Carl Bernstein | Sobre CIA & Co.

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Joseph Pulitzer

Joseph Pulitzer

Houve uma  marolinha de um escândalo durante o caso Satiagraha que agor me faz lembrar um capítulo meio escquecido: o nervosismo inspirado por jornalistas flagrados fazendo bicos por uma clientela nem sempre de alta classe during aquela mishegaas total.

Se bem que esse mesmo comportamento da mídia persistir,  achei que seria interessante ouvir o jornalista Carl Bernstein, num ensaio de 1977, fazendo o perfil de jornalistas que faziam bico na «comunidade de inteligência» e «comunidade de propaganda» (relações públicas).

Lembre-se daquela artilharia midiática que quase nos ensurdecia?

Chegou um momento no qual o delegado Protôgenes — nosso Prometeu do PCdoB — ameaçava vazar o nome de jornalistas fazendo esse tipo de bico, além de operações psicológos mais sofisticadas.

Apesar dele and de Sanctis, porem, não foi possível dar nomes a esses traidores da profissão.

Agora, tenemos o New York Times debatendo a sua colaboração com a CIA na cobertura de práticas de tortura. É um grande assunto, tanto pelo conteúdo quanto pela opção pela transparencia.

Entre outros escândalos editoriais no Times, havia a temporada de Judith Miller, que baseaba decenas de reportagens sobre a primeira guerra no Iraque na testemunha quasi-comicamente mentirosa de um mafioso-politico, Ahmed Chalabi. Lembra as previsões de que tem mares de agua potável, em vez de WMD. Mas isso é outra história.

Pois bem. Meu pensamento é que seria legal haver um texto em Português para enriquecer a clima de leitura crítica sobre o assunto. Escolhei um texto de 1977 por Carl Bernstein sobre

A C.I.A. E A MÉDIA

Isto é:

Como os poderosos de mídia dos EUA trabalhava com mãos dadas com a C.I.A., e porque a Commission Church varreu todo embaixo da tapete.

Eu pedi permissão do autor de verter o texto em Português, para divulgá-lo como um blog — WordPress, seja o que for, se o Sr. Bernstein concorde. Por enquanto, ofereço alguns trechos.

Eu traduzirei um pouco mais cada dia segundo o tempo e trabalho permitirem. Vamos lá.

In 53, Joseph Alsop, um dos colunistas mais conceituado do País, viajou para as Filipinas para fazer cobertura de umas eleições. Foi, mais não porque foi mandando por seu sindicato. Não havia nada a ver com seu coluna. Ele foi ao mando da CIA.

Alsop é um de mais que 400 jornalistas que, durante 25 anos, forum encarregados pelo CIA para realizar operações, segundo documentos arquivados no QG da CIA.

Algumas dessas relações eram tácitas, others explícito. Havia cooperation, acommodação e sobreposição. Os jornalists forneciam um leque de serviços clandestinos, entre juntando dados e servindo de intermediários em paises comunistas. Repórters compartilhavam seus cadernos com a CIA. Editores dividia seu próprio pessoal.

Alguns desses jornalists tinham sido premiado com o Pulitzer. Eram conceituados e se consideravam como algum tipo de embaixador sem portfólio. A maioria tinham um histórico mais modesto: correspondentes estrangeiros deram conta de que ajudando a Companhia ajudava-os no seu trabalho; eram jornalistas de meio período e frilances mais interessados no romanticismo de espionagem do que seguir uma pauta.

O grupo menor nesse esquema eram empregados de tempo integral da CIA, disfarçados como jornalistas. Muitas vezes, documents da própria CIA mostram, jornalistas foram engajados para trabalhar pela CIA com o consentimento de editores poderosos dos grandes grupos de mídia dos EUA.

Imprensa Trabalhadora — Tipo CIA

Para entender o papel da maiora de operadores-jornalistas, é preciso afastar alguns mitos sobre o trabalho sigiloso dos serviços secretos dos EUA. Poucos agentes são “espiões” no sentido popular da palavra. “Espionagem” — a acquisição de secretos de outros governos — quase sempre é feito por estrangeiros reclutados pela CIA and sob controle da CIA no seu País nativo. Assim, o papel principal de um americano trabalhando disfarçado muitas vezes é ajudar no reclutamento e “manejo” de estrangeiros que servem como canais de informações de informação sigilosas aos serviços secretos.

“Espionagem” — a acquisição de secretos de outros governos — quase sempre é feito por estrangeiros reclutados pela CIA and sob controle da CIA no seu País nativo. Assim, o papel principal de um americano trabalhando disfarçado muitas vezes é ajudar no reclutamento e “manejo” de estrangeiros que servem como canais de informações de informação sigilosas aos serviços secretos.

