Sebolândia: Últimas Leituras

Padrão

//i113.photobucket.com/albums/n216/cbrayton/Stuff/livro_grampobndes.jpg?t=1229098574” cannot be displayed, because it contains errors.

Acabo de ler O Grampo de BNDES: Quando o complemento da ABIN é a mídia oficiosa, de Bruno Lima Rocha.

Pedi-o pela Internet de um sebo lá na Porto Alegre.

Chegou rapidinho por Sedex.

Eu simplesmente  queria que alguém me contasse aquela história cabeluda toda, e contava direitinho. O livro não cumpriu o prometido, mais provocava bastante.

Segundo a revista Época, em reportagems feitos entre 1999 e 2001, tratava-se de espionagem oficial do governo contra o governo, ou de agentes corruptos do Estado trabalhando no serviço de atores do setor privado.

O título do livro sugere que desmentirá essa versão.

Infelizmente, não consegui entender quase nada sobre o que o autor achou realmente aconteceu. Como o livro vem em formato de tese de mestrado, tem todo aquele aparato de metodologia e leituras preciosas de teóricos franceses, tambem. Chato. Aos fatos!

Quanto à leitura da cobertura feita do episódio, o que eu pude entender foi que a Época não apurou a possibilidade nada supreendente do que agentes do SNI estariam utilizando o aparelho do Estado para fazer bicos e outras micagens desse tipo — chegando até a anunciar seus serviços nos classificados dos principais jornais da época.

O grampo sobre autoridades e demais membros das elites operando no Brasil, são, em nossa opinião, tanto uma política do aparelho de Estado de vigilância, como uma arma do capitalismo concorrencial, seguidas vezes utilizadas por grupos de interessse.

Isso foi escrito em 2003, um ano antes de lermos (29 abril de 2004, Folha de São Paulo):

O STF (Supremo Tribunal Federal) arquivou ontem, por 9 votos contra 2, a denúncia criminal contra o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) no caso dos grampos telefônicos da Secretaria de Segurança Pública da Bahia. A denúncia — que geraria uma ação penal — foi oferecida pelo procurador-geral da República, Claudio Fonteles, em setembro de 2003, com base em inquérito da Polícia Federal. Ele acusou ACM de formação de quadrilha e escuta telefônica ilegal.

Porque não conseguiram enquadrar o ACM?

Foi mais um “lixo” de uma investigação pela policia federal, como um tal de Mário de César de Carvalho escreveu na Folha nessse sábado?

(Eu tenho uma razoavelmente boa impressão da polícia federal do Brasil. Prendem seu próprios agentes quando corruptos. Apreendem bastante pó. Fazem trabalhos de investigação tecnicamente avançados. Aos custos, conseguem desmascarar o lado mafioso do País. É feio, mais alguém tem que mostrá-lo. Senão, quem vai querer investir aqui?)

Ou mais um caso de “faclidades lá encima”?

Por alguma razão, não se convocou em 2004 uma CPI dos Grampos Clandestinos e Abusos dos Grampos Autorizados — apesar do falecido Senador ter supostatmente acrescentado os nomes de desafetos à lista de grampos autorizados por uma juiza (não foi?)  num processo na Justiça que nada tinha a ver com essas pessoas.

Só para dar uma bisbilhotada em vida alheia.

O que eu consegui entender da minha leitura do livro foi mais o menos o seguinte: No Brasil, tem o Estado e tem o Governo. Caso o aparelho permanente do Estado não concordar com o Governo de plantão, o Estado permanente manda o Governo de plantão a sifu.

Valeu para FHC, e tem valido pelo Lula.

E vale especialmente para o aparelho da chamada “segurança nacional.”

Agora, uma figura tipo Paulo Lacerda chega querendo estabelecer uma corregedoria na ABIN para apurar desvios de conduto, repetindo uma experiência bem-sucedida na PF … e portanto, Paulo Lacerda sifu.

Até agora, é a única versão desse acontecimentos que fez sentido para mim.

Aguardo o próximo capítulo.

Depois, passei a ler Lacerda x Wainer: O Corvo e o Bessarabiano, de Ana Maria de Abreu Laurenza.

Aí, eu comecei a aprender alguma coisa.

Continue lendo

Anúncios

Ensaio sobre a rasteira: Lee Atwater, Carlos Lacerda e o “estilo neocon”

Padrão

Luis Nassif tem toda razão quando ele fala do “estilo neocon” da imprensa tupiniquim, e da revista Veja em particular.

Paulo Henrique Amorim, entretanto, uma voz mais estridente, insiste em tachar essa mesma turma do PIG – o “partido da imprensa golpista.”

Numa entrevista com a revista Caros Amigos, Nassif mostrou um certo receio de ir tão longe, analisando que a imprensa marrom seria essencialmente venial e oportunista, pensado só em alimentar os preconceitos preexistentes dos leitores para poder manter e aumentar as vendas.

Me lembro das cartas zangadas que apareceram na revista em resposta, insistindo que a Veja seria, sem dúvida, “a final flor de fáscio,” comprometida carne e osso politica e ideologicamente com uma extrema direita recrudescente e tosca.

Sempre que surge tais denuncias, eu tenho vontade de explicar para o leitor brasileiro o que realmente significa esse “estilo neocon” — de onde veio, quais os objetivos e pressupostos dele, e sobretudo quais a técnicas de comunicação social empregadas por esse movimento da ultradireita extremista nos EUA, instituída por antigos trotskistas como Richard Perle.

Para isso, no entanto, seria necessário resumir uma longa e complicada historia.

Um dia vou tentar. Se der tempo.

Entretanto, continuo curioso também sobre quais podiam ser as ligações entre esse “estilo neocon” e o estilo neo-Lacerdista do qual a Veja abertamente jacta-se.

Como é que é? A Veja Lacerdista? É.

Como prova disso, eu tenho a lembrança de comprar uma edição do semanário lá em 2002, 2003, 2004. Dentro da revista, houve um código de acesso, uma senha, para o leitor entrar no site e ler os conteúdos lá.

A senha foi: NOVOLACERDA.

Continue lendo