Essa Nota Conta Tudo Sobre Putas! Ou, Como Plagiar Os Tablóides

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Yo, Ho! Ho!

Quero dizer logo no começo que não tenho nenhuma prova do que Boris Casoy vai ser demitido por TV Band. Não passa de um boato — boato que eu mesmo acabo de lançar. Espalhe!

Uns dois anos atrás, o governador do estado de Nova York deixou o cargo quando foram divulgadas as aventuras — desventuras, no fim — dele com prostitutas de luxo.

Daspu vestindo Daslu, digamos.

Eliot Spitzer foi o antigo promotor geral do estado, e lá na promotoria construiu a imagem pública dele encima de atitudes duros contra vícios como o jogo, a prostituição e as drogas, além de ir atrás fraudes e contravenções no setor financeiro.

Os bancos odiavam-no. Inspirava confiança. Radiava moralidade. Se elegeu com folga.

Eis o choque que levamos com o escândalo.

Acima, a capa clássica do tablóide de Rupert Murdoch, o New York Post — tipo o filho natural da Veja com A Tribuna da Imprensa, digamos — sobre as revelações.

Tem um trocadilho engenhoso, mais de pessímo gosto, na manchete.

Na giría da juventude afrodescendente, espalhada pelo movimento de hip hop, “ho” quer dizer “whore” — uma boa, bela e velha palavra anglosaxôna para prostituta.

Assim, “ai, não!” vira “puta? não diga!”

Assumindo no lugar de Spitzer, David Paterson — afrodescendente e cego — fez questão de abrir a ficha, confessando casos amorosos no seu passado e contando como ele e sua esposa superaram os crises. Fumou machonha, na juventude. Tragou, e aí? Experimentou com a cocaína uma vez. Não droga-se faz décadas e décadas. Ponto final.

Ainda com essa precaução, porém, mais uma vez vemos a manchete gritante e malvado no Post, essa vez sobre o Paterson:

I did not have sex with that woman!

“Eu não fiz sexo como aquela mulher!”

A manchete ecoa o pronunciamento ínfame do presidente Bill Clinton, negando o caso que teve com a estagiária Monica Lewinsky na Casa Branca.

Depois, Clinton — conhecido como Bubba por seus amigos, como FHC — diria que uma vez que tratava-se de sexo oral, ele não considerava que o contato constituisse “fazendo sexo,” entendido na sua mente naquele momento como coito com penetração levando ao orgasmo. A mentira levou ao processo de impeachment contra ele — a manobra protelatária parlamentária mais bem sucedida na história do mundo.

Como ecoa uma mentira comprovada, então, a manchete insinua sem deixar muito lugar para dúvidas que o Paterson esteja mentindo.

O ombudsman — chama-se do “Public Editor” — do New York Times narra o episódio, que começou com uma pergunta enviada por um dito jornalista local aos seguidores dele no Twitter.

(Clark Hoyt, antigamente editor em uma das únicas empresas de jornalismo que tratava com ceticismo os argumentos do governo para invadir Iraque, foi convidado para tentar sarar os ferimentos sofridos pela credibilidade do jornalão após a caça fracassada de Judith Miller, com seu pequeno exército de Brancaleone, às armas de destruição maciça — inexistentes — de Saddam. Está fazendo um bom trabalho.)

Eu traduzo.

Nove dias atrás, John Koblin, repórter do New York Observer, postou o seguinte na Twitter: “Alguém ouviu falar de uma bomba de um escândalo envolvendo o governador do estado, Paterson? Ouvi falar que está por vir uma baita de uma matéria que o perjudicará.. Está sendo trabalhada faz semanas, mais ainda não apareceu.” Continue lendo

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Sebolândia: Últimas Leituras

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Acabo de ler O Grampo de BNDES: Quando o complemento da ABIN é a mídia oficiosa, de Bruno Lima Rocha.

Pedi-o pela Internet de um sebo lá na Porto Alegre.

Chegou rapidinho por Sedex.

Eu simplesmente  queria que alguém me contasse aquela história cabeluda toda, e contava direitinho. O livro não cumpriu o prometido, mais provocava bastante.

Segundo a revista Época, em reportagems feitos entre 1999 e 2001, tratava-se de espionagem oficial do governo contra o governo, ou de agentes corruptos do Estado trabalhando no serviço de atores do setor privado.

O título do livro sugere que desmentirá essa versão.

Infelizmente, não consegui entender quase nada sobre o que o autor achou realmente aconteceu. Como o livro vem em formato de tese de mestrado, tem todo aquele aparato de metodologia e leituras preciosas de teóricos franceses, tambem. Chato. Aos fatos!

Quanto à leitura da cobertura feita do episódio, o que eu pude entender foi que a Época não apurou a possibilidade nada supreendente do que agentes do SNI estariam utilizando o aparelho do Estado para fazer bicos e outras micagens desse tipo — chegando até a anunciar seus serviços nos classificados dos principais jornais da época.

O grampo sobre autoridades e demais membros das elites operando no Brasil, são, em nossa opinião, tanto uma política do aparelho de Estado de vigilância, como uma arma do capitalismo concorrencial, seguidas vezes utilizadas por grupos de interessse.

Isso foi escrito em 2003, um ano antes de lermos (29 abril de 2004, Folha de São Paulo):

O STF (Supremo Tribunal Federal) arquivou ontem, por 9 votos contra 2, a denúncia criminal contra o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) no caso dos grampos telefônicos da Secretaria de Segurança Pública da Bahia. A denúncia — que geraria uma ação penal — foi oferecida pelo procurador-geral da República, Claudio Fonteles, em setembro de 2003, com base em inquérito da Polícia Federal. Ele acusou ACM de formação de quadrilha e escuta telefônica ilegal.

Porque não conseguiram enquadrar o ACM?

Foi mais um “lixo” de uma investigação pela policia federal, como um tal de Mário de César de Carvalho escreveu na Folha nessse sábado?

(Eu tenho uma razoavelmente boa impressão da polícia federal do Brasil. Prendem seu próprios agentes quando corruptos. Apreendem bastante pó. Fazem trabalhos de investigação tecnicamente avançados. Aos custos, conseguem desmascarar o lado mafioso do País. É feio, mais alguém tem que mostrá-lo. Senão, quem vai querer investir aqui?)

Ou mais um caso de “faclidades lá encima”?

Por alguma razão, não se convocou em 2004 uma CPI dos Grampos Clandestinos e Abusos dos Grampos Autorizados — apesar do falecido Senador ter supostatmente acrescentado os nomes de desafetos à lista de grampos autorizados por uma juiza (não foi?)  num processo na Justiça que nada tinha a ver com essas pessoas.

Só para dar uma bisbilhotada em vida alheia.

O que eu consegui entender da minha leitura do livro foi mais o menos o seguinte: No Brasil, tem o Estado e tem o Governo. Caso o aparelho permanente do Estado não concordar com o Governo de plantão, o Estado permanente manda o Governo de plantão a sifu.

Valeu para FHC, e tem valido pelo Lula.

E vale especialmente para o aparelho da chamada “segurança nacional.”

Agora, uma figura tipo Paulo Lacerda chega querendo estabelecer uma corregedoria na ABIN para apurar desvios de conduto, repetindo uma experiência bem-sucedida na PF … e portanto, Paulo Lacerda sifu.

Até agora, é a única versão desse acontecimentos que fez sentido para mim.

Aguardo o próximo capítulo.

Depois, passei a ler Lacerda x Wainer: O Corvo e o Bessarabiano, de Ana Maria de Abreu Laurenza.

Aí, eu comecei a aprender alguma coisa.

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