Muitos jornalistas eram utilizados pela CIA para apoiar esse processos. Muitos dos jornalistas utilizados nesse process and tem a fama de ser os melhores da profissão. A natureza singular da professão de correspondente pode ser ideal: recebe acesso a lugares muitas vezes fechadas e viaja a lugares onde outros americanos não podem visitar. Ele passa muito tempo cultivando fontes nos governos, institutos académicos, o estabelecimento militar, e comunidades scientificas, enquanto não pode-se trocar mensagens abertamente, um agente da CIA disse. “Assim você utiliza um jornalista para levar e entregar mensagens entre as duas pessoas.”

Journalists in the field generally took their assignments in the same manner as any other undercover operative. If, for instance, a journalist was based in Austria, he ordinarily would be under the general direction of the Vienna station chief and report to a case officer. Some, particularly roving correspondents or U.S.‑based reporters who made frequent trips abroad, reported directly to CIA officials in Langley, Virginia.

Ele tem a oportunidade de formar amizades de longo prazo com suas fontes, a — talvez mais de qualquer tipo agente — e occupa uma posição ideal para julgar corretamente a disponibilidade e capacidade de estrangeiros para trenamento como espiões.

“Quando um estraneiro é reclutado, um oficial precise permanecer nos fundos,” explica um agente. “Assim, você usa um jornalista para entregar mensagens.”

Jornalistas no campo geralmente recebiam suas tarefas no mesmo jeito que qualquer outro agente clandestinho. Se por exemplo um jornalista no campo in the field basava-se na Austria, normalmente seria sob a direção do chefe de estação e recebiam suas tarefas como qualquer outro operador clandestino. Alguns, e especialmente jornalistas que viaja muito no estrangeiro, eram interrogado por oficiais da CIA Langley, Virginia.

Às vezes as tarefas feitas consistiam de pouco mais que servindo a CIA com “olhos e ouvios.” Pode ser o que viu numa fábrica no Leste, num baile de diplomatas na Bonn, no perímetro de um base militar em Portugal. Outras vezes as tarefas eram mais complicadas: espalhando ítens de propaganda, cuidadosamente feitos; servindo de anfitrião com o intuito de aproximar-se espiões americans com colegas estranjeiras; fabricando “propganda negra” propaganda para jornalistas estranheiros durante uma refeição; emprestando seus quartos de hotel o espaço na redação para “drops” de altamente sensitivo informação passada entre um lado ao outro; transmitindo instruções e informaçãos altamente sensitiva, além de dólares, a agentes infiltrado em governos estrangeiros.

The tasks they performed sometimes consisted of little more than serving as “eyes and ears” for the CIA; reporting on what they had seen or overheard in an Eastern European factory, at a diplomatic reception in Bonn, on the perimeter of a military base in Portugal. On other occasions, their assignments were more complex: planting subtly concocted pieces of misinformation; hosting parties or receptions designed to bring together American agents and foreign spies; serving up “black” propaganda to leading foreign journalists at lunch or dinner; providing their hotel rooms or bureau offices as “drops” for highly sensitive information moving to and from foreign agents; conveying instructions and dollars to CIA controlled members of foreign governments.

Often the CIA’s relationship with a journalist might begin informally with a lunch, a drink, a casual exchange of information. An Agency official might then offer a favor—for example, a trip to a country difficult to reach; in return, he would seek nothing more than the opportunity to debrief the reporter afterward. A few more lunches, a few more favors, and only then might there be a mention of a formal arrangement — “That came later,” said a CIA official, “after you had the journalist on a string.”

Another official described a typical example of the way accredited journalists (either paid or unpaid by the CIA) might be used by the Agency: “In return for our giving them information, we’d ask them to do things that fit their roles as journalists but that they wouldn’t have thought of unless we put it in their minds. For instance, a reporter in Vienna would say to our man, ‘I met an interesting second secretary at the Czech Embassy.’ We’d say, ‘Can you get to know him? And after you get to know him, can you assess him? And then, can you put him in touch with us—would you mind us using your apartment?”‘

Formal recruitment of reporters was generally handled at high levels—after the journalist had undergone a thorough background check. The actual approach might even be made by a deputy director or division chief. On some occasions, no discussion would he entered into until the journalist had signed a pledge of secrecy.

