Estado de S. Paulo, estavam em uma célula ao lado de onde Herzog sofria torturas. KONDER e ESTRADA foram levados uma, ou talvez duas vezes na tentativa de convencer Herzog a admitir such culpa. (De que crimes ele seria culpado não sabemos. Provavelmente tinha ser com suas atividades dentro to movimento comunistas.
Os dois journalistas disse a Vlado que já confessaram e que não havia mais sentido em recusando de falar. De volta na célula deles, commeçaram a ouvir os gritos horrendos do Herzog. De repente, reinava o siléncio. KONDER teve certeza de que aquilo foi o momento no qua HERZOG foi assassinado. CONFIDENTIAL
FM AMEMBASSY BRASILIA TO SECSTATE WASHDC 3066 C O N F I D E N T I A L SECTION 2 OF 2 BRASILIA 10915
7. Nenhum de nossos contatos dentro da comunidade de direitos humanos civis acredita no relatório de DEOPS e o legista, que foram divulgados — pelo menos em parte — no número de novembro da revista “Ex.”
Presidente da Comissão de Paz e Justiça do arquidioscese de S. Paulo, DALMO DALLARI, advogado renomado e professor da faculdade de direito da USP, rejeitou o relatório, dizendo que todo mundo sabe que os legistas são na folha de pagamento das forças de segurança e que já falsificaram atestados de óbitos no passado.
(Nós percebem algumas discrepâncias durante nossa leitura dos dois relatórios. Também existe of fato de que as autoridades não permitem a família de someter o cadáver a um segunda autópsia.
DALLARI, CARDINAL ARNS e o presidente do sindicato estadual de jornalistas, AUDALIO DANTAS, todos acreditam que o General CERQUEIRA LIMA é um homem honrados que, se pudesse fazer valer sua vontade, teria feito jus ao inquérito.
No obstante, todos os tres foram altamente críticas da escolha de DR. AYRTON DE MOURA ARAUJO, que terira um sinistro passado como mão de ferro na persegição de indivíduos em casos de segurança nacional — Uma vez quis aplicar a pena de morte para estudantes em movimentos subversivos.
No mínimo, DANTAS esperava que o inquérito resultaria numa faxina discreta dentro do DOI e do Segundo Exército. Nenhum dessas fontes esperava uma admissão de que Herzog morreu por conseguinte da tortura sofrida. Nesse ponto, os linha-duras e os libertários concordam.
8. Nos acreditamos que não havia novas ondas de prisões no S. Paulo — diferentemente do que na Santa Catarina, p.ex.) desde a morte de Herzog. A informação do Senador Montoro é consistente com isso. Na tentativa de identificar outros casos de tortura, não tivemos successo.
CARDINAL ARNS disse que a tortura dentro do DOI parous abruptamente após a morte de Herzog. (Que não haveriam mais incidentes não tem sido cruzado com dados da commissão de paz e justiçam, visando uma informação mais oportuna.

O CARDINAL não sabe dizer se a situação reflete uma tentativa por parte de Geisel de reinar os serviços de segurança nacional, ou se talvez representa a tática adotado espontaneamente pelo Sistema.

ARNS gostaria de acreditar nessa última hipótese. Se haverá qualquer validade à noção de um Geisel em plena ascenção, deve-se esperar uma verdadeira faxina dentro do Segundo Exército — em vez de simplesmente fazer um rodízio com os piores elementos do velho DOPS — e também uma interdição permanente de tortura do DOI.

Uma corte marcial dos oficiais de alta patente seria boa demais de esperar, até nas melhores de condições. No entanto, as informações que possuimos nos leva a acreditar que os orgãos de segurança national continuam fora do controle. Acreditamos que as estimativas dos linha-dura e os libertários en Parágrafo 7 acima serão comprovados,