Bernstein & Co. | 1977, Part II

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Illustration: ULF ERLINGSSON

Eu estava trabalhando na continuação da nota

Carl Bernstein | Sobre CIA & Co.

quando AES Eletropaulo resolveu me silenciar.

Perdi a metade do artigo, portanto, justamente onde ia comentar o histórico da NED e seus satelites NDI, IRI, CIPE, e CIMA, e o papel do Broadcast Board of Governors, o braço forte de uma propaganda mista de branca, negra e cinza, e menos mal-pago do que durante a Guerra Fria. 

Agora tô cansado. Deixa-me transcrever algumas notinhas?

Na passagem a seguir, Carl Bernstein explica uma certa lógica esdrúxula para continuar de emprestar o bom nome de um journal a uma crítica áspera … especialmente quando as notícias que ele consume são falsificadas ou manipuladas.  Pensam na tragédia de Judith Miller.

Os Soviets, segundo a CIA, constantemente levantam denúncias falsas de afilhação de jornalistas individuais como parte de um continuado jogo diplomatico que acompanha os altos e baixos das relações sovieto-americanas.

A acusação mais recente foi uma denuncia (em 1977) contra Christopher Wren do New York Times and Alfred Friendly Jr., ex-Newsweek, que dizem que a denúncia não tem pé nem cabeça.

A CIA reconhece, no entanto, que tais acusações persistirão enquanto a agência continuar usando agentes disfarçados de jornalistas e mantendo afiliações sigilosas com outros indivíduos da profissão.

Mas nem uma proibição absoluta contra o uso de jounalistas liberia repórteres de suspeição, segundo muitos dentro da Agência. “Olha o Peace Corps,” disse uma fonte. “Não temos afiliação lá, mas entretanto, os governos ainda nos afasta.

Ah, é? Pensa na mal-estar que ainda persegue e incomoda o USAID.

A história da relação entre a CIA e a imprensa americana continua sendo anublado por uma politica oficial e deliberado de obfuscação e decepção, que tem o raciocío seguinte:

■ O uso de jornalistas pela CIA tem sido entre os meios mais produtivos de colher informações. Embora a CIA tem cortado o programa bruscamente desde 1973 (principalmente por causa das objeções da mídia), alguns operadores-jornalistas continuam trabalhando no exterior.

■ Investigação do assunto, segundo officiais da CIA, revelariam uma série de relações embaraçosas nos anos 1950s e 1960s envolvendo algumas das organizações e individuos mais poderosos no jornalismo americano.

Entre os executivos que cooperava atentamente com a CIA eram, segundo Bernstein:

  1. William Paley, Columbia Broadcasting System,
  2. Henry Luce, Time Inc.,
  3. Arthur Hays Sulzberger, New York Times (RIP)
  4. Barry Bingham Sr., LouisviIle Courier‑Journal,
  5. James Copley, Copley News Service.

Outras empresas que colaborava incluiam

  1. American Broadcasting Company
  2. National Broadcasting Company
  3. Associated Press
  4. United Press International
  5. Reuters
  6. Hearst Newspapers
  7. Scripps‑Howard,
  8. Newsweek
  9. Mutual Broadcasting System
  10. Miami Herald
  11. Saturday Evening Post
  12. New York Herald‑Tribune.

De longe as mais valiosas dessas associações, segundo agentes da CIA,  envolvem a agência com o New York Times, CBS and Time Inc.

[ … ]

Após uma soneca, mas ainda com preguiça, eu fecho essa nota com uma hipótese que continua me interessando: A articulação de entidades de mídia em associações locais, regionais, nacionais e internacionais — o chamado model “glocal” (global-local) de jornalismo — cria muitas possibilidades para cooperação entre enormes zaibatsus, tipo PRISA, assim como a dependência das menores nos grandes.

A rede virtual de computadores está virando cada vez mais ágil, responsivo, e rápido no desenvolvimento de matérias.

É isso que me deixa interessado no papel das associaçães profissionais — globalmente, WAN-IFRA; regionalmente, SIPIAPA —  e a filantropia visando formar jornalistas que serão “inovadores, criativos” e comprometido com uma certa noção da liberdade de expressão.

Para mim, a entidade  mais bem-sucedida em realizando essas estratégias — essas «organização-redes» — continua sendo a sempre discreta Innovation Media Consulting, clientes do qual tem um estilo visual e arquitetura epistemológica muito reconhecível.

Recentemente, por example, El País lanzou uma edição brasileira com a lemma “o Jornal Global.” Será interessante ver seus próximos passos. Haverá espaço suficiente para os dinosauros conviveram?

De Volta aos 1960s

Bernstein continua:

Nos anos 1960s, jornalistas eram utilizados extensivamente contra Salvador Allende in Chile; forneciam dinheiro aos oponentes de Allende and criava, propaganda anti-Allende para publicações editado pela CIA e distribuido na Chile.

(Oficiais da CIA insistem que não houve tentativa de influir no conteudo de jornais norteamericanos, mais que efeitos colaterais adversos são inevitáveis: Durante a offensiva contra Allende, «propaganda negra» da CIA foi transmitida pela agência internacional, e acabou divulgada em jornais norteamericanos.) 

Um desafio que permanece relevante até os dias de hoje, então: o risco de por o poder nas mãos de quem ache necessário compor “narrativos” para obter a adnuência de leitores domésticos. Nos olhos dos psycoguerreiros, somos todos ótarios.

O cardápio de ações de relações públicas durante essa última eleição deve ser comparado com a literatura técnica sobre os PSYOPS.