“The secrecy agreement was the sort of ritual that got you into the tabernacle,” said a former assistant to the Director of Central Intelligence. “After that you had to play by the rules.” David Attlee Phillips, former Western Hemisphere chief of clandestine services and a former journalist himself, estimated in an interview that at least 200 journalists signed secrecy agreements or employment contracts with the Agency in the past twenty‑five years. Phillips, who owned a small English‑language newspaper in Santiago, Chile, when he was recruited by the CIA in 1950, described the approach: “Somebody from the Agency says, ‘I want you to help me. 1 know you are a true‑blue American, but I want you to sign a piece of paper before I tell you what it’s about.’ I didn’t hesitate to sign, and a lot of newsmen didn’t hesitate over the next twenty years.”

“One of the things we always had going for us in terms of enticing reporters,” observed a CIA official who coordinated some of the arrangements with journalists, “was that we could make them look better with their home offices. A foreign correspondent with ties to the Company [the CIA] stood a much better chance than his competitors of getting the good stories.”

Within the CIA, journalist‑operatives were accorded elite status, a consequence of the common experience journalists shared with high‑level CIA officials. Many had gone to the same schools as their CIA handlers, moved in the same circles, shared fashionably liberal, anti‑Communist political values, and were part of the same “old boy” network that constituted something of an establishment elite in the media, politics and academia of postwar America. The most valued of these lent themselves for reasons of national service, not money.

The Agency’s use of journalists in undercover operations has been most extensive in Western Europe (“That was the big focus, where the threat was,” said one CIA official), Latin America and the Far East. In the 1950s and 1960s journalists were used as intermediaries—spotting, paying, passing instructions—to members of the Christian Democratic party in Italy and the Social Democrats in Germany, both of which covertly received millions of dollars from the CIA. During those years “we had journalists all over Berlin and Vienna just to keep track of who the hell was coming in from the East and what they were up to,” explained a CIA official.

In the Sixties, reporters were used extensively in the CIA offensive against Salvador Allende in Chile; they provided funds to Allende’s opponents and wrote anti‑Allende propaganda for CIA proprietary publications that were distributed in Chile. (CIA officials insist that they make no attempt to influence the content of American newspapers, but some fallout is inevitable: during the Chilean offensive, CIA‑generated black propaganda transmitted on the wire service out of Santiago often turned up in American publications.)

According to CIA officials, the Agency has been particularly sparing in its use of journalist agents in Eastern Europe on grounds that exposure might result in diplomatic sanctions against the United States or in permanent prohibitions against American correspondents serving in some countries. The same officials claim that their use of journalists in the Soviet Union has been even more limited, but they remain extremely guarded in discussing the subject. They are insistent, however, in maintaining that the Moscow correspondents of major news organizations have not been “tasked” or controlled by the Agency.

The Soviets, according to CIA officials, have consistently raised false charges of CIA affiliation against individual American reporters as part of a continuing diplomatic game that often follows the ups and downs of Soviet‑American relations. The latest such charge by the Russians—against Christopher Wren of the New York Times and Alfred Friendly Jr., formerly of Newsweek, has no basis in fact, they insist.

CIA officials acknowledge, however, that such charges will persist as long as the CIA continues to use journalistic cover and maintain covert affiliations with individuals in the profession. But even an absolute prohibition against Agency use of journalists would not free reporters from suspicion, according to many Agency officials. “Look at the Peace Corps,” said one source. “We have had no affiliation there and they [foreign governments] still throw them out”

The history of the CIA’s involvement with the American press continues to be shrouded by an official policy of obfuscation and deception for the following principal reasons:

■ The use of journalists has been among the most productive means of intelligence‑gathering employed by the CIA. Although the Agency has cut back sharply on the use of reporters since 1973 primarily as a result of pressure from the media), some journalist‑operatives are still posted abroad.

■ Further investigation into the matter, CIA officials say, would inevitably reveal a series of embarrassing relationships in the 1950s and 1960s with some of the most powerful organizations and individuals in American journalism.

Among the executives who lent their cooperation to the Agency were Williarn Paley of the Columbia Broadcasting System, Henry Luce of Tirne Inc., Arthur Hays Sulzberger of the New York Times, Barry Bingham Sr. of the LouisviIle Courier‑Journal, and James Copley of the Copley News Service. Other organizations which cooperated with the CIA include the American Broadcasting Company, the National Broadcasting Company, the Associated Press, United Press International, Reuters, Hearst Newspapers, Scripps‑Howard, Newsweek magazine, the Mutual Broadcasting System, the Miami Herald and the old Saturday Evening Post and New York Herald‑Tribune.

By far the most valuable of these associations, according to CIA officials, have been with the New York Times, CBS and Time Inc.